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5 de novembro de 2017 - 19:42Mundial de Endurance

6h de Xangai: Toyota vence, Porsche leva título e Senna assume liderança na LMP2

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Tarde demais: a Toyota conquistou a quarta vitória em 2017 e não conseguiu impedir que a Porsche chegasse ao título de pilotos e construtores do WEC com uma etapa de antecipação

RIO DE JANEIRO - Pela terceira vez em seis oportunidades, a Toyota conquistou as 6h de Xangai, antepenúltima etapa do Mundial de Endurance (FIA WEC) de 2017. Numa performance dominante, em que liderou 165 das 195 voltas percorridas na pista chinesa, a trinca Sébastien Buemi/Kazuki Nakajma/Anthony Davidson conquistou a quarta vitória dos japoneses em 2017 e a segunda consecutiva. Insuficiente, porém, para tirar da Porsche o título mundial de Construtores pelo terceiro ano seguido e também dos líderes do campeonato.

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Título merecido para Earl Bamber, Brendon Hartley e Timo Bernhard, que venceram inclusive a corrida mais importante da temporada, as 24 Horas de Le Mans

Precisando apenas de um 4º lugar para levar o troféu sem depender de outros resultados, os neozelandeses Earl Bamber e Brendon Hartley, junto ao alemão Timo Bernhard, sacramentaram a conquista antecipada do WEC ao chegar em segundo, uma volta inteira atrás dos ganhadores. Se em ritmo de corrida a Porsche não teve nenhuma chance contra a Toyota – que liderou todas as voltas do início ao fim – pelo menos houve confiabilidade e resistência para se chegar ao título de forma merecida. Após as 6h de Xangai, a tabela apontava 190 pontos e quatro vitórias da trinca dos teutônicos contra 158 de Buemi e Nakajima, com as mesmas quatro vitórias dos rivais.

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A equipe da Porsche celebra o tricampeonato da marca de Weissach entre os construtores no WEC. Uma despedida com estilo…

A Toyota chegou à sua 15ª vitória no WEC e teve a chance de fazê-lo em dobradinha, o que não impediria o título da Porsche, também vitoriosa nas Marcas com 303 pontos contra 249,5 da rival. Mas o carro #7 de José María López/Mike Conway/Kamui Kobayashi, que inclusive estava na liderança da corrida, chocou-se com o Porsche LMGTE-PRO de Richard Lietz/Fred Makowiecki, forçando o protótipo a uma parada extra de 13 minutos nos boxes, que o fez perder sete voltas ao todo.

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Bruno Senna (troféu erguido mais ao alto) celebra no pódio com os companheiros de Vaillante Rebellion: vitória e liderança no momento crucial do campeonato da LMP2

Reviravolta – ótima, por sinal, na LMP2: com três vitórias consecutivas nas últimas quatro etapas, a Vaillante Rebellion desalojou a Jackie Chan DC Racing da liderança do campeonato na categoria. E por consequência, Bruno Senna e Julien Canal assumem a liderança do WEC entre os pilotos da classe com 161 pontos – quatro à frente de Ho-Pin Tung/Oliver Jarvis/Thomas Laurent. Assim, basta à trinca do #31 que tem ainda o francês Nicolas Prost terminar à frente dos rivais ou então marcar três pontos a menos que o título é possível.

“Acho que agora estamos onde deveríamos estar desde o início do campeonato. Começamos sem testar, praticamente virgens com o carro, e tivemos de desenvolvê-lo ao longo do ano. E era um carro com muito potencial”, exultou Bruno. “Vamos correr com a mentalidade de sempre, de chegar na frente. Mas é claro que estaremos de olho nos adversários diretos. Tudo o que eles não podem fazer é ganhar. Todos os demais resultados nos favorecem, mesmo que a gente termine atrás deles na última etapa”, completou.

Esta etapa foi a segunda em que três brasileiros subiram ao pódio na LMP2, já que André Negrão e seus parceiros Gustavo Menezes – que reúne ainda chances matemáticas de título – e Nicolas Lapierre chegaram em 2º. Foi o quarto pódio consecutivo do piloto de Campinas e o quinto na temporada, onde ele é o 5º colocado com 119 pontos e uma corrida a menos que os adversários – sem contar o abandono em Nürburgring.

