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7 de outubro de 2013 - 15:3130 anos do bi, Fórmula 1

30 anos do bi, parte XI – GP da Áustria de 1983

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RIO DE JANEIRO -  A reta final do Campeonato Mundial de Fórmula 1 em 1983 começou com o GP da Áustria, disputado noutro velocíssimo circuito da temporada: Zeltweg. Com 5,942 km, subidas, retas e curvas velozes, não era esperada outra coisa que não um passeio das principais equipes com carros de motor turbo contra os times coadjuvantes dotados de mecânica Cosworth.

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Para a corrida a ser disputada no dia 14 de agosto, algumas novidades: a estréia do Tyrrell 012 com uma inédita e bizarra asa traseira “bumerangue”, apenas para Michele Alboreto –  e que foi visto somente nos treinos; a inscrição do piloto local Jo Gartner com um segundo carro da ATS (que não se concretizou), assim como a participação de um segundo RAM March com Jean-Louis Schlesser não aconteceu. Deste modo, 29 pilotos participaram dos treinos oficiais.

Treinos

A Ferrari continuava imbatível nos treinos cronometrados, chegando em Zeltweg à uma marca histórica: Patrick Tambay, com 238,021 km/h de média e o tempo de 1’29″871, fez a 100ª pole position da história da escuderia de Maranello, tendo a companhia de René Arnoux na primeira fila.

Nigel Mansell foi a grande sensação dos treinos oficiais, ofertando a ele mesmo o melhor grid da carreira até então, com o 3º melhor tempo, superando Nelson Piquet e o líder do campeonato Alain Prost.

Os treze primeiros entre os 26 carros eram todos com motor turbo: Niki Lauda quebrava a seqüência, correndo em casa, classificando o McLaren MP4/1C Cosworth em décimo-quarto. Já Raul Boesel não conseguiu pela primeira vez no ano a classificação para o grid, fazendo companhia a Johnny Cecotto e Kenny Acheson no grupo dos eliminados.

Corrida

Um acidente logo após a largada tirou três pilotos de combate: Elio de Angelis, Marc Surer e Danny Sullivan. Os 23 carros restantes seguiram para uma feroz batalha a mais de 200 km/h, onde Tambay manteve a ponta seguido por Arnoux. Mansell largou mal e caiu pra quinto na primeira volta, ultrapassado por Piquet e Prost. Na segunda volta, o inglês da Lotus foi superado também por Riccardo Patrese.

As posições cimeiras se mantiveram inalteradas até a 20ª volta, quando Eddie Cheever enfim ganhou a sexta posição de Mansell, que se debatia com problemas de desempenho dos pneus Pirelli. Tambay, que liderava, reabasteceu na volta 22 e retornou em terceiro, atrás de Arnoux e Nelson Piquet. Prost também parou, trocando posição com Patrese.

Com uma autonomia melhor de combustível, a Brabham de Piquet alcançou o primeiro lugar na 28ª volta, com a parada de René Arnoux. Nesta altura, Prost era apenas o quinto, atrás até da Alfa Romeo de Andrea de Cesaris, em ótima atuação. A Brabham de Patrese quebrou e Cheever entrou de novo na zona de pontos, com Mansell em sétimo.

Porém, as reviravoltas começaram a acontecer: o motor da Ferrari de Tambay apresentou queda na pressão de óleo e ele foi obrigado a desistir. Pior foi a Alfa Romeo, que em razão de um erro de cálculo deixou Andrea de Cesaris sem gasolina… Isto deixou Prost na terceira posição.

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Piquet parou para abastecer e sua parada durou exatos 10″20 segundos. O brasileiro ainda voltou à frente, mas com René Arnoux muito próximo dele. Mas o motor BMW começou a enfrentar uma súbita queda de rendimento. E na 38ª volta, o francês da Ferrari alcançou a liderança. Nelson não durou muito em segundo: com o carro rendendo cada vez menos, foi ultrapassado por Prost, que saiu à caça de Arnoux.

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Resultado: na 48ª volta, o baixinho da Renault assumiu a liderança ao superar o baixinho da Ferrari. E com quase sete segundos de vantagem, Prost venceu mais uma na temporada de 1983. Piquet foi terceiro e quase acabou em quarto: foi ao pódio porque chegou com meio carro de vantagem para a Renault de Eddie Cheever.

Frustrado, Piquet viu a diferença se estender para 14 pontos. E pior: Arnoux assumiu a terceira posição do campeonato, três pontos adiante de Patrick Tambay. Mansell foi o quinto e Niki Lauda fechou os seis que pontuaram.

A tristeza por um mau resultado e pela diferença ampliada foram trocados por um surpreendente otimismo de Nelson Piquet. Numa declaração que fez muito francês rolar de rir, ele disse: “Vou ser campeão mundial de novo.”

