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23 de novembro de 2014 - 12:33Fórmula 1

Um campeão inquestionável

Lewis Hamilton wins the Abu Dhabi Formula One Grand Prix

A bandeirada do bicampeonato (Foto: Getty Images)

RIO DE JANEIRO - Venceu o melhor. E o melhor foi campeão, ou por outra, bicampeão. Lewis Hamilton, com a vitória no GP de Abu Dhabi, conquistou seu segundo título mundial de Fórmula 1, num ano mágico para a estrela de três pontas de Stuttgart e para o piloto – o segundo inglês após Graham Hill a conquistar dois títulos. Vale observar que Jackie Stewart, dono de três campeonatos e Jim Clark, que também venceu duas vezes, são escoceses. E nunca um piloto na história demorou tanto a ser bicampeão: passaram-se seis anos desde a primeira conquista de Lewis, em 2008, quando ainda era piloto da McLaren.

No entanto, ninguém mais do que ele merecia a vitória e o título neste domingo. Hamilton foi o maior vencedor do ano: com o triunfo na corrida disputada no circuito de Yas Marina, chegou ao 11º em 19 corridas – seis, nas últimas sete provas, é bom lembrar, quando todos já davam como favas contadas o título em favor de Rosberg. E com isso, a Mercedes-Benz, que não era campeã desde o longínquo ano de 1955, bateu o recorde de vitórias da McLaren, que em 1988 vencera 15 corridas – a Ferrari também alcançou o mesmo número em 2002 e 2004, verdade seja dita. A decisão teve início na largada, quando o pole Rosberg dormiu no ponto e Hamilton arrancou para a ponta. Depois, mesmo com as pontuais lideranças de Felipe Massa, Lewis somente administrou. Tinha carro de sobra para vencer a corrida e assim o fez.

Lewis Hamilton

Em nenhum momento, Rosberg pôde impedir a vitória e o título do rival e companheiro de equipe

Rosberg, que teve problemas no ERS, o motor elétrico auxiliar do propulsor alemão V6 turbo, foi um vice-campeão muito digno. Mesmo após os problemas sérios que o fizeram perder potência e rendimento, ficou na pista até o fim. Acabou em 14º lugar, foi consolado pelo diretor técnico Paddy Lowe com algo do tipo “ano que vem você tenta de novo” e no parque fechado, reconheceu a conquista de Hamilton, com quem teve desentendimentos ao longo do ano. O abraço entre os dois protagonistas do campeonato selou temporariamente a paz no seio da equipe de Brackley. E Rosberg é, sim, um potencial candidato ao título no próximo ano. Por que não?

Tirante isso, foi uma corrida apenas mediana numa pista, ou melhor, Tilkódromo, sem alma e coração. Afora a Mercedes e o título de Hamilton, destaque para a dupla da Williams, que levou o time britânico ao primeiro pódio duplo desde Mônaco-2005, quando Nick Heidfeld foi 2º na ocasião e Mark Webber 3º colocado. Felipe Massa chegou ao melhor resultado dele no ano e Valtteri Bottas, com a terceira colocação, completou o ano num excelente quarto lugar. Mas é preciso que se esclareça algumas coisas.

Felipe tinha condições de ganhar? Talvez. Se a Williams não tivesse errado na estratégia, isso pudesse ter acontecido. Mas o danado do pneu supermacio não tem rendimento uniforme. Dura seis ou sete voltas de desempenho excelente e nas demais, cai a performance. E Lewis ADMINISTRAVA sua primeira posição e seu título diante dos problemas que Rosberg enfrentava e Hamilton sabia muito bem deles, já que certamente foi informado pelo rádio a respeito. E por isso, talvez soe incompreensível o discurso do narrador da emissora oficial, exaltando o 2º lugar de Massa – que, reconheço, foi muito bom. Mas não a ponto de ser tão extraordinário assim.

