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16 de novembro de 2016 - 00:40Fórmula 1, Memorabilia

Paul Rosche (1934-2016)

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Nelson Piquet, Paul Rosche e Gordon Murray: o trio que fez história na Fórmula 1 em 1983

RIO DE JANEIRO - A Fórmula 1 e o automobilismo mundial estão de luto: morreu hoje aos 82 anos em Munique, de causas não reveladas o alemão Paul Rosche, engenheiro da BMW que se notabilizou pela concepção do primeiro propulsor da história a ganhar um título mundial movido a turbocompressor. A história de Rosche dentro da marca bávara se confunde com sua própria vida. Afinal, foram quase quatro décadas e meia servindo à Bayerische Motoren Werke.

Rosche chegou à fábrica em 1957, quando tinha apenas 23 anos de idade. Logo começou como preparador de motores, desenvolvendo as unidades das BMW 2002 Ti via Schnitzer e também o programa de Fórmula 2, primeiro com carro próprio e depois como fornecedora de motores 2 litros para a categoria de acesso à Fórmula 1. A hegemonia da BMW seria quebrada apenas pelo gênio de Brian Hart, que em 1980 fez os motores dos Toleman que bateram os March 802 e demais carros equipados com os propulsores germânicos.

Não obstante, Rosche assumiu o posto de diretor de competição no lugar de Alexander von Falkenhausen e ficou como o responsável direto pelo desenvolvimento dos motores para os BMW M1 Procar e também do programa mais ambicioso da marca bávara: o projeto de uma unidade para a Fórmula 1, com turbocompressor.

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Os blocos dos motores M12/13, que começaram a ser desenvolvidos em 1981, tinham como origem um carro de passeio lançado 20 anos antes, com apenas 76 HP de potência – e quem poderia imaginar que esses motores de Fórmula 1 superariam a casa de 1000 HP?

O motor BMW M12/13, com sua arquitetura de quatro cilindros em linha, foi o quarto da chamada “Era Turbo”, seguindo os passos da pioneira Renault, da Ferrari e… de Brian Hart, que fazia seus motores de forma artesanal e com arquitetura basicamente semelhante a dos alemães. Se o hábil britânico se notabilizou por introduzir o conceito do cabeçote montado no bloco, Rosche fez uso dos blocos dos motores do modelo 1500 Neue Klasse, produzido em… 1961. Muitos desses motores foram resgatados de carros que estavam batidos, no ferro-velho. E entraram para a história do automobilismo.

Rosche e os engenheiros da BMW conseguiram feitos inacreditáveis, começando de um mínimo de 560 HP de potência nos primeiros testes em 1981 e chegando a incríveis 1400 HP apenas cinco anos depois. Em corridas, as unidades tinham sua potência “diminuída” para perto de 900 HP e principalmente a partir de 1984, quando os carros começaram a trabalhar com restrição de capacidade de combustível nos tanques, os motores passaram a ser regulados com o objetivo de tentar consumir menos – mas sem perder suas características brutais.

O M12/13, então, precisava ser montado com enormes intercoolers e o turbo Garrett, construído especificamente para ser usado na Fórmula 1, tinha um lag brutal de 500 HP dentro de uma determinada faixa de potência. Não era qualquer piloto que sabia usar esses recursos sem quebrar tanto – numa época em que os motores tinham pavio curtíssimo. Nelson Piquet, um dos maiores acertadores de carros de todos os tempos, pegou o projeto de saída e conseguiu junto a Rosche e Gordon Murray, projetista do espetacular modelo BT52, conquistar o primeiro campeonato de um carro com motor turbo, em 1983.

A BMW se retirou da categoria em 1987, mas Rosche seguiu trabalhando até 1999, chegando ao total de 42 anos como funcionário da marca. Até aquela data, trabalhou no desenvolvimento do motor V12 que equipou o McLaren F1 GTR – coincidentemente, um projeto de Gordon Murray – e que também ganhou as 24h de Le Mans. E antes da merecida aposentadoria, o mago dos motores também trabalhou na concepção do motor V10 que marcou a volta dos alemães à Fórmula 1 em 2000, via Williams.

Em 2013, perto de completar 80 anos, Rosche esteve no Goodwood Festival of Speed, na Inglaterra, quando Nelson Piquet fez uma exibição com a Brabham BT52 do bicampeonato que completaria 30 anos naquela época.

E quem, senão Paul Rosche, para fazer aquele motor adormecer de uma longa hibernação e funcionar novamente, gritando como nos velhos tempos?

1 comentário

  1. Gustavo disse:

    Lamentável…

    Piquet fez menção a Paul Rosche e Gordon Murray em sua passagem no festival de GoodWood.

    https://www.youtube.com/watch?v=YS1WZIaelo0&t=5m06s

    Uma visão do que foi o BMW M12/13 pode se obtida dos gráficos da página seguinte.

    http://www.gurneyflap.com/bmwturbof1engine.html

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