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22 de maio de 2017 - 23:28Fórmula Indy

Uma inesquecível Indy 500 a caminho

RIO DE JANEIRO - A julgar pelo que se viu desde a segunda-feira passada no Indianápolis Motor Speedway, a 101ª edição da Indy 500 tem tudo para ser inesquecível. Não só pelo nível e pela velocidade que os carros vem alcançando: a média horária global do pelotão de 33 carros – a bem da verdade, um deles não marcou tempo – é impressionante e todas as atenções estão voltadas não só para o novato mais famoso da corrida deste ano como também para a performance extraordinária do pole position.

Fernando Alonso e Scott Dixon mostraram o porque de serem pilotos excepcionais. Do espanhol, aliás, podia-se duvidar muito pouco. O que foi impressionante até aqui é que o bicampeão mundial de Fórmula 1 tem se sentido muito seguro e cada vez mais confiante toda vez que senta a bota no carro laranja #29. Dá o que pensar se os treinos durassem o mês inteiro como antigamente. Talvez Fernando estivesse em totais condições de brigar pela pole position – ou não, vai saber… – mas em menos de 10 dias, ele mostrou velocidade e adaptação espetaculares. Passou sem sustos para o Fast Nine e conquistou um ótimo 5º lugar no grid, inclusive com direito a troca de motor e perda de potência na volta rápida.

Se não fosse isso, sei não, viu?

Outra coisa que é preciso dizer em favor da adaptação do Alonso: muitas pessoas criticam o automobilismo dos EUA, porque andam em ovais e as curvas são só para a esquerda. Se soubessem que isso não é uma ciência exata, não falariam besteira. Teve até portal dizendo que Fernando “foi mal” num dia de treino de tráfego, só porque andou em 24º lugar. Mas a resposta foi dada na pista, onde qualquer mudança de vento, angulação de asa e principalmente de temperatura, faz toda a diferença. Às vezes, um grau a mais ou a menos, pode representar milésimos preciosos de segundo. Mais uma lição que Don Alonso de las Asturias vai levar para a vida inteira.

E no mesmo nível de Alonso em termos de expertise e competência, está o neozelandês Scott Dixon, que conquistou uma pole position épica com o carro da Chip Ganassi Racing, superando o pretenso favoritismo dos dois carros da ECR alinhados para Ed Carpenter e JR Hildebrand. Scott mostrou o porquê de ser um dos melhores – talvez o melhor – da Fórmula Indy hoje e não à toa ele tem quatro títulos no currículo, 40 vitórias na categoria e uma vitória na Indy 500 em 2008. O trabalho de acerto do “kiwi” para marcar a média de 232.164 mph, equivalentes a 373.632 km/h mostra o quanto ele é forte nesse tipo de disputa.

Mas a corrida tem suas nuances. Serão 200 voltas, 500 milhas e 804,5 km em que velocidade e paciência serão as armas para quem quiser vencer. E aproveitar as amarelas para fazer como Alexander Rossi, surpreendendo o mundo inteiro. É aí que um piloto como Alonso pode fazer a diferença a seu favor.

Numa dessas, até pilotos que de acordo com as posições de largada são considerados meio carta fora do baralho – e nisso o esquadrão da Penske é a prova cabal – podem fazer uma corrida tática e emergir nas últimas 50 voltas, que são sempre decisivas. E é uma pena que tenhamos sido privados de ter Sébastien Bourdais na pista, depois do brutal acidente que sofreu no sábado. O impacto recebido a 372 km/h na saída da curva 2 foi de 118 vezes a Força G, o que contribuiu muito para que o piloto da Dale Coyne Racing sofresse múltiplas fraturas de pélvis e bacia.

Milagrosamente, Bourdais está de pé e até se deixou fotografar no hospital onde foi operado. O acidente guardou semelhanças com o de Gordon Smiley (talvez uma das maiores tragédias de todos os tempos) porque aconteceu na mesma curva e o ângulo foi muito parecido. Mas Bourdais foi beneficiado não só por haver o SAFER Barrier como também pela segurança passiva dos chassis da Fórmula Indy, cada vez melhor. Talvez se o acidente fosse no Dallara IR-5 usado até 2011, o francês não tivesse sobrevivido.

