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22 de setembro de 2014 - 13:4040 anos do bi, Fórmula 1

40 anos do bi, parte VII – GP da Suécia de 1974

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Capa do programa oficial do GP da Suécia, com o McLaren de Hulme, vencedor de 1973, em destaque

RIO DE JANEIRO - Embalados pela vitória de Ronnie Peterson no GP de Mônaco, os torcedores suecos prometiam mais uma vez lotar o circuito de Anderstorp para acompanhar a 7ª etapa do Mundial de Fórmula 1 de 1974, a ser realizada no dia 9 de junho daquele ano. Seria a segunda vez que os nórdicos veriam uma prova da categoria e eles esperavam que seu ídolo pudesse devolver em dobro o que perdera em 73, quando após liderar grande parte da prova, acabou perdendo o primeiro lugar para o neozelandês Denny Hulme, da McLaren.

A temporada ainda não chegava ao fim de sua primeira metade e Emerson Fittipaldi estava incomodado com o desempenho de sua M23 nos circuitos em que a velocidade de ponta não contava tanto. Anderstorp era seguramente um deles. Mesmo com uma reta relativamente longa, aproveitando uma pista de pouso para aviões de porte menor, o carro do líder do campeonato não teria rendimento satisfatório. Com curvas apertadas e lentas, a pista sueca era exigente para freios e câmbio.

A lista de inscritos para o GP da Suécia tinha, além de Peterson, outros dois pilotos da casa. Reine Wisell entrou no lugar de Hans-Joachim Stuck no March 741 #9 e Bertil Roos foi escalado como substituto de Brian Redman, que deixou a Shadow após três corridas, por conta de outros compromissos já assumidos pro restante do ano. Aliás, os nórdicos compareceram em peso: Leo Kinnunen apareceu com seu Surtees TS16 e Tom Belso foi inscrito no segundo Iso-Marlboro, ausente em Monte-Carlo. Por sinal, o titular Arturo Merzario teve que ser substituído às pressas por Richard Robarts ao volante do #20.

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Surpreendente: Patrick Depailler conquistou a primeira pole position dele e a primeira de outro piloto da Tyrrell, que não fosse Jackie Stewart

Nos treinos, a Tyrrell foi avassaladora como nos velhos tempos: Patrick Depailler fez a pole position com o tempo de 1’24″758 e Jody Scheckter registrou a segunda marca, a 0″318 do companheiro de escuderia. Foi tão fácil que, com meia hora do segundo treino por terminar, os dois saíram de seus carros, encostaram na mureta dos boxes e ficaram totalmente alheios ao que acontecia na pista, enquanto os outros se “matavam” no afã de tentar melhorar suas marcas.

O único que chegou um pouco mais próximo foi Niki Lauda, 3º colocado a 0″403 de Depailler, com Clay Regazzoni em quarto e Ronnie Peterson em quinto. Emerson Fittipaldi cravou apenas o nono tempo, a 1″180 da pole. Pior estava José Carlos Pace: absolutamente irritado com o descaso de John Surtees, que se ausentara do GP da Suécia para acompanhar uma prova de F-2, o piloto do carro #18 já manifestava abertamente sua decisão de deixar o Team Surtees. Nos treinos, os carros do time foram um fiasco: Mass classificou-se em 22º e Moco em 24º, a meio segundo do companheiro de equipe. Sua paciência estava chegando ao fim.

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Scheckter dominou a corrida desde o início; na primeira curva o sul-africano já liderava, com Peterson vindo de quinto para segundo

Sob o sol e o olhar atento de milhares de torcedores, 26 pilotos largaram em Anderstorp para o GP da Suécia. Scheckter arrancou melhor que Depailler e pegou a ponta, com o francês caindo para segundo diante da arrancada extraordinária de Ronnie Peterson. Cantando pneus na largada, o sueco logo ganhou três posições. Sua corrida, porém, duraria pouco: a transmissão da Lotus 72E quebrou na nona volta, deixando o ídolo local a pé.

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O GP da Suécia foi o último de José Carlos Pace defendendo o Team Surtees

Prudente desde a largada, Emerson Fittipaldi vinha em 10º e com a quebra de Ronnie ascendeu ao nono posto. E por falar em quebra, Pace ocupava a 20ª – e última – posição, quando seu carro saiu da pista sem qualquer aviso prévio, deixando o brasileiro puto de vez com John Surtees, a ponto de começarem as negociações de Moco com outras escuderias a partir daquela data.

Com a dobradinha das Tyrrell azuis pouco ameaçada e Lauda em 3º, as coisas começaram a dar um pouco mais certo para Fittipaldi quando Clay Regazzoni, que vinha na quarta colocação, deixou a disputa na vigésima-quarta volta, com a quebra da caixa de câmbio de sua Ferrari. Se o carro #5 não estava bom em Anderstorp, era importante somar pontos para o campeonato – e Emerson sabia muito bem disso.

