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30 de setembro de 2013 - 16:4930 anos do bi, Fórmula 1

30 anos do bi, parte VIII – GP do Canadá de 1983

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RIO DE JANEIRO - A oitava etapa do Mundial de 1983 aconteceu uma semana após o GP dos EUA, no Canadá. Rebatizado de Gilles Villeneuve, o ídolo máximo morto um ano antes, o circuito de Montreal costumava ser exigente para pilotos e carros – especialmente no que tangia a freios e câmbio.

Neste evento, a RAM regressou com seu March 01 pilotado por Jacques Villeneuve, irmão de Gilles, ao volante. Em 1981, ele tentara de forma infrutífera se classificar para a corrida com um Arrows, substituindo Siegfried Stohr. No mais, nenhuma equipe apresentava mudanças de grande monta em seus carros.

Treinos

Os carros com motor turbo continuaram como de hábito dominantes e de novo a Ferrari capitalizou para si o melhor desempenho do modelo 126C2B no traçado. René Arnoux registrou a pole position com 1’28″729 contra 1’28″830 da Renault de Alain Prost. Nelson Piquet foi bem na classificação e registrou a 3ª marca no grid, com Patrick Tambay em quarto, Riccardo Patrese em quinto e Eddie Cheever em sexto. Ou seja: Ferrari, Renault e Brabham nas três primeiras filas.

Havia ainda a ATS de Manfred Winkelhock e a Alfa Romeo de Andrea de Cesaris antes da Williams de Keke Rosberg, de novo excepcional e com o melhor carro de motor Ford Cosworth V8. Raul Boesel, sempre às voltas com um equipamento nada competitivo, classificou-se em 24º – oito posições atrás de Jean-Pierre Jarier, que tinha motor e pneus melhores que o brasileiro. Pier Carlo Ghinzani e Jacques Villeneuve foram os não-classificados.

Corrida

Arnoux tirou partido da pole position, largou bem e se manteve em primeiro. Quem fez uma largada excepcional foi Riccardo Patrese, pulando de quinto para segundo, trazendo Prost, Piquet, Tambay e Cheever a seguir. Na 5ª volta, Piquet inverteu posições com Prost e foi para a terceira posição.

A boa corrida do brasileiro da Brabham chegou rapidamente ao fim. Na décima-sexta volta, Piquet enfrentou problemas com o cabo do acelerador e teve que se recolher aos boxes, abandonando a corrida. Nesta altura, Tambay já passara Prost e com a quebra de Nelson assumiu a 3ª posição. Cheever aproveitou a visível queda de rendimento do líder do campeonato e foi para quarto.

Na 29ª volta, Cheever trocou de posição com Tambay e em boa corrida, passou para terceiro. Arnoux fez seu pit na 35ª passagem e voltou à pista em quarto, quando Patrese assumiu momentaneamente a dianteira. Cheever parou na 37ª, Tambay e Patrese uma volta depois. E com os reabastecimentos de todos, Arnoux seguiu na liderança, seguido por Patrese, Cheever, Tambay, Prost e Rosberg. Nesta altura, Raul Boesel já abandonara em razão de um rolamento de roda danificado.

Patrese, com o 2º lugar, fez o possível para se aproximar de René Arnoux, mas na volta 49 sua Brabham começou a perder uma marcha atrás da outra. Algumas voltas depois, o italiano desistiu em razão da quebra de câmbio. Ainda houve tempo para Keke Rosberg, perto do fim, ultrapassar Alain Prost e ganhar o quarto lugar do francês, que mesmo com os dois pontos somados no Canadá, continuou na liderança do campeonato.

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Arnoux venceu enfim e deu à Ferrari sua segunda vitória na temporada, com Eddie Cheever e Patrick Tambay completando o pódio. No campeonato, Prost somava 30 pontos contra 27 de Piquet e de Tambay, mostrando o quão estava e seria acirrada a luta pelo título. E muitos outros rounds viriam até o encerramento, na África do Sul.

