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24 de fevereiro de 2015 - 14:45Fórmula 1, Memorabilia

Le Professeur, 60

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As marcas do tempo estão visíveis no rosto de um homem que completa 60 anos

RIO DE JANEIRO - Ele foi o piloto que os brasileiros – principalmente os fãs de Ayrton Senna – amaram odiar. Alain Prost, o Professor, completa hoje seis décadas de vida. Tive, como fã de automobilismo, a oportunidade de acompanhar toda a trajetória dele na Fórmula 1 entre 1980 e 1993.

Ocioso dizer que, na visão maniqueísta de quem detestava o francês, ele era o bandido, o escroto-mor da categoria máxima do automobilismo. Talvez fosse, porque nos bastidores Prost sabia manipular as situações a seu favor. E tinha o beneplácito da FIA e de Jean-Marie Balestre, seu compatriota, amigo e aliado. Mas há que se fazer justiça a ele: foi um dos grandes pilotos de seu tempo.

O que ele fez a partir de 1981 correndo por Renault, McLaren, Ferrari e Williams só reforça a tese de que vimos durante mais de 10 anos um dos melhores da história, um dos maiores de todos os tempos. Como qualquer ser humano, Prost tinha defeitos. E na pilotagem, tinha um que saltava aos olhos: um absurdo cagaço ao correr sob chuva. Debaixo d’água ele não existia. Basta lembrar que no GP da Inglaterra de 1988, brilhantemente vencido por Ayrton Senna, Prost levou uma volta do companheiro de equipe. Sem contar Donington, em 1993. Naquele dia, enquanto o brasileiro dava uma aula, o francês parecia um novato assustado em meio ao caos.

Mas em se tratando de corrida em condições normais, o baixinho nascido na região do Loire era assombroso. Além de veloz e inteligente, faceta que mostrou ao vencer o Mundial de 1986 quando Nelson Piquet e Nigel Mansell tinham carros melhores que ele, era um relógio, de regularidade absurda. Quem acompanhava atentamente as transmissões da Globo nos bons tempos em que Prost não era perseguido pelos brasileiros, sabe que até Galvão Bueno fazia questão de ressaltar essa característica. Não à toa, o homem venceu 51 corridas em 199 que disputou (média de uma a cada quatro) e bateu o recorde de Jackie Stewart, que perdurava desde 1973.

Le Professeur, você amando ou detestando, caro leitor, merece todo o nosso respeito. E até hoje é visto nos autódromos, rosto marcado pelo tempo e por algumas (diria que muitas, até) amarguras da vida, acompanhando o filho Nicolas nas provas da Fórmula E que o Fox Sports transmite, bem como no Mundial de Endurance.

3 comentários

  1. Luciano Barcelos disse:

    O Prost sofreu e se aborreceu muito na Renault! Fora as aporrinhações com o René Arnoux que se achava o primeiro piloto da equipe! Enfim… O depois na McLaren já sabemos de cór e salteado! Vida sofrida na F1!

  2. Leandro Oliveira disse:

    Realmente, excelente piloto, saudades daquela formula 1. Parabéns pelo blog, sou fã do seu trabalho.

  3. Fernando Lima disse:

    Talvez o mais “cerebral” que vimos, um gênio que foi talvez propositalmente apresentado como vilão para nós, por ser o grande rival do Senna nas oustas.

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