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26 de outubro de 2016 - 09:0924 Horas de Le Mans, Mundial de Endurance

Bomba! Audi deixa WEC… ao fim desta temporada!

WEC Fuji 2016

Auf wiedersehen: após 18 temporadas, treze vitórias em Le Mans, títulos mundiais de pilotos e construtores no WEC, a Audi surpreende todo mundo e deixa o Mundial de Endurance ao fim desta temporada. O foco será Fórmula E e DTM (Foto: Audi Sport/Divulgação)

RIO DE JANEIRO - Aconteceu o que mais se temia: a Audi anunciou nesta quarta-feira um “realinhamento de estratégias” em seu setor de motorsport. E o programa do Mundial de Endurance será extinto. Não em 2017, como a imprensa internacional chegou a ventilar. Mas já ao término desta temporada, o que cai como uma bomba de proporções atômicas para os organizadores do campeonato, já que a saída da turma de Ingolstadt e o anúncio da Rebellion mudando para a plataforma LMP2 deixa a categoria principal no ano que vem com apenas três equipes – Porsche, Toyota e ByKolles.

É o fim de uma era iniciada em 1999. Dezoito temporadas com treze vitórias nas 24h de Le Mans, a maior predominância dos últimos anos. Foram pioneiros no uso de motores a diesel, vencendo a prova de Sarthe com o Audi R10 TDi em 2006 e posteriormente marcaram território como o primeiro construtor a ganhar o evento com um bólido dotado de sistemas híbridos de recuperação de energia – o R18 e-tron quattro, no ano de 2012.

Na ponta do lápis, contando as sete etapas do WEC neste ano, a Audi disputou 185 corridas com seus Esporte-Protótipos. Ganhou nada menos que 106 delas, com 80 pole positions e 94 voltas mais rápidas em corrida. A marca ganhou o Mundial de Endurance duas vezes. E levou também nove títulos – consecutivos – na American Le Mans Series, hoje extinta.

“Para nós, tão identificados com a Endurance, é muito duro ter que deixar a modalidade depois de tantos anos de sucesso”, explicou o chefão Wolfgang Ullrich. “Gostaria de agradecer à montadora, à Reinhold Joest e toda sua equipe, aos pilotos, parceiros e patrocinadores por essa cooperação de muito sucesso. Foi um tempo maravilhoso”, afiançou o dirigente.

Com o fim do programa do WEC, a Audi volta sua carga – literalmente – para a Fórmula E, o campeonato de monopostos elétricos. E quem se deu bem nessa foi o brasileiro Lucas Di Grassi, peça chave no desenvolvimento dos carros da marca.

“Agradeço a Audi por estes três anos correndo de protótipo no FIA WEC, onde tive a honra de correr ao lado de Tom Kristensen, que é uma verdadeira lenda de Le Mans; e depois, nos últimos dois anos com o (Loïc) Duval e o (Oliver) Jarvis. Vencemos corridas, fizemos poles, subimos ao pódio das 24 Horas de Le Mans três vezes em quatro participações, e isso é muito satisfatório”, destacou o piloto de 32 anos.

“A Audi vai focar na Fórmula E, e eu também. Vai ser meu trabalho integral, pois é um campeonato que está se expandindo, crescendo muito. Estou muito contente com a categoria, que vem tomando uma dimensão muito grande. E a prova disso é o comprometimento da Audi a longo prazo com a Fórmula E”, afirmou Lucas.

Di Grassi também continuará em outros projetos. “Eu tenho um contrato de longo prazo com a Audi e também com a Fórmula E, então a tendência para os próximos anos é continuar onde estou e tentar vencer corridas e campeonatos”.

Voltando aos planos futuros da marca de Ingolstadt, o programa do DTM pouco sofrerá alterações para 2017. A marca levou o título entre os construtores do certame neste ano e o investimento está mantido, assim como a assistência aos clientes da montadora nas provas de Grã-Turismo.

Bem… aqui vai uma opinião pessoal. Sabia-se que havia o rumor da saída dos alemães, mas não para tão logo. Pelo menos eles foram mais íntegros que a Peugeot – que a menos de 24h da apresentação das equipes que disputariam o WEC em 2012, pegou o boné e caiu fora.