O grid da 101ª Indy 500 é este:

1. fila
Scott Dixon (Dallara DW12-Honda) – Ganassi – 232.164 mph (373.632 km/h)
Ed Carpenter (Dallara DW12-Chevy) – ECR – 231.664
Alexander Rossi (Dallara DW12-Honda) – Andretti – 231.487
2. fila
Takuma Sato (Dallara DW12-Honda) – Andretti – 231.365
Fernando Alonso (Dallara DW12-Honda) – Andretti – 231.300
JR Hildebrand (Dallara DW12-Chevy) – ECR – 230.889
3. fila
Tony Kanaan (Dallara DW12-Honda) – Ganassi – 230.828
Marco Andretti (Dallara DW12-Honda) – Andretti – 230.474
Will Power (Dallara DW12-Chevy) – Penske – 230.200
4. fila
Ryan Hunter-Reay (Dallara DW12-Honda) – Andretti – 231.442
Ed Jones (Dallara DW12-Honda) – Coyne – 230.578
Oriol Servia (Dallara DW12-Honda) – RLL – 230.309
5. fila
Mikhail Aleshin (Dallara DW12-Honda) – SPM – 230.271
Graham Rahal (Dallara DW12-Honda) – RLL – 230.253
Max Chilton (Dallara DW12-Honda) – Ganassi – 230.068
6. fila
Charlie Kimball (Dallara DW12-Honda) – Ganassi – 229.956
James Hinchcliffe (Dallara DW12-Honda) – SPM – 229.860
Juan Pablo Montoya (Dallara DW12-Chevy) – Penske – 229.565
7. fila
Helio Castroneves (Dallara DW12-Chevy) – Penske – 229.515
Jay Howard (Dallara DW12-Chevy) – SPM – 229.414
Sage Karam (Dallara DW12-Chevy) – DRR – 229.380
8. fila
Josef Newgarden (Dallara DW12-Chevy) – Penske – 228.501
Simon Pagenaud (Dallara DW12-Chevy) – Penske – 228.093
Carlos Munoz (Dallara DW12-Chevy) – Foyt – 227.921
9. fila
Gabby Chaves (Dallara DW12-Chevy) – Harding – 226.921
Conor Daly (Dallara DW12-Chevy) – Foyt – 226.439
Jack Harvey (Dallara DW12-Honda) – Andretti – 225.742
10. fila
Pippa Mann (Dallara DW12-Honda) – Coyne – 225.008
Spencer Pigot (Dallara DW12-Chevy) – Juncos – 224.052
Buddy Lazier (Dallara DW12-Chevy) – Lazier – 223.417
11. fila
Sebastian Saavedra (Dallara DW12-Chevy) – Juncos – 221.142
Zach Veach (Dallara DW12-Chevy) – Foyt – 221.081
James Davison (Dallara DW12-Honda) – Coyne – s.t.

10 comentários

  1. moisesimoes disse:

    - Realmente o francês estava indo muito bem e é uma pena vê-lo fora de combate, mesmo que temporariamente. E não há como não lembrar da incrível semelhança com o acidente do Gordon Smiley. Esse acidente, a tragédia de Le Mans em 1955, o de Gilles, e o que você postou um dia desses, o de Tom Price em Kyalami, marcaram as páginas do automobilismo mundial.
    “… porque andam em ovais e as curvas são só para a esquerda.” Pois é.
    Analfabetismo esportivo na prática. Torcendo por menos acidentes e menos quebras pro couro comer nas últimas vinte voltas!