O resultado final do GP do Canadá de 1983:

1. René Arnoux (Ferrari 126C2B Turbo) – 70 voltas em 1h48min31s838, média de 170,661 km/h
2. Eddie Cheever (Renault RE40 Turbo) – a 42s029
3. Patrick Tambay (Ferrari 126C2B Turbo) – a 52s610
4. Keke Rosberg (Williams FW08C Cosworth) – a 1min17s048
5. Alain Prost (Renault RE40 Turbo) – a 1 volta
6. John Watson (McLaren MP4/1C Cosworth) – a 1 volta
7. Thierry Boutsen (Arrows A6 Cosworth) – a 1 volta
8. Danny Sullivan (Tyrrell 011 Cosworth) – a 2 voltas (*)
9. Manfred Winkelhock (ATS D6 BMW Turbo) – a 3 voltas (**)
10. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T Turbo) – a 3 voltas
11. Riccardo Patrese (Brabham BT52 BMW Turbo) – AB/56 voltas/caixa de câmbio
12. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/47 voltas/turbo
13. Bruno Giacomelli (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/43 voltas/motor
14. Nigel Mansell (Lotus 92 Cosworth) – AB/43 voltas/quebra de roda
15. Andrea de Cesaris (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/42 voltas/motor
16. Jacques Laffite (Williams FW08C Cosworth) – AB/37 voltas/caixa de câmbio
17. Raul Boesel (Ligier JS21 Cosworth) – AB/32 voltas/rolamento de roda
18. Roberto Guerrero (Theodore N183 Cosworth) – AB/27 voltas/motor
19. Corrado Fabi (Osella FA1D Cosworth) – AB/26 voltas/motor
20. Johnny Cecotto (Theodore N183 Cosworth) – AB/17 voltas/transmissão
21. Nelson Piquet (Brabham BT52 BMW Turbo) – AB/15 voltas/acelerador
22. Niki Lauda (McLaren MP4/1C Cosworth) – AB/11 voltas/rodada
23. Elio de Angelis (Lotus 93T Renault Turbo) – AB/1 volta/acelerador
24. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – AB/não completou a 1ª volta/caixa de câmbio
25. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – AB/não completou a 1ª volta/transmissão
26. Michele Alboreto (Tyrrell 011 Cosworth) – NL/não largou

(*) foi desclassificado porque seu carro tinha 4 kg a menos que o peso mínimo permitido
(**) abandonou com problemas de alimentação de combustível, mas foi classificado

Classificação do Mundial de Pilotos: 1. Alain Prost – 30 pontos; 2. Nelson Piquet e Patrick Tambay – 27; 4. Keke Rosberg – 25; 5. René Arnoux – 17; 6. John Watson – 16; 7. Eddie Cheever – 14; 8. Niki Lauda e Jacques Laffite – 10; 10. Michele Alboreto – 9; 11. Marc Surer – 4; 11. Danny Sullivan – 2; 12. Nigel Mansell, Mauro Baldi e Johnny Cecotto – 1 ponto.

Mundial de Construtores: 1. Ferrari e Renault – 44 pontos; 3. Williams – 35; 4. Brabham – 27; 5. McLaren – 26; 6. Tyrrell – 11; 7. Arrows – 4; 8. Lotus, Alfa Romeo e Theodore – 1 ponto.

4 comentários

  1. Mário Salustiano disse:

    Rodrigo sensacional essa série sobre o bi de Piquet, parabens!!!!

  2. Wallace Michel disse:

    Chegava o momento de crescimento do Arnoux, o Massa de outrora.

  3. Vinicius disse:

    e depois da corrida,teve o episódio da carona do Rosberg ao Giacomelli que acabou mal pro italiano,que se machucou todo,mas felizmente sem maiores consequências.

    e logo que viu o Giacomelli todo enfaixado,Herbie Blash se dirigiu a Nelson Piquet e lhe disse o seguinte:

    “nunca aceite uma carona do Rosberg,mas se vc vir o Prost parado na beira da pista,pegue-o e faça a mesma coisa´´

  4. Rodrigo da Silva disse:

    Vinicius, como foi este acidente do Giacomelli? ele caiu do carro do Rosberg? Ou o rosberg bateu o carro com o italiano em cima?

    Rodrigo.

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