Aliás, vamos e venhamos: o referido narrador foi um monstro quando NARRAVA corridas nos anos 80/90. Com o tempo, ainda teve momentos brilhantes, mas ficou insuportável de acompanhar. Com essa necessidade de supervalorizar o que faz o Massa, aí complica. O telespectador não é idiota e quem acompanhou a temporada inteira viu quem chegou à frente na pontuação. É tudo uma questão de semântica: Bottas fez 186 pontos, cinco pódios e dois segundos lugares. Massa somou 134 pontos, chegou três vezes entre os três primeiros e seu melhor resultado foi hoje. Quem andou mais em 2014 com a Williams, afinal?

E o que dizer deste monstro chamado Daniel Ricciardo? Largou do box com sua Red Bull após a desclassificação no treino oficial e fez uma corrida monumental. Chegou em 4º e sacramentou o terceiro posto no campeonato, em que conquistou três vitórias e foi o único não-Mercedes a vencer, num ano em que os alemães inclusive cravaram todas as poles com seus motores, igualando o recorde da Cosworth em 1969. Merecidamente, um dos melhores pilotos do ano. Já Vettel terminou sua trajetória na equipe rubrotaurina com um apagado 8º lugar, mais apagado que vela em candeeiro. E vai para uma Ferrari de triste desempenho em Abu Dhabi, com Alonso em nono e Räikkönen em décimo. Será que Vettel sabe realmente onde está se enfiando?

De resto, um 5º lugar muito honroso para Jenson Button, naquela que pode ter sido a última corrida do campeão de 2009 na Fórmula 1 – mas isto, só saberemos mesmo em 1º de dezembro quando a McLaren anunciar seus dois pilotos titulares para 2015. E a Force India voltou enfim a ter desempenho decente, com o 6º posto de Hülkenberg e a sétima colocação de Sergio Perez – os dois, já renovados para a próxima temporada, fecharam o top 10 de um campeonato de domínio tecnológico alemão, mas de talento puramente inglês.

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Com a Union Jack na mão: a merecida comemoração num ano em que os pilotos da Comunidade Britânica conquistaram alguns dos principais títulos do automobilismo mundial

Aliás, o Commonwealth comemora: um inglês campeão na F-1, outro na GP2 (Jolyon Palmer) e mais um na GP3 (Alex Lynn). Ainda houve o australiano Will Power campeão na Fórmula Indy, Anthony Davidson (mais um britânico) campeão no FIA WEC e Earl Bamber, que é da Nova Zelândia, faturando a Porsche Supercup.

God Save The Queen!

24 comentários

  1. Rodrigo,

    O Ricciardo parou duas vezes, a última já nas voltas finais, para colocar os pneus supermacios.

  2. rodrigo Luiz Martins disse:

    Acho que pra você falar que o feito do Massa “que, reconheço, foi muito bom. Mas não a ponto de ser tão extraordinário assim.” Me desculpa mas vocês querem o que do cara ? A corrida dele foi MUITO melhor que do Lewis aonde que o máximo que ele fez foi “ADMINISTRAR” a corrida. PORRA e sem contar que eu acredito que eles nem usaram todo o potencial durante toda a temporada.
    E a sky sports falou que o felipe teve problemas na bateria no final da prova.

    • Rodrigo Mattar disse:

      Olha, extraordinário foi o Ricciardo, que largou dos boxes e chegou em 4º. O resto é conversa mole pra boi dormir.

      • rodrigo Luiz Martins disse:

        Mas não largaram dos boxes para usarem um set up diferente, menos asa e tudo mais ???
        E você fala como se o carro da Red bull fosse uma carroça. Se aquele carro tivesse um motor mercedes ia andar muito, mas já é um monstro com aquela porcaria da renault.
        Ainda se fosse sofrido fazer alguma ultrapassagem, o cara só tem que estar a 0,6 do carro da frente e aperta a porra do botão do DRS. Pensa que desafio ultrapassar uma catherham.

