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9 de janeiro de 2013 - 14:57Fórmula 1, Memorabilia

Saudosas pequenas – Arrows, parte X

RIO DE JANEIRO - Sob o nome Footwork – e com menos dinheiro ainda em relação a 1994 – Jackie Oliver trouxe novidades para o Mundial de Fórmula 1 de 1995. Manteve Gianni Morbidelli e, como contraponto, para salvar o ano e as contas a pagar, fechou um acordo com Taki Inoue, obscuro piloto japonês, para ocupar o segundo cockpit. O FA16, mais um projeto de Alan Jenkins para o time, seria equipado desta vez com o motor Hart 830 V8.

De saída, Morbidelli foi sempre mais veloz que Inoue em qualificação e em ritmo de corrida o italiano era igualmente superior. Mesmo com pouca potência disponível no motor, ele salvou um 6º lugar no Canadá, enquanto nos primeiros GPs do ano, o japonês se tornava folclórico pelas trapalhadas. Como a de Mônaco, onde conseguiu capotar ao bater no Safety Car guiado por Jean Ragnotti, durante um treino.

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A trapalhada de Taki Inoue ao bater num carro de serviço nos Esses da Piscina: capotou seu Arrows em Monte-Carlo

Apesar de marcar o único ponto do time na primeira metade do ano, Morbidelli não tinha o dinheiro suficiente para garantir a sobrevivência do time e em seu lugar, a partir do GP da Inglaterra, entrou outro italiano – Massimiliano “Max” Papis. Até a Bélgica, ele e Inoue colecionaram uma série de abandonos e o japonês se meteu noutra trapalhada, quando seu FA16 pegou fogo na Hungria: acabou atropelado por um carro de serviço.

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A segunda trapalhada: Inoue conseguiu ser atropelado por um carro de socorro no GP da Hungria

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Papis conseguiu um 7º posto em Monza e Inoue foi o oitavo. Acabou sendo o melhor resultado de ambos na Fórmula 1. O italiano ficou como titular até o GP da Europa, em Nürburgring e viajou para Aida para se juntar à equipe no GP do Pacífico. Acabou tendo uma surpresa daquelas: Jackie Oliver decidira voltar com Gianni Morbidelli para as três corridas finais.

“Ponho nos meus carros quem eu quero”, foi o que Papis ouviu do dirigente da Footwork.

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A equipe estava em situação financeira precária e mesmo assim Gianni Morbidelli chegou em 3º no GP da Austrália

Não foi uma atitude bacana de Jackie Oliver – aliás, Papis, num papo informal quando a Indy veio ao Brasil, revelou grande mágoa com o britânico por causa deste episódio – mas certo é que foi graças a esta troca que a Footwork ainda conseguiu uma alegria em 1995, com o surpreendente 3º lugar de Gianni Morbidelli no GP da Austrália, ladeando Damon Hill e Olivier Panis no pódio.

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Jos Verstappen fez uma grande corrida com o FA17 no GP da Argentina

Mas para 1996, Inoue acabou mandado embora e Morbidelli também dançou. Jackie Oliver contratou uma dupla nova: o holandês Jos Verstappen, “emprestado” pela Benetton e o brasileiro Ricardo Rosset, vice-campeão da Fórmula 3000 no ano anterior. O carro seria o FA17, também desenhado por Alan Jenkins e de novo equipado com o motor Hart V8.

Apesar de ter completado apenas 25 voltas de testes na pré-temporada, Rosset foi quem começou levando o carro #16 ao final, com o 9º lugar na Austrália. Enquanto isso, nos bastidores, a situação da equipe mudava dramaticamente. Tom Walkinshaw, que comandava a Ligier, sob a tutela de Flávio Briatore, subscreveu as ações de Jackie Oliver no time e tornou-se majoritário. Para 1997, sua equipe passaria a se chamar TWR-Arrows e a partir do GP da Europa, os FA17 passaram a ostentar uma pintura vermelho-vivo.

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Sem muitos testes, Ricardo Rosset não conseguiu grandes resultados em seu ano de estreia na F1

Antes disso, Verstappen conseguiu um ótimo 6º lugar na Argentina e a partir daí, com a latente falta de potência do motor Hart e os privilégios que o holandês possuía dentro do time, Rosset pouco pôde fazer para reverter o quadro. Largando entre os últimos – ou em último – o brasileiro ainda foi 11º em Nürburgring, na França e Alemanha, oitavo na Hungria, nono na Bélgica, 13º no Japão e 14º em Portugal.

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Verstappen sempre andou mais do que o carro podia proporcionar…

Sempre mais rápido que o companheiro em qualificação, Verstappen normalmente andava acima do limite do FA17, estatelando o carro nos guard-rails ou rodando. Seu melhor resultado após a corrida da Argentina foi um 8º lugar em Monza. E só.

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A Bridgestone usou um dos carros da Footwork-Arrows para os testes que marcaram a volta do fabricante japonês; o brasileiro Tarso Marques conduziu as sessões

Na verdade, a preocupação de Walkinshaw, além de ganhar algum dinheiro com seus dois pilotos, que trouxeram bons patrocínios para o time, era preparar o terreno para o ano de 1997, quando ele teria pneus Bridgestone, exaustivamente testados por Tarso Marques num carro da Footwork-Arrows. O que talvez ninguém suspeitasse era a cartada que Tom estava preparando para a temporada seguinte…

Assunto para o próximo post, é claro.

7 comentários

  1. Nagano disse:

    Por onde será que anda o Taki Inoue?

  2. Pedro Henrique Fonseca disse:

    Cara, até hoje eu lembro do Inoue sendo atropelado na Hungria. O que ele tinha de lento e trapalhão tinha de engraçado. Esses dias apareceu uma suposta entrevista dele em um fórum na internet onde ele se definiu como ” o pior piloto de todos os tempos”. E esse 7º lugar do Papis em Monza veio com requintes de crueldade: Ele perdeu a 6ª posição pro Jean-Crhistophe Boullion na última volta. Não sabia que ele tinha saído dessa forma da equipe, Jackie Oliver foi muito sujo com ele

  3. Zé Maria disse:

    E o Rosset acabou sendo “apelidado” pelos ingleses de ” Tosser” ( inversão entre a 1a e a última letra do sobrenome), após sua malfadada passagem pela F1. . .
    Zé Maria

    • Tio Ge disse:

      Se não me engano, esse apelido veio na Tyrrel, por sacanagem da própria equipe, que escreveu errado seu nome no carro em uma das etapas, e onde o Rosset tinha sérios problemas de relacionamento.

  4. PRNDSL disse:

    Os esquemas de pintura da Arrows sempre foram sensacionais…

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