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18 de maio de 2015 - 14:12Fórmula Indy, Opinião

Sinal de alerta

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O acidente de Ed Carpenter a poucas horas da definição do grid da Indy 500 deflagrou mudanças de última hora para a corrida do próximo domingo (Foto: AP/USA Today)

RIO DE JANEIRO - Luz vermelha na Fórmula Indy: os acidentes ocorridos nos treinos das 500 Milhas de Indianápolis deixam no ar a sensação de que algo errado acontece com os novos kits aerodinâmicos introduzidos para circuitos ovais na categoria estadunidense. Os voos de Hélio Castroneves e Josef Newgarden já deveriam ter servido para a tomada de providências, mas bastou primeiro os carros atingirem a estonteante velocidade de 233 mph, o que nunca aconteceu neste século e depois outro grave acidente, com o pole position do ano passado Ed Carpenter, para a diretoria da categoria tomar medidas visando a segurança dos pilotos, equipes e público.

Em primeiro lugar, a própria categoria acabou com a mística das 500 Milhas. Os preparativos, que varavam o mês de maio inteiro, foram reduzidos a apenas uma semana de sessões livres de treinos. Ok… entendo que a categoria queira reduzir custos, mas de que forma ela vai fidelizar novas equipes e pilotos se não há mais chance para os nanicos lutarem contra organizações da potência de uma Penske e de uma Ganassi?

Depois, se os antigos Dallara com aparência de tanque de guerra já eram perigosos e provocavam acidentes, que dirá os estranhos DW12 – que com os novos kits de aerodinâmica, ficaram ainda piores. Não à toa, Ed Carpenter estava puto dentro do macacão. Em entrevista após ser liberado do centro médico localizado no infield do circuito, ele disse que os carros são “imprevisíveis”. Helinho e Newgarden que o digam… Aliás, todos os três pilotos que bateram, voaram e capotaram têm o kit aerodinâmico da Chevrolet, que é distinto do Honda.

No meio desse tiroteio, em que cada fornecedor de motor defendeu seu lado, ficou o CEO Mark Miles e aí decidiu-se pela redução do boost do turbo dos carros, pelo cancelamento do Fast Nine que ofereceria pontos extras ao campeonato e foi assim que, com 40 HP a menos e a mesma aerodinâmica que será usada na corrida do próximo domingo, os carros foram para a pista para a classificação, decidida numa única tarde por conta da chuva do sábado. Scott Dixon, da Ganassi, fez a pole com a média de 226.760 mph, sete milhas mais lenta (ou 11,2 km/h) que a marca de Castroneves nas sessões livres. O tricampeão da prova larga na segunda fila, com o 5º tempo, ao lado do compatriota Tony Kanaan.

Ontem, no calor da discussão sobre as decisões tomadas em Indianápolis, cheguei a escrever numa rede social que eu temia pela repetição das ocorrências nas 500 Milhas de 1973, que foram batizadas de “72 Horas de Indianápolis” em razão dos sucessivos adiamentos e problemas com o mau tempo.

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Na trágica edição da prova em 1973, Salt Walther ficou com pés e pernas expostos em seu carro capotado após acidente na primeira largada

Na segunda-feira, 28 de maio, dia marcado para a corrida, um acidente com 11 pilotos paralisou a disputa. O carro de Salt Walther chegou a escalar as cercas de proteção e a batida foi tão violenta que o piloto ficou com as pernas expostas, além de sofrer severas queimaduras e lesões gravíssimas em suas mãos. Por incrível que pareça, o piloto – que morreu há poucos anos – ainda retomaria sua carreira.

Choveu logo depois e também na terça-feira, quando a disputa chegou a ser retomada com 32 pilotos na pista. E na quarta-feira, quando finalmente a corrida teve alguma sequência, aconteceu o violento acidente de Swede Savage, que explodiu seu Eagle Offenhauser no muro da curva 4. O piloto foi transportado a um hospital com múltiplas fraturas e em estado “crítico, mas estável”. Swede, que tinha 26 anos à época, morreria no dia 2 de julho.

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Swede Savage sofreu este acidente durante a corrida de 1973; o piloto morreria mais de um mês depois

Há 42 anos, a discussão também passava pela segurança (ou pela falta dela). Os carros, com o uso de pneus slicks mais aderentes e motores cada vez mais potentes, já atingiam 200 mph de média, o que era um perigo com chassis cada vez mais inseguros. A morte de Art Pollard durante os treinos livres naquele ano também poderia ter servido de aviso e a corrida foi disputada sob o espectro da tragédia.

Ninguém pode torcer para que no próximo domingo, que é histórico com a realização também do GP de Mônaco e da Charlotte 600 da Nascar, tenhamos uma tragédia pior ou semelhante que a de 1973. Mas os sinais estão aí. Só não vê quem não quer.