      • Rodrigo Mattar disse:

        E eu chamei o carro da Red Bull de carroça alguma vez? Não ponha palavras na minha boca.

      • Alex Couri disse:

        Só completando Rodrigo Mattar!.. a corrida do Ricciardo merece aplausos de pé, o Massa ficou na média pra caranga que tem, um Alonso da vida teria ganhado corrida com a williams esse ano!

    • Eduardo Schmidt disse:

      Também percebi certa implicância do Mattar com a corrida do Massa, juntamente com Ricciardo foram os melhores do GP.

      • Rodrigo Mattar disse:

        Eduardo, não foi com o Massa a implicância e sim com o narrador da transmissão. Eu acho que o Felipe fez uma corrida muito boa. Mas o Hamilton administrou, tinha sobras. Não sei o porque de tanto alarde do GB ao microfone.

      • Robertom disse:

        Por que o Loucutor é o Galvão, cada vez errando mais, tirânico com os infelizes comentaristas e repórteres, mais ufanista e totalmente insuportável….

  3. Herik disse:

    Concordo que o Lewis mereceu muito este título. E, ao que parece, finalmente conquistou a fortaleza mental que faltava a ele. Se as demais equipes não apresentarem carros que façam frente aos alemães, sinceramente, o campeonato do ano que vem promete ser um passeio de Hamilton.

    Já o Galvão… há muito desisti de acompanhar pela Globo, pois mais virou uma transmissão no estilo revista Caras, que ele jantou com fulano, conversou com ciclano, é amigo de beltrano… um saco! De uma falta de conteúdo esportivo e jornalísticos constrangedores. Constrangimento que percebo em Reginaldo Leme, um jornalista que julgo sério demais para ficar desperdiçado nessas transmissões.

    • Eduardo Schmidt disse:

      O Reginaldo no meu entender está tão gagá quanto o Galvão…chamar o tetracampeão mundial Vettel de mediano foi pra acabar…

      • Herik disse:

        Putz… Essa não ouvi. Só acompanhei pela Globo uns minutos antes da largada e vi o RL meio constrangido com as asneiras do GB. Mas sobre achar Vettel mediano ele está cada vez menos sozinho. O que tem de gente descascando o alemão em razão de um ano ruim não está no gibi. Eu o considero um fora-de-série.

  4. Fernando Lima disse:

    Como disse uma certa vez…é nítido o declínio técnico da transmissão oficial, pois na volta 46 (faltavam 9 para o final) o Massa estava a aproximadamente 9.7 segundos do Hamilton e mantinha uma média de 1 segundo mais rápido por volta. Sendo assim, qualquer ser humano concluiria que Massa iria sim se aproximar, mas jamais conseguiria ultrapassar…mas o locutor insistia em criar no espectador uma falsa esperança de vitória do brasileiro…
    Sobre Hamilton, venceu o melhor, venceu quem é mais piloto…e uma última observação sovre a F1 este ano, sobre Sebastian Vettel: Provou ser apenas um bom piloto…não é excepcional como Alonso, Hamilton e até mesmo, Riccardo. No mais, este ano até assisti a algumas corridas, mas foi uma temporada chata e previsível. Espero que a F1 reveja muita coisa para que volte a ser uma categoria interessante. Uma última coisa: Estou curioso sobre o futuro do Jason Button…pode pintar no WEC ano que vem.

