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29 de julho de 2017 - 10:38Fórmula 1

Um novo fôlego

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Na terceira dobradinha da Ferrari em classificação neste ano, Sebastian Vettel quebrou o recorde da pista do Hungaroring e cravou a pole para a corrida deste domingo

RIO DE JANEIRO - O baile do GP da Inglaterra já ficou para trás. Na Hungria, foi a vez da Ferrari e de Sebastian Vettel. O alemão conseguiu um novo fôlego e, após ver a diferença cair para apenas um ponto, consegue uma vantagem significativa frente a Lewis Hamilton. A conquista da pole position para o GP da Hungria – 48ª de sua carreira, com direito a novo recorde da pista com o tempo de 1’16″276 – foi importante numa pista de poucos pontos de ultrapassagem. E como os carros do atual regulamento são bem mais complicados, diria que o alemão tem 50% de chances de chegar ao topo do pódio neste domingo.

E para tornar tudo ainda melhor para Vettel, a Ferrari domina a primeira fila do grid, já que Kimi Räikkönen roubou na última volta a 2ª posição que estava nas mãos do compatriota Valtteri Bottas. A Mercedes não tem nessa pista do Hungaroring o mesmo rendimento que apresentou na veloz Silverstone. E aliás, são poucos os carros que têm rendimento uniforme em todas as pistas. Potência de motor aqui não faz diferença. Chassi equilibrado sim. Ponto para a Ferrari.

Lewis Hamilton queixou-se (duas vezes, aliás) de vibrações nos pneus. Em sua primeira saída no Q3, acabou errando e jogando fora uma tentativa de volta rápida. O britânico saiu para apenas dois giros com pneus novos e não pagou placê. Ficou a quatro décimos da pole, adiando para a próxima corrida a possibilidade de igualar o recorde histórico de 68 pole positions do alemão Michael Schumacher.

A Red Bull, após o domínio inicial da sexta-feira, quando Daniel Ricciardo foi o mais rápido nas duas sessões, acabou a meio segundo da Ferrari. E o australiano ainda perdeu a 5ª posição do grid para Max Verstappen, batido por somente 0″021. O aniversariante do dia, Fernando Alonso, vai largar de sétimo porque a Renault trocou a caixa de câmbio de Nico Hülkenberg e o alemão perderá posições.

Essa, segundo o espanhol, é uma das únicas oportunidades em que ele se sente mais à vontade com a McLaren. Claro: (falta de) potência de motor aqui não faz tanta diferença. Mas aos que acham que o carro é ruim, aí está a prova de que não é. Tanto que os dois pilotos passaram ao Q3. Claro que 1″273 em ritmo de classificação é muito. Mas El Fodón de las Asturias já vinha dizendo que o GP da Hungria é daqueles que pode salvar a lavoura num ano bem pior que o último.

Surpresa? Talvez Palmer em 11º (que se transforma em décimo com a punição ao companheiro Hülkenberg). Talvez a falta de ritmo da Force India. Mas para o torcedor brasileiro, veio outra, bem desagradável: a ausência de Felipe Massa.

Oficialmente, é a primeira vez em 35 anos que não temos ninguém do país numa corrida de Fórmula 1. Em 1982, quando a temporada daquele ano começou, a FISA de Jean-Marie Balestre e a FOCA de Bernie Ecclestone brigavam pelo poder. E uma série de acontecimentos precipitou um inédito boicote a uma das corridas do campeonato, no caso o GP de San Marino, em Imola. Naquela oportunidade, os brasileiros eram Nelson Piquet (Brabham), Raul Boesel (March) e Chico Serra (Fittipaldi). As três equipes eram da FOCA e não foram para a Itália.

Mas, por falar em Itália, com brasileiros na lista de inscritos, a última vez em que alguém ficou de fora foi em Monza, há quase 40 anos. Naquela oportunidade, Emerson Fittipaldi e Alex Dias Ribeiro não se classificaram para o GP da Itália e foram excluídos do grid por deficiência técnica.

No caso de Massa, foi um problema de saúde, ainda não totalmente esclarecido. O piloto passou mal ao fim do segundo treino livre e voltou a não sentir-se bem após a terceira sessão. De última hora e em comum acordo com Claire Williams, Felipe decidiu se resguardar para o GP da Bélgica, a próxima etapa do campeonato.

A imprensa inglesa foi logo atrás de uma justificativa para a ausência de Massa e se saiu com “labirintite viral”, o que o próprio piloto desmentiu após falar com o produtor executivo da TV Globo, Jayme Britto. Portanto, as causas do que tirou Felipe da corrida ainda não estão esclarecidas. O que se apurou é que ele sente dores por conta do excesso de “Força G” na pista.

Não sou médico, mas tenho a impressão de que pode – vejam bem, não estou afirmando, estou supondo – ser um sintoma de concussão cerebral. Ecos do passado.

E o GP da Hungria vai se tornando outra ‘caveira de burro’ para o piloto brasileiro, que em 2008 liderava até o motor de seu carro quebrar a menos de duas voltas para o fim e, no ano seguinte, houve o lamentável episódio da mola no capacete. Outro fim de semana para se esquecer.

Sem muitas opções, a Williams tirou Paul Di Resta da transmissão do canal britânico Sky Sports e o requisitou para substituir Massa às pressas. Sem nenhum teste prévio com o FW40, o piloto escocês – hoje no DTM – até que fez um bom trabalho. Melhorou os tempos volta a volta e, para quem não guiava um Fórmula 1 em nenhuma corrida havia quase quatro anos, conseguiu não ser o último colocado.

Com apenas 11 voltas e pouco mais de 40 km percorridos, superou o sueco Marcus Ericsson, que teve quatro horas prévias de treino para acertar sua Sauber. E em que pese a diferença de sete décimos para Lance Stroll, que também não teve uma performance das mais entusiasmantes e sequer avançou ao Q2, o substituto de Felipe ficou a 0″029 apenas de Pascal Wehrlein. Nada mal.

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3 comentários

  1. Vinicius disse:

    Nesses últimos anos a Mercedes nunca teve o melhor chassis!! Tem ganho por causa do melhor motor! Ela sempre tem problemas em pistas travadas…

  2. Claudio disse:

    Achei impressionante o desempenho do Di Resta, quatro anos longe da F1 pesam, mas ele se saiu muito bem. É a melhor chance do Vettel recuperar parte da vantagem perdida na Inglaterra.

  3. Allan disse:

    Tenho visto o povo falar, a cada prova, q o campeonato tá decidido pra um ou pra outro. Bobagem descomunal. Vai assim até o final.

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