10 comentários

  1. Pedro Migão disse:

    O mais incrível é que segundo o que li Savage não morreu da panca, mas por complicações de uma transfusão de sangue com o vírus da hepatite B. Um mecânico dele morreu durante o socorro.

    • Rodrigo Mattar disse:

      Exato. Armando Teran, mecânico da equipe de Andy Granatelli, tentou salvá-lo e morreu atropelado por um veículo de serviço.

    • Rubim disse:

      ele estava conversando durante o atendimento, no vídoe dá pra observar que enquanto os bombeiros tentam apagar o fogo no carro dele, o piloto estava se mexendo dentro do que sobrou do carro. foi um caso muito semelhante ao do Ronnie Peterson.

  2. Renan disse:

    Sem contar que todo esse temor faz parte dessa corrida fantástica. A tradição dessa corrida é feita sob os perigos dela, e a consequente, da glória que é ganhar em Indianápolis. Lógico que ninguém quer ver piloto morrendo, mas é esse “receio” que faz a prova sempre ser instigante e que vale a pena ser acompanhada. Assim como Le Mans, que também é bem perigoso … mas são elas, as provas tradicionais, que fazem valer a pena assistir uma corrida de carros e esperar até o final , para saber que o vencedor não venceu apenas seus adversários como também, os tradicionais perigos que essas provas proporcional … Indy 500 … Demais ..

  3. Alvaro Ferreira disse:

    O David “Salt” Walther sobreviveu, mas esse acidente mudou por completo sua vida. Hospitalizado, ele se tornou dependente de drogas para amenizar as dores. A partir daí, foi ladeira abaixo, várias ocorrências policiais, períodos na prisão, problemas com pagamento de pensão, enfim… Coisa difícil de imaginar até 1973, para quem, como ele, vinha de família rica e parecia com um futuro promissor como piloto.

  4. luigi disse:

    Eu não gosto de emitir comentário sobre categoria que não gosto ,más o que escrevo vale para qualquer categoria e não é mais que a transcrição em português do que minha querida Nona dizia em Sicilianu (é com “u ” mesmo) ; ¬ A economia é a base da porcaria .
    Este negocio de ficar amarrado a um único fornecedor de chassis (e que seu grande mérito é ter feito o pior F 1 da temporada em que participou ) só por custos não é algo de pessoas muito do “AUTOMOBILISMO ” esta mai s para as do Show biz pois o verdadeiro automobilismo nunca foi ,não é e dificilmente será um esporte barato . tem otrocentos mil esportes de custo barato ,o automobilismo já custou muitas vidas para chegar ao nível de segurança em autódromos e carros para ser jogado fora por cartolas que só pensam em lucros e que jamais sentaram em um carro e aceleraram para tentar vencer uma prova , quem quer ver corrida de carros baratos que vá assistir corridas do All-American Soap Box Derby (que relativamente ,os bons ,não são tão baratos assim ! )

  5. Fernando Lima disse:

    Ontem assisti ao treino classificatório com transmissão (horrível, sofrível, lastimável…) do canal Bandsports,…parece que após as pancas até mesmo os pilotos estavam mais receosos, além da redução da cavalaria, mas de qualquer forma, quando os carros estiverem juntos e trocando vácuo durante a corrida, e caso haja um toque…sei não….

  6. Gustavo disse:

    Só para não passar despercebido: 233Mph = 374,897Km/h.

    Numa média de velocidade dessas, as pancadas no muro saíram de graça. Como diria o velho Nelson Piquet, não existe segurança absoluta para que vai além dos 200Km/h (124,30Mph) em um carro de fórmula.

  7. Raider disse:

    Olha eu acompanho a Indy há uns 20 anos. Lembro dos terríveis acidentes das 500 milhas de 1992, onde muita gente bateu. Só nos treinos foram 6 acidentes sendo 1 fatal. Na corrida foram 15 acidentes e a maioria parou no hospital. Hoje vejo esse chassi Dallara um dos mais seguros da categoria, mesmo comparando com os anteriores, esse consegue ser mais seguro (lembremo-nos das batidas de Dario, Conway, Aleshin). Se fosse os Lola, ou mesmo os Reynard antigos da CART não resistiriam ao impacto e teríamos algo pior. Um Fórmula 1 então? Teríamos morte…

    A Indy está sendo duramente criticada por esses acidentes, algumas opiniões até mesmo chegando a dizer que a corrida deveria ser cancelada. Ainda considero que sendo circuito oval, é arriscado como em qualquer outro circuito.

    Quinta tem o Carburation Day, então é outra chance de vermos como esses carros irão se portar. No Pole Day e no Bump Day não tivemos nenhum registro de acidente, sendo que os carros estão com potência reduzida.

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