    • Eduardo Schmidt disse:

      Alonso???? Vettel ao contrário deles desde que teve chances de ser campeão mundial foi…Alonso e Hamilton desperdiçaram o título de 2007, Alonso novamente desperdiçou em 2010 e 2012…Vettel, quando desperdiçou um título? Me diga…

      • Fernando Lima disse:

        Alonso foi postulante ao título de 2010 com um carro muito inferior ao Red Bull do Vettel. Hamilton era novato em 2007 e mesmo assim venceu uma queda de braço com o então bi-campeão Alonso, que saiu da equipe…Vettel, sem um carro imbatível (este ano…) não venceu nem o duelo interno com Riccardo. Fazer o máximo com um carro imbatível é o óbvio, e Vettel o fez no período 2010-2013, mas ele não tira leite de pedra…Riccardo venceu e se destacou num ano em que as Mercedes andaram “uma semana” na frente do restante, Alonso ja fez coisas incríveis com esta Ferrari que há muito não faz bons carros e Hamilton superou diversos problemas para tornar-se bi-campeão…Vettel fez o que este ano??? É bom piloto sim…excepcional não.

  5. Alvaro Ferreira disse:

    O título do post diz tudo, muito bom o “um campeão inquestionável”.
    Grande campeão e grande esportividade do Rosberg, um belo dia para o esporte.
    O Galvão realmente era ótimo quando se limitava a ser narrador. Ele mudou na época do Senna, quando passou a ser mais torcedor, e depois foi piorando à medida em que resolveu acumular a função de comentarista. Pena, esqueceu o significado do que é informar. E ficar alimentando ilusões para manter a atenção do público é lamentável.
    Quanto ao Massa, acho que ele fez a melhor corrida dele desde 2008. Eu mesmo não acreditava mais que ele conseguisse manter o foco, a concentração e a velocidade durante um GP inteiro. Mas hoje confesso que ele me surpreendeu. Acho que ele conseguiu tirar o máximo do carro. Prá ganhar não daria, o Hamilton e o boxe da Mercedes estavam administrando bem a vantagem.

  6. Guilherme Ando disse:

    Concordo com você Rodrigo…o “narrador oficial” está insuportável e não é de hoje. Foi visível a forma como tentava diminuir a participação do Reginaldo Leme a cada comentário. A melhor transmissão desta temporada foi o GP da Áustria com o Sergio Mauricio….esse sim narra demais…

  7. Marchi disse:

    Grande Hamilton. Venceu o melhor, sem dúvida.

    Foi triste. Triste assistir o Hamilton recebendo a bandeirada na narração de Galvão Bueno que aguardava ansioso pela chegada do brasileiro que, parecia que iria receber o título ao invés de um virtual segundo lugar (se Nico não tivesse problemas seria segundo). Fica claro que é pessoal o que narrador tem com o Hamilton. Magoas passadas por ser melhor que “seu menino”.

    Patético mais uma vez, Galvão. Como o Rodrigo disse, ninguém é burro.

  8. Alex Couri disse:

    Fato; A F-1 esse ano já foi meio chata, com a Narração do Malão ficou chata por completo, era melhor deixar só o som dos motores.. ops… que som??rs melhor no mudo mesmo…

  9. flavio padilha disse:

    Perfeito do inicio ao fim. Depois de uma enojada transmissão da Globo onde reginaldo leme torcia desesperadamente contra Hamilton(na corrida anterior o chamou de cínico) fui me desesperar no sportv com Sergio mauricio e Max Wilson torcendo pro Hamilton qebra. O Lito salvou a transmissão.

    Abs e desculpas pelo passado

    • luiz alberto disse:

      É meu caro , transmissão feita por narrador de futebol você espera oque?
      E eu concordo plenamente com o ROBERTOM , esse Pachequismo misturado com ufanismo acho que é destina unica e exclusivamente a aqueles “assistidores de corrida” que não entendem nada de automobilismo. Quem entende de automobilismo sabe que pilotos como Hamilton, Alonso, Rosberg e algum outro (salvo sê arrastando na pista) Massa jamais passa, quiça ameaça ! Será que a platinada não faz pesquisa de mercado ?(alguns dos seus produtos não estão agradando mais e a um bom tempo,ou talvez os mantenha pois as concorrentes da TV aberta ainda conseguem serem muito piores).

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