O resultado final do GP da Áustria de 1983:

1. Alain Prost (Renault RE40 Turbo) – 53 voltas em 1h24min32s745, média de 223,495 km/h
2. René Arnoux (Ferrari 126 C3 Turbo) – a 6s835
3. Nelson Piquet (Brabham BT52B BMW Turbo) – a 27s659
4. Eddie Cheever (Renault RE40 Turbo) – a 28s395
5. Nigel Mansell (Lotus 94T Renault Turbo) – a 1 volta
6. Niki Lauda (McLaren MP4/1C Cosworth) – a 2 voltas
7. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – a 2 voltas
8. Keke Rosberg (Williams FW08C Cosworth) – a 2 voltas
9. Corrado Fabi (Osella FA1E Alfa Romeo) – a 3 voltas
10. Pier Carlo Ghinzani (Osella FA1E Alfa Romeo) – a 4 voltas
11. Stefan Johansson (Spirit 201C Honda Turbo) – a 5 voltas
12. Thierry Boutsen (Arrows A6 Cosworth) – a 5 voltas
13. Manfred Winkelhock (ATS D6 BMW Turbo) – AB/33 voltas/superaquecimento
14. Andrea de Cesaris (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/31 voltas/pane seca
15. Patrick Tambay (Ferrari 126 C3 Turbo) – AB/30 voltas/queda de pressão de óleo
17. Riccardo Patrese (Brabham BT52B BMW Turbo) – AB/29 voltas/superaquecimento
18. Roberto Guerrero (Theodore N183 Cosworth) – AB/25 voltas/caixa de câmbio
19. Jacques Laffite (Williams FW08C Cosworth) – AB/21 voltas/quebra de roda
20. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/13 voltas/motor
21. Michele Alboreto (Tyrrell 012 Cosworth) – AB/8 voltas/acidente
22. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/2 voltas/turbo
23. Bruno Giacomelli (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/1 volta/acidente
24. Danny Sullivan (Tyrrell 011 Cosworth) – AB/não completou a 1ª volta/acidente
25. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – AB/não completou a 1ª volta/acidente
26. Elio de Angelis (Lotus 94T Renault Turbo) – AB/não completou a 1ª volta/acidente

Classificação do Mundial de Pilotos: 1. Alain Prost – 51 pontos; 2. Nelson Piquet – 37; 3. René Arnoux – 34; 4. Patrick Tambay – 31; 5. Keke Rosberg – 25; 6. John Watson – 18; 7. Eddie Cheever – 17; 8. Niki Lauda – 12; 9. Jacques Laffite – 11; 10. Michele Alboreto – 9; 11. Nigel Mansell e Andrea de Cesaris – 6; 13. Riccardo Patrese e Marc Surer – 4; 15. Danny Sullivan – 2; 16. Mauro Baldi e Johnny Cecotto – 1 ponto.

Mundial de Cosntrutores: 1. Renault – 68 pontos; 2. Ferrari – 65; 3. Brabham – 41; 4. Williams – 36; 5. McLaren – 30; 6. Tyrrell – 11; 7. Alfa Romeo – 7; 8. Lotus – 6; 9. Arrows – 4; 10. Theodore – 1 ponto.

6 comentários

  1. José Mauricio disse:

    Desculpe,se estou enganado…..Mas,se minha memória não me trai,o desenrrolar desta corrida,foi um pouco diferente do descrito….
    Pelo que me lembro,Piquet,qdo fez seu pit-stop,era líder,e voltou a pista,ainda na liderança….Mas,perdeu rendimento na última metade da corrida,perdendo as duas primeiras posições da corrida.E quase perde tb o terceiro lugar,pois quase foi superado pelo Cheever no final,ganhando deste por apenas meio carro.
    Tenha essa lembrança na cabeça…..Mas,como já fazem 30 anos,eu posso estar enganado…

  2. GUSTAVO RANGEL disse:

    Pra vc não dizer que só te critico, gostaria de falar que tá muito legal esse passo a passo do bi do Piquet. Bem legal relembrar essas corridas. Parabéns pela inicaitive e pela execução.

  3. Marcos José disse:

    Parece que Renault (Prost) e a Ferrari (Arnoux e Tambay) achavam que brigariam pelo campeonato esquecendo Piquet (Brabham) e fariam de tudo para eliminá-lo da briga.Só não contavam com a reação do Piquet nas últimas 4 provas do final; mesmo com o abandono do Piquet numa delas. Prost queria resolver logo o campeonato a seu favor. Será que Piquet teria força para reverter a disputa e ganhar o campeonato? A história nos mostrou que sim.

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