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Sem um carro competitivo, Emerson correu para somar pontos importantes na briga pelo título, enquanto seus adversários ficavam pelo caminho

Por isso, o brasileiro avançaria para a zona de pontuação, com as quebras de Ickx e Regazzoni e uma rodada da Shadow de Jean-Pierre Jarier. O argentino Carlos Reutemann, que vinha em quinto, parou também com problemas mecânicos antes da 30ª volta, deixando Emerson em quinto. Mas ainda faltava muita corrida pela frente…

O pódio parecia desenhado com a dobradinha da Tyrrell e Lauda em terceiro. Mas também a Ferrari do austríaco ficou pelo caminho: ele perdeu rendimento e foi superado por James Hunt até desistir na 71ª volta, também por problemas de caixa de marchas. Inteligente, conservador e calculista, poupando claramente seu equipamento, Fittipaldi era o quarto e ganharia pontos importantes para abrir vantagem na classificação.

Mas ainda havia Vittorio Brambilla, incomodando – e muito – o piloto da McLaren. Com sua March alaranjada, o “Gorila de Monza” superara Denny Hulme na 56ª volta e vinha furioso atrás de Emerson, disposto a roubar-lhe mais um pontinho e conseguir um excepcional 4º posto. Mas o italiano exagerou no entusiasmo: pisou demais e acabou a gasolina. Num esforço comovente, Brambilla cruzou a linha de chegada em décimo, empurrando seu carro.

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A festa de Jody Scheckter: foi a primeira vitória do sul-africano de 24 anos na Fórmula 1

Scheckter venceu de ponta a ponta e ainda deu uma colher de chá para Depailler chegar junto a ele na foto histórica de mais uma dobradinha da equipe de Tio Ken, com apenas 0″380 de vantagem. Foi a primeira vitória do sul-africano na F-1, enquanto o GP da Suécia marcava também o primeiro pódio de James Hunt e do Team Hesketh.

Para Emerson, foram três pontos suados e fundamentais. Abrindo cinco pontos de vantagem para Regazzoni e seis para Lauda e Scheckter, o brasileiro poderia ainda continuar líder do Mundial de Pilotos na etapa seguinte, em Zandvoort, na Holanda.

O resultado final:

1º Jody Scheckter (Tyrrell), 80 voltas em 1h58min31seg391, média de 162,723 km/h
2º Patrick Depailler (Tyrrell), a 0seg380
3º James Hunt (Hesketh), a 3seg325
4º Emerson Fittipaldi (McLaren), a 53seg507
5º Jean-Pierre Jarier (Shadow), a 1min16seg403
6º Graham Hill (Embassy-Lola), a uma volta
7º Guy Edwards (Embassy-Lola), a uma volta
8º Tom Belso (Iso-Marlboro), a uma volta
9º Rikki Von Opel (Brabham), a uma volta
10º Vittorio Brambilla (March), a uma volta
11º John Watson (Brabham), a três voltas

Não completaram:

12º Niki Lauda (Ferrari), 70 voltas (caixa de câmbio)
13º Reine Wisell (March), 59 voltas (suspensão)
14º Denny Hulme (McLaren), 56 voltas (suspensão)
15º Jochen Mass (Surtees), 53 voltas (suspensão)
16º Carlos Reutemann (Brabham), 29 voltas (vazamento de óleo)
17º Jacky Ickx (Lotus), 27 voltas (pressão do óleo)
18º Clay Regazzoni (Ferrari), 23 voltas (caixa de câmbio)
19º José Carlos Pace (Surtees), 15 voltas (quebra do tensor da roda)
20º Leo Kinnunen (Surtees), 8 voltas (pane elétrica)
21º Ronnie Peterson (Lotus), 8 voltas (transmissão)
22º Mike Hailwood (McLaren), 5 voltas (vazamento de combustível)
23º Jean-Pierre Beltoise (BRM), 2 voltas (motor)
24º Bertil Roos (Shadow), 2 voltas (caixa de câmbio)
25º Henri Pescarolo (BRM), não completou a primeira volta (princípio de incêndio)

Desclassificado:

Vern Schuppan (Ensign), terminou em 12º, mas o grid estava restrito a somente 25 carros.

Melhor volta:

Patrick Depailler, na 72ª – 1’27″262, média de 165,763 km/h

1 comentário

  1. Juan Castro disse:

    A essa altura, já era aparente que o campeonato seria Emerson, Lauda, Rega, Scheckter e o “resto”. Mas era um belíssimo resto.

    Emerson: 27
    Regazzoni: 22
    Lauda: 21
    Scheckter: 21
    Hulme: 11
    Beltoise, Peterson, Depailler: 10
    Hailwood, Reutemann: 9
    Jarier: 6
    Stuck: 5
    Ickx, Hunt: 4
    Pace: 3
    Merzario, Watson, Hill: 1

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