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31 de outubro de 2017 - 17:20Rali

Evans conquista vitória histórica no Rali da Grã-Bretanha; Ogier é penta e se emociona com conquista

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O voo do penta: 3º colocado no Rali da Grã-Bretanha, disputado no País de Gales, Sébastien Ogier se emocionou de forma genuína com seu quinto título no WRC

RIO DE JANEIRO - O Campeonato Mundial de Rali (WRC) tem um novo – velho – campeão. Pelo quinto ano consecutivo, Sébastien Ogier supera os rivais e chega a mais um título na modalidade. Trata-se também da 14ª taça de campeão de pilotos de nacionalidade francesa com o mesmo nome – Sébastien, já que Loeb levou nove taças antes do xará e compatriota.

O título veio no Rali da Grã-Bretanha, disputado no último fim de semana pelas estradas do País de Gales em 21 trechos cronometrados. Ogier fez a 12ª etapa do campeonato com “risco zero”, pensando no resultado que lhe daria o campeonato com uma etapa de antecedência. O francês tinha boa margem para o vice-líder e se sentia tranquilo quando o evento começou, porque o 2º colocado na tabela era seu companheiro de equipe, o estoniano Ott Tänak.

Para facilitar, logo no SS1 disputado à noite na quinta-feira, o belga Thierry Neuville, terceiro colocado da classificação a um ponto de Tänak, levou uma penalização de 10 segundos por se adiantar na largada do curto trecho cronometrado. Que fase…

E logo no primeiro dia, Elfyn Evans começou a dar as cartas: o espigado galês de 28 anos começou com tudo a bordo do seu Ford Fiesta #3. No carro equipado com pneus Dmack de composto macio, o piloto e seu navegador Daniel Barritt logo abriram uma vantagem superior a 25 segundos – e dificilmente seriam alcançados pelo resto da competição.

A luta ficou mesmo pelo 2º lugar geral e Neuville, após o péssimo início, se recuperou. Revezou-se com Tänak e Ogier, que por vezes se demonstrava tão preocupado em terminar a prova inteiro que fez tempos considerados ruins em vários trechos. “Preciso ser mais rápido do que isso”, admitiu após um mau resultado numa das especiais.

Ogier encontrou um bom ritmo e aí sim fez o que se esperava de um grande campeão. Conseguiu, à base do “risco zero”, chegar em 3º lugar na competição atrás de Thierry Neuville. O navegador Julien Ingrassia já sorria após o fim do Power Stage. Enquanto a M-Sport comemorava no parque de serviço em Deeside (onde a champagne já aguardava para a comemoração), Ogier ainda não tinha certeza da conquista e só ao deixar o cockpit do Ford Fiesta #1 é que a ficha caiu.

Após quatro anos consecutivos de sucesso com a Volkswagen, o francês vencia por uma equipe oficial – ma non troppo. E isso talvez justifique sua genuína emoção ao fim do Rali da Grã-Bretanha ao agradecer o esforço coletivo da equipe em prol da conquista. Debulhou-se em lágrimas de esguicho, merecidas após um ano de intenso trabalho.

Para Malcolm Wilson, valeu a aposta. Afinal, sua equipe foi campeã mundial e ele fez de Ogier igualmente campeão. Mas há ainda o sério risco de ficar sem o francês para 2018: a Citroën não medirá esforços para contar com o gaulês e a Ford, pelo visto, terá que ser muito bem convencida de que ter o número #1 em seus quadros valerá a pena. Malcolm ainda se ocupará de procurar um substituto à altura pelo belo trabalho desempenhado por Ott Tänak neste ano, a despeito do 6º lugar alcançado nesta etapa.

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Para Elfyn Evans, foi o Rali de sua vida. Afirmação e consagração diante da família e dos fãs galeses, que não viam um representante do Reino Unido no topo do pódio desde 2000

Já para Evans, foi uma vitória consagradora. Mesmo sendo uma prova teste para o fabricante de pneus que equipa seu carro, o Rali da Grã-Bretanha tem significado histórico para o filho de Gwyndaf Evans, lenda do Rali britânico: foi o primeiro triunfo de um piloto do Reino Unido no evento em 17 anos, desde que a lenda Richard Burns (vítima de um câncer no cérebro em 2005, aos 34 anos) ganhou a prova com um Subaru. Orgulho para a família do piloto e para todos os galeses, que torceram alucinadamente por Elfyn ao longo da competição.

No WRC2, Pontus Tidemand fechou sua cota de sete provas na temporada em grande estilo: já campeão, o piloto da Skoda ganhou pela quinta vez e chegou a 158 pontos de um total de 175 possíveis. Como praticamente nenhuma equipe vai para a Austrália, já que o campeonato está decidido, o vice foi resolvido na Grã-Bretanha e ao terminar à frente de Teemu Sunninen na prova do País de Gales, o francês Eric Camilli assegurou o vice-campeonato ao chegar em 2º na classe e em 12º na geral.

Resultado final do Rali da Grã-Bretanha:

1 – Evans-Barritt (Ford Fiesta WRC ’17) – 2.57’00”6
2 – Neuville-Gilsoul (Hyundai i20 WRC ’17) + 41”0
3 – Ogier-Ingrassia (Ford Fiesta WRC ’17) + 45”2
4 – Mikkelsen-Jaeger (Hyundai i20 WRC ’17) + 49”8
5 – Latvala-Anttila (Toyota Yaris WRC ’17) + 50”3
6 – Tänak-Järveoja (Ford Fiesta WRC ’17) + 1’02”3
7 – Meeke-Nagle (Citroen C3 WRC ’17) + 1’20”5
8 – Paddon-Marshall (Hyundai i20 WRC ’17) + 2’16”3
9 – Lappi-Ferm (Toyota Yaris WRC ’17) + 2’46”5
10 – Sordo-Marti (Hyundai i20 WRC ’17) + 3’50”5

Classificação do Mundial de Rali:

1. Sébastien Ogier (campeão) – 215 pontos
2. Thierry Neuville – 183
3. Ott Tänak – 169
4. Jari-Matti Latvala – 136
5. Elfyn Evans – 118
6. Dani Sordo – 95
7. Juho Hänninen – 71
8. Kris Meeke – 70
9. Craig Breen – 64
10. Hayden Paddon – 59
11. Andreas Mikkelsen – 52
12. Esapekka Lappi – 51
13. Stéphane Lefévbre – 30
14. Teemu Sunninen e Mads Østberg – 29
16. Jan Kopecky – 7
17. Pontus Tidemand – 4
18. Eric Camilli – 3
19. Stéphane Sarrazin e Armin Kremer – 2
21. Ole Christian Veiby, Yohan Rossel e Bryan Bouffier – 1

2 comentários

  1. Pedro Ribeiro disse:

    Corrija-me se eu estiver errado, mas acho que este é o primeiro campeonato da Ford e da M-Sport no mundial de pilotos (de construtores eles já venceram em 2006 e 2007, salvo engano) desde a introdução das regras técnicas de World Rally Car. Tiveram a chance com McRae em 2001 e ele capotou o Focus dele em Gales.

  2. Igor Fonseca disse:

    Rapaiz, nunca fiquei tão feliz, é a primeira vez que um piloto é campeão de Ford desde Ari Vatanen em 81! Marcus Gronholm bateu muito na trave em 2006 (apesar de ter ajudado com o título de construtores pra marca, tal como no ano seguinte), mas dessa vez, merecidíssmo, primeira vez que torci pro Ogier na vida haha eu como fordeiro estou muito feliz mesmo.

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