Muito se falou e eu escrevi um post a respeito, acerca da proibição de carros com combustíveis fósseis no mercado alemão para daqui a alguns anos – o que terá desencorajado a Audi a continuar o desenvolvimento do motor turbodiesel, mas a verdade é que a crise da Volkswagen atingiu fundo as parceiras da marca de Wolfsburg.

Até um certo ponto, fazia sentido o VAG deixar rolar uma rivalidade sadia entre duas marcas de seu guarda-chuva (Audi e Porsche são primas, podemos dizer assim), mas a partir do momento em que a turma de Weissach começou a incomodar e ganhar tudo, a presença da Audi passou a fazer menos sentido. Levando por esse aspecto desportivo, não é surpresa a decisão. A Audi pode dar a desculpa que ela quiser. Para quem gosta de automobilismo, é um golpe forte, pesado. É um ippon daqueles bem aplicados.

Pior para Gèrard Neveu e companhia limitada: agora o ACO fica sem pai nem mãe, com apenas cinco carros confirmados na classe principal em 2017. A Peugeot, que acenou com o regresso ao WEC, não voltará tão logo. O próximo ano será daqueles bem difíceis para a LMP1…

Uma pena.

Auf wiedersehen, Audi!

18 comentários

  1. Jorge Barros disse:

    Uma pena mesmo, cheguei a pensar que a Toyota que iria arregar, mas a Audi deu uma rasteira daquelas no WEC, deixando o Weathertech mais interessante ainda, visto que os circuitos americanos humilham os do tilke.

  2. Cláudio Guerra disse:

    Já esperava essa decisão da Audi desde que a Porsche passou a ganhar mais.
    É só uma questão de tempo.
    Boa sorte, Audi!

    • joao carlos disse:

      Ficava dificil aguantar os BoPs da ACO para dar “paridade” ao campeonato, imagina você ter um foguete na mão e ficar pondo freios neste foguetes…
      Se a Audi saiu é por conta disso!!!

  3. Claudio disse:

    Pois é, e não duvido que a Bykolles faça algo similar a Rebellion e a P1 se resuma a apenas quatro carros ano que vem. Uma coisa é certa, em termos de desenvolvimento, não faz mais sentido ficar investindo em motores movidos a combustíveis fósseis, o foco agora é totalmente o elétrico, eu acredito que daqui uns 10 anos, no máximo, a F-E vai estar bem próxima da F1 no que diz respeito a desempenho, o envolvimento das montadoras será muito grande

  4. Menos El Orso disse:

    E o que será que vai acontecer com a Joest? Nunca entendi direito onde começava a equipe e terminava a Audi Sport. Se a equipe privada ainda existe, é de se pensar nela como uma excelente competidora do endurance na próxima temporada.

    Tenho outra dúvida também: Entre 2002 e a estreia do R10, tenho a impressão de que a marca não esteve envolvida como equipe oficial e as equipes que usavam seus carros eram todas privadas – como a Champion nos estados unidos. Sendo assim, essa não seria a primeira saída de cena da turma de Ingolstadt.

    Dando uma de Mãe Dinah, vejo a IMSA salvando Le Mans outra vez. Com os DPis sendo a categoria principal em pouco tempo na clássica francesa e com montadoras fornecendo motor a equipes oficiais e não gastando os tubos como fizeram nos últimos anos.

    É uma pena, essa instabilidade sempre foi o calcanhar de aquiles do endurance e tudo indica que vem mais trovoadas por ai.

    • Rodrigo Mattar disse:

      Em parte não é a primeira saída de cena, porque a Audi – embora o time oficial tenha se retirado naquele período – os protótipos R8 ainda foram vistos e, vá lá, a mecânica permaneceu também nos Bentley EXP Speed 8 que foram vistos em Sarthe e ganharam as 24h.

    • Rodrigo Mattar disse:

      Sobre a IMSA, para a salvaguarda das 24h de Le Mans, o ACO pode se socorrer de lançar uma subclasse só para os protótipos DPi, se os franceses quisessem – é claro. Por várias vezes o regulamento particular de Le Mans permitiu classes para carros IMSA. Por que num futuro próximo isso não poderia acontecer?

  5. Eder disse:

    Uma pena. Não sei nem o que dizer. Ainda tenho a sensação de que o fato do atual regulamento desfavorecer a Audi em alguns quesitos pesou nessa decisão.