  2. Antonio Seabra disse:

    Mais um excelente texto Rodrigo !
    Lamentavel o que aconteceu com Bourdais, pois o frances estava andando realmente muito rapido. Nas duas primeiras voltas, estava num ritmo muito acima dos outros pilotos e, provavelmente, teria sido o mais rápido dos Fast Nine no classificatório. O que o credenciaria para a Pole, já que nos treinos livres tinha chegado a rodar a 375 km/h de media !!! E certamente no Pole Day as condições da pista estavam melhores, e a pista estava mais rapida.

    O acidente dele me lembrou muito, na fase ate o primeiro contato com a barreira de proteção, o acidente do Nelsão: atravessada, a tentativa e correção com “chicotada” ao contrario, e o toque no muro com um angulo em 3/4 frontal. Temi pelas pernas dele !!!

    Os especialistas em Indy recomendam que quando a traseira atinge um certo angulo de derrapagem, é mais prudente girar o volante para o lado de dentro da curva e fazer o carro rodar, invés de tentar a correção quase impossivel e terminar “chicoteando” em direção ao muro.

    Sobre um caso a ressaltar nas antigas edições da Indy 500, cito a estoria ocorrida com Jim Clark em 1964: durante a prova, depois de rodar, o escoces se viu andando ao contrario (contramão) pela pista a cerca de 100 km/h. Ato reflexo, deu um cavalo de pau e seguiu na direção certa, sem parar o carro !!! Só mesmo Clark seria capaz disso !!!

    Antonio

  3. Vinicius disse:

    Essa prova é espetacular! Conforme vai chegando ao fim, vai dando aquela ansiedade… E não tem como esquecer o que o Hildebrand fez… líder, patrocinado pela National Guard, novato e… panca na última curva, literalmente!!

  4. Carlos Pereira disse:

    Alonso mostrou que é um dos melhores pilotos de monopostos da atualidade. Quem o considerava morto na F1, tem que rever suas opiniões. Espero que faça uma grande corrida.
    E pra quem achava que é só virar o volante pra esquerda, tá aí o Alonso pra provar que a coisa é pra adultos.

  5. Pedro Perez disse:

    Por mais que digam aos pilotos “nunca tentem corrigir a saída de traseira” isso parece ser algo instintivo.

  6. Menos El Orso disse:

    Vai dar Buddy Lazier na cabeça!

  7. Fernando Silva disse:

    Olha, para esta prova vejo como principais favoritos Dixon, Montoya, TK (ainda muito rápido nos ovais…) e, é claro, Fernando Alonso. Além do mais, uma coisa perceptível e que expõe uma brutal diferença entre o circo da F1 e a Indy é a aceitação do piloto de outra categoria. Alonso é festejado pelo público e pela mídia americana…um tratamento muito diferente de quando Bourdais e o Montoya foram para a F1…o Bourdais, a quem eu desejo toda sorte na recuperação, foi – e muito – sacaneado na Toro Roso…isso ninguém fala. Nunca engoli muito a forma como ele foi tratado pela categoria e até pela transmissão do plim plim ocasionalmente quando citavam ele. Será que acham que um muiticampeão da Indy e campeão de Le Mans é um “qualquer”?

    • Rodrigo Mattar disse:

      Pra Globo, quem não anda na F1 ou na Stock é um “qualquer”.

      • Fernando Silva disse:

        Iria fazer um comentário ainda sobre o Bourdais, mas lhe pergunto: Alguma possibilidade do Tony substituí-lo nas 24h de Le Mans, uma vez que já é piloto da casa?
        Pergunto porque nas 24h de Daytona, ele guiou com o time do WEC no carro #69 e por vezes foi o mais rápido da trinca…este carro, se não me engano, foi o 2º melhor Ford GT na GTLM, P5 na classe…não pode ser considerado ruim.

      • Rodrigo Mattar disse:

        Não sei, Fernando. Sabe como esses ianques são… vão pressionar pra ter alguém de língua inglesa ou um europeu, tipo Ryan Dalziel ou Marino Franchitti.

        Mas o Tony Kanaan, além de ser uma escolha possível, não precisa disputar o Journée Test por ser piloto Platina.

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