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18 de abril de 2013 - 11:53Fórmula 1, Memorabilia, Saudosas Pequenas

Saudosas pequenas – Minardi, parte VIII

RIO DE JANEIRO - O ano de 1997 marcou mais uma época de transição na Minardi. O time italiano passava a ter como um de seus acionistas ninguém menos que Flavio Briatore, que colocou como titular da equipe de Faenza um dos pilotos gerenciado por ele: o italiano Jarno Trulli, que ganhara absoluto a Fórmula 3 alemã (ainda um certame fortíssimo) no ano anterior, para ganhar experiência. O segundo piloto, após quatro temporadas com a Tyrrell, foi Ukyo Katayama, o simpático – mas trapalhão – piloto japonês que trazia o apoio da Japan Imperial Tobacco através dos cigarros Mild Seven.

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Ukyo Katayama deixou a Tyrrell e foi para a Minardi

O novo carro, o M197 projetado pelo mesmo grupo de engenheiros liderado por Gabriele Tredozi, do qual fazia parte o compatriota Mauro Gennari e o argentino Mariano Alperin, receberia o motor Hart 830 AV7 construído pelo batalhador Brian Hart com suas hábeis mãos. Mas de saída, a Minardi teria que se acostumar, mais uma vez, com a falta de potência do propulsor V8, que tinha apenas 640 HP. Em contrapartida, os pneus Bridgestone poderiam ser um pequeno trunfo do time ao longo do ano.

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Jarno Trulli destacou-se a bordo do M197 e no meio do ano pulou para a Prost quando Panis bateu no Canadá

Até que, mesmo com pouca potência, os resultados em qualificação de Katayama e Trulli foram bem honestos na Austrália e no Brasil. Em Buenos Aires, já mais acostumado ao carro, o italiano deixou muito para trás o japonês e conquistou um interessante 9º lugar em sua terceira corrida de Fórmula 1, repetindo o resultado que já alcançara na Austrália.

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O italiano em sua última corrida pela Minardi, em Montreal

A Minardi continuou com resultados modestos até o GP do Canadá. Nessa corrida, Olivier Panis, então piloto da Prost, sofreu um acidente e fraturou ambas as pernas. Por interferência de Flavio Briatore, que mexeu seus pauzinhos, Trulli foi imediatamente realocado no time do tetracampeão mundial de Fórmula 1 e a equipe de Faenza ficou momentaneamente sem piloto. Rapidamente, Giancarlo Minardi convocou um conhecido seu para assumir o volante do #21.

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Tarso Marques voltou pela primeira vez à equipe de Faenza; o brasileiro não teve vida fácil

Tarso Marques regressou para conduzir o M197 até o fim da temporada e sua estreia, na França, começou com uma quebra de motor após sair de último lugar no grid. Como sempre faltava dinheiro e o que os dois pilotos conseguissem na pista era lucro. O brasileiro chegou em 10º na Inglaterra, o que devido as circunstâncias – motor pouco potente e pista de alta velocidade – não podia ser considerado um mau resultado.

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Tarso participou do 200º GP da história da Minardi, em Spa-Francorchamps

No período entre os GPs da Alemanha e Itália, tanto Tarso quanto Katayama frequentaram assiduamente a última fila do grid. Na Bélgica, inclusive, o brasileiro passou por uma situação inusitada – logo no dia do 200º GP da história da Minardi: com parte da corrida disputada em piso molhado, a equipe montou os pneus de chuva nas rodas traseiras do M197 em sentido contrário ao usual. Ele abandonaria após uma rodada na 19ª volta.

Em Zeltweg, um erro no cálculo do peso mínimo do carro tirou Tarso do grid e foi a única vez que um Minardi ficou de fora naquela temporada de 1997. Nas corridas finais, Katayama aproveitou para anunciar sua retirada da categoria e Tarso ainda conseguiu largar uma vez à frente do japonês em Nürburgring, além de um 15º posto em Jerez de la Frontera, duas posições à frente do companheiro de escuderia.

Para o Mundial de 1998, tudo novo de novo: Gustav Brunner, após um período trabalhando na Ferrari (segundo dizem alguns, foi um “estágio”, na verdade), assinou o projeto do M198 e o motor voltaria a ser o Ford, agora na versão Zetec-R – a mesma usada pela Stewart no campeonato anterior. O carro seria guiado por uma dupla nova: o japonês Shinji Nakano, que vinha de um primeiro ano razoável pela Prost e o novato argentino Esteban Tuero, que faria 20 anos naquela temporada.