  6. Prezado Rodrigo,
    E Reinhold Joest, continuará com uma equipe particular ou também sairá de cena ? A estrutura existente, os carros, tudo será “aposentado” ? Ou haveria a possibilidade de continuar como privados ?

    • Rodrigo Mattar disse:

      Danilo, tudo bem?

      Olha só… a princípio, nada de Joest com os Audi R18. Mas vai que a coisa muda de figura e o time fica como LMP1 semi-oficial, o que seria fantástico e garantiria por pelo menos uns dois anos a sobrevivência deste equipamento.

      Mas não se pode afirmar nada. É tudo ainda muito recente. Temos que esperar os acontecimentos. A equipe publicou em seu site oficial um “statement” e pareceu haver algum otimismo. Veremos…

      • Danilo Candido disse:

        Ok, tomara ! O Reinhold Joest tem – na minha opinião – uma ligação com Le Mans até certo ponto mais forte do que a própria Audi, visto que pilotou na prova durante os anos 70 e venceu já como chefe de equipe com outros carros. Supriria de modo sensacional a lacuna deixada pela montadora.
        Obrigado pelas informações. Um abraço !
        P.S.: Conheci pessoalmente e tive a oportunidade de conversar brevemente com Joest nas duas últimas edições das Seis Horas de Interlagos. Guardo a lembrança da educação e simpatia do baixinho alemão e também uma miniatura do Porsche 917/20 Pink Pig (pilotado por ele em 1971) commo devido autóragfo, hehehe…

  7. Fernando Silva disse:

    É até um pouco difícil imaginar a classe LMP1 sem os Audi e seu “ruido” tão peculiar, provavelmente o único carro de corridas que não faz barulho mas que todos respeitam incondicionalmente e gostariam de guiar (ainda não podemos dizer isso da FE…quem sabe daqui há alguns anos…).
    Também considero que o fato de não serem mais dominantes na classe pesou na decisão…afinal, o melhor carro da LMP1 hoje é do mesmo grupo…em algum momento, estrategicamente para o VAG a coisa perderia o sentido.
    A nós, só resta torcer para que não haja uma debandada, uma vez que Bycolles e Rebellion são bem mais frágeis como estrutura.
    E por essas e outras os holofotes ficarão mais fortes na classe LMGTE-Pro, onde Porsche tratá a grande novidade do ano e a Ford/Chip Ganassi, depois de um ano de aprendizado neste campeonato, deva querer mais do que vencer “somente” Le Mans.

  8. Douglas Kaucz disse:

    Agora ferrou de vez para o WEC. Creio que seja a chance de dar mais visibilidade a LMP2, tornar ela de alguma forma a categoria principal. As disputas na LMP2 são muito boas, mas nunca recebem tanta mídia.

    Mas uma coisa é certa, um campeonato de LMP1 com tão poucos carros não tem como dar certo ou ser atrativo ao público.

    • Danilo Candido disse:

      Também pode ser a chance de ressuscitar classe GT1, com La Ferrari, Lamborghini Aventador, Mclaren P1 GTR, Porsche 919…seria uma convivência interessante com os LMP1, ou mesmo uma substituição…

      • Menos El Orso disse:

        Sem a minima chance, os custos para correr com esses carros são astronômicos, provavelmente muito superiores aos da P2, e todas as vezes em que isso foi tentado o único resultado foi quebradeira geral de equipes e campeonatos.

        Não que não fosse ser legal, muito pelo contrário, seria lindo ter a Gt1 de volta as 24 Horas de Spa, por exemplo com Ferrari, Porsche, McLaren e Koenigsegg trocando tinta, mas, infelizmente, não vai acontecer.

  9. luiz H. disse:

    Essa decisão, curiosamente veio após o anuncio do acordo do valor da multa que a Audi vai ter que pagar aos orgão reguladores nos EUA… $14,7bi!!!

  10. Danilo disse:

    Infelizmente era algo esperado.Das duas uma:ou o WEC unifica a LMP1 e LMP2 em uma coisa só ou ela acaba de vez.Uma pena,pois era um dos principais chamarizes da categoria,junto com a sua marca “irmã” Porsche.

  11. João Ferreira disse:

    Eita! Um campeonato só com Porsche e Toyota, é o fim dos tempos mesmo, só espero que os pilotos e profissionais da Audi tenham lugar para trabalhar na WEC ainda…

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