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9 de janeiro de 2017 - 15:41Túnel do Tempo

Direto do túnel do tempo (354)

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Beijos para a plateia: Jody Scheckter comemora a vitória no GP da Argentina de 1977, quando conduziu o carro da estreante equipe Walter Wolf Racing Cars

RIO DE JANEIRO - Em toda a história de 67 anos da Fórmula 1, desde que ela foi oficializada pela FIA como um Campeonato Mundial de Automobilismo, somente três escuderias venceram em suas estreias. A Mercedes-Benz fez isso em 1954 e, mais recentemente, a Brawn GP alcançou esse feito no ano de 2009. A terceira equipe ganhou sua primeira corrida há exatos quarenta anos: a Walter Wolf Racing Cars.

Walter Wolf, austro-canadense milionário do petróleo, começou como mecenas da equipe Williams em 1976. Na época, Frank não era o garagista bem-sucedido que se tornaria nos anos seguintes, quando costurou um apoio sólido dos árabes e seus petrodólares. Pelo contrário: chegou a pagar mecânicos com o relógio de pulso em determinada época. A associação Wolf-Williams durou só um ano: Frank levou um “passa-moleque” do sócio, que montou uma estrutura do zero.

Wolf cercou-se do que podia ter de melhor no mercado: seduziu Jody Scheckter com uma oferta de US$ 250 mil e o sul-africano, que defendia a Tyrrell desde 1974, não renovou seu contrato, surpreendendo ao mudar-se para um time completamente novo. O designer do primeiro carro do time seria o criativo engenheiro Harvey Postlethwaite, ex-Hesketh e Williams. E Colin Chapman perdeu seu braço-direito Peter Warr, que também aceitou o desafio da nova escuderia.

O WR1 ficou pronto no final de 1976 e já estrearia na primeira prova do campeonato seguinte. Na época, a Fórmula 1 não esperava até março para dar sinal verde a seus campeonatos e o de 1977 seria até aquela época o maior da história com 17 corridas. Assim, em 9 de janeiro, a Wolf e mais outras 12 equipes alinharam para a 1ª etapa, o 13º Gran Premio de la Republica Argentina, em Buenos Aires.

1977 argentina gp

Projeto de Harvey Postlethwaite para o time chefiado por Peter Warr, o Wolf WR1 conquistaria três vitórias, ofertando a Jody Scheckter o vice-campeonato mundial de pilotos em 1977

Nos treinos, o novo Wolf não impressionou muito: Scheckter largou apenas em 11º com o novo carro – um dos únicos apresentados na primeira corrida junto ao Lotus 78, a Ferrari 312 T2, ao infame BRM P207 e ao Ligier JS7. Mas a corrida seria complicada por conta do forte calor do verão do hemisfério sul e as 53 voltas poderiam ter um número mínimo de carros vendo a quadriculada.

Não deu outra: a insuspeita resistência física de Scheckter, então com 27 anos, foi decisiva. O “Troglodita” chegou à zona de pontuação antes da metade da distância prevista e com as quebras das McLaren M23 de Jochen Mass e James Hunt, chegou a quarto. Colocou-se em posição de pódio ao ultrapassar a Lotus 78 do ítalo-americano Mario Andretti e foi para segundo quando quebrou a Brabham Alfa Romeo do irlandês John Watson.

A liderança pertencia a José Carlos Pace, com a outra Brabham, desde a 35ª volta. E parecia que o brasileiro iniciaria o campeonato de 1977 na frente, até perder terreno e a liderança para Scheckter, na altura da 48ª passagem. Depois soube-se que Moco contraíra uma virose que o fez perder 4 kg dentro do carro.

Foi a 5ª vitória do sul-africano na Fórmula 1. Scheckter venceria também em Mônaco e no Canadá, chegando inclusive a liderar a temporada em determinado momento. Somou nove pódios, mas os muitos abandonos – oito no total – o fizeram perder o título para o austríaco Niki Lauda. Com um carro apenas, a Wolf terminou num respeitável 4º lugar no Mundial de Construtores.

A temporada de 1977 foi a única em que a equipe realmente brilhou. No ano seguinte, a Wolf teve raros bons desempenhos e em 1979 fecharia definitivamente suas portas.

Há 40 anos, direto do túnel do tempo.

1 comentário

  1. Pedro Migão disse:

    Lembrando que a Fittipaldi compraria o espólio da Wolf quando do seu fechamento, inclusive com o contrato de Keke Rosberg vindo no pacote

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