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Esteban Tuero, o jovem argentino que teve vida curta na Fórmula 1

Naquele ano, a Fórmula 1 passara também por uma reformulação, adotando pneus com sulcos e mais estreitos que os antecessores, diminuindo a área de contato com o solo e mudando a “guiada” dos pilotos. Mesmo inexperiente, Tuero mostrou qualidades logo no primeiro treino classificatório e colocou-se cinco posições à frente de Nakano em Melbourne. Mas, por pura ansiedade, queimou a largada, foi punido com um stop & go e depois teve que desistir por problemas mecânicos.

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Shinji Nakano era o companheiro de Tuero na Minardi

Sempre nas últimas posições do grid, os dois passaram a travar um interessante duelo para ver quem era mais rápido que o outro nos treinos e por repetidas vezes Tuero ‘cravou’ Nakano com vontade. Em Imola, o argentino conseguiu um mais do que razoável 8º lugar ao fim da corrida e Nakano reagiu com uma nona colocação em Mônaco, a sétima no Canadá e a oitava debaixo de um temporal em Silverstone.

O panorama da Minardi era o de sempre: faltava dinheiro, mas a equipe tinha um desempenho digno e nenhum de seus pilotos ficou de fora de qualquer Grande Prêmio, ao contrário do que frequentemente aconteceu com Ricardo Rosset a bordo da Tyrrell. A temporada foi seguindo até que na Bélgica os dois pilotos se envolveram na colisão monstro da primeira largada e, mesmo acidentados, os danos não foram tão grandes. Nakano e Tuero voltaram para a segunda largada, onde o argentino desistiu com problemas elétricos.

O japonês seguiu adiante e levou uma tremenda porrada da Benetton de Giancarlo Fisichella, destruindo completamente o aerofólio traseiro de sua M198. Não se sabe como, mas a equipe conseguiu pôr de volta Nakano à pista e ele terminou na oitava colocação.

Daí até o fim do ano, nada de mais relevante ocorreu. Tuero chegou em 11º no GP da Itália, Nakano foi 15º em Nürburgring e no fim do ano, o argentino também se envolveria numa colisão com Tora Takagi, quando tentava ganhar a posição do piloto da Tyrrell. E ainda ouviu cobras e lagartos do piloto japonês…

Amanhã, o blog volta a contar mais peripécias da Minardi no 9º capítulo da história do time na Fórmula 1.

8 comentários

  1. Michael Turella disse:

    Me lembro que em 1997 o Tarso Marques levou um baile em qualificação do japones.

  2. Se não me engano este acidente do Tuero com o Takagi em Suzuka indiretamente ajudou a definir o campeonato, pois o Schumacher abandonou pouco depois, com um pneu furado, Possivelmente ele pegou destroços deste acidente

  3. Gustavo Oliveira disse:

    Demais o “fuck you” do Takagi pro Tuero com o carro em movimento ainda!

  4. Maurício Stork disse:

    “Para o Mundial de 1998, tudo novo de novo: Gustav Brunner, após um período trabalhando na Minardi”

    Rodrigo na verdade o Gustav Brunner veio de um período da Ferrari……. na época na Minardi todos brincavam dizendo que ele tinha feito um estágio lá.

    Abs

    • rmb37 disse:

      Pô… efeito do sono. Escrevi esse post cedo, de manhã e por isso errei. A intenção era exatamente dizer que o Brunner estava na Ferrari. Abrs!

  5. Renato de M. Machado disse:

    A vida do Minardi não era fácil não,correr atrás de construir o carro,lidar com engenheiros,e suas idéias que tinham que ser freadas ,por falta de verba,escolha do motor menos pior possível que coubesse no orçamento, a parte dos mecânicos,peças sobressalentes,fornecedor de pneus,testes,os pilotos cada um mais joven,inexperientes,sensíveis aos fatores de nacionalidade,patrocínio,temperamentos e egos fortes ,e ainda tem como um de seus acionistas,o Briatore é mole,quem tem uma turma assim não precisa de inimigos.

  6. alexandre disse:

    Tuero não foi o primeiro argentino desde Reutemann. Antes dele correram Oscar Larrauri e Norberto Fontana (que atrapalhou bastante Villeneuve em 97).

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