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Na raça: sem pneus novos no stint final, Nelsinho Piquet ajudou seus companheiros de equipe com uma importante ultrapassagem sobre o carro da Jackie Chan DC Racing e levou o #13 ao pódio

Nelsinho Piquet, na trinca com Mathias Beche e David Heinemeier-Hänsson, sobreviveu à uma disputa bastante atribulada no início, com direito a contatos com o carro da G-Drive guiado por Nico Müller e depois com um Porsche da LMGTE-AM. Depois, mesmo tendo que cuidar dos pneus, já que os jogos novos do carro #13 foram para o espaço e com compostos “scuff”, recondicionados, o brasileiro ainda conseguiu uma ultrapassagem espetacular e importante, já que desalojou do pódio exatamente os rivais de seu companheiro Bruno Senna.

“Queríamos ter vencido mas pelo setup que escolhemos não daria para ganhar, mas dava para ter ficado em segundo. Vamos para a última corrida e tentar vencer a primeira na temporada”, comentou o brasileiro.

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Harry Tincknell e Andy Priaulx venceram na LMGTE-PRO e seguem no páreo pelo título mundial entre os pilotos de Grã-Turismo

Na LMGTE-PRO, após o domínio inicial do Porsche de Michael Christensen e Kévin Estre, que liderou 57 voltas e foi o único carro da categoria que acabou fora de combate, a Ford espantou a maré de azar das últimas provas e a dupla Harry Tincknell/Andy Priaulx conquistou uma importante vitória ao derrotar o outro carro do construtor alemão, da dupla Lietz/Makowiecki, por pouco mais de onze segundos.

A Ferrari não teve ritmo no início de corrida, mas conseguiu evoluir ao longo das seis horas de prova e o 3º lugar de Alessandro Pier Guidi/James Calado foi fundamental. Em todos os sentidos: não só manteve a dupla na liderança do Mundial de pilotos de Grã-Turismo como também deu ao construtor de Maranello o título mundial antecipado, com 261 pontos somados contra 212,5 da Ford, que vem em segundo lugar a um ponto e meio da Porsche.

E se segurem porque a disputa do Mundial de Pilotos promete ser espetacular: Pier Guidi/Calado têm 135 pontos, dois apenas na frente de Lietz/Makowiecki. Priaulx/Tincknell também estão no páreo, com oito pontos e meio de desvantagem. Três duplas de três marcas diferentes e qualquer um deles poderá sair do Bahrein campeão do mundo.

Na LMGTE-AM, a Aston Martin conquistou a 50ª vitória da marca com o modelo Vantage GTE, cuja versão atual está perto do fim nas pistas. E foi uma conquista importante para Mathias Lauda/Pedro Lamy/Paul Dalla Lana, já que a trinca do time britânico abriu 10 pontos de vantagem para Christian Ried/Marvin Dienst/Matteo Cairoli.

A prova de Xangai marcou também o melhor resultado da Gulf Racing UK no WEC, numa ótima corrida de Ben Barker/Nick Foster/Khaled Al-Qubaisi, que terminaram em 2º na categoria à frente do trio da Dempsey Racing-Proton. Keita Sawa/Mok Weng Sun/Matt Griffin ficaram com a quarta posição na classe e viram suas chances de título diminuírem após um acidente em que a outra Ferrari inscrita – a #54 da Spirit of Race – acabou indo à nocaute após completar apenas 37 voltas em virtude de danos irreversíveis no bólido.

Com o título na LMP1 definido, as atenções se voltam para as demais classes no Bahrein. E a corrida do próximo dia 18, com chegada à noite no circuito de Sakhir, promete ser espetacular, na despedida dos barenitas do calendário do WEC, já que o país foi limado da próxima Super Series que começa em maio de 2018 com as 6h de Spa-Francorchamps.

7 comentários

  1. Gustavo disse:

    O Wec é uma grande festa,grande corrida,muitas rodadas e acidentes polêmicos,ultrapassagens,emoção do início ao fim.

  2. Romulo Dias disse:

    Excelente prova.
    A muito que o Bruno Senna e o Nelsinho tornaram-se dos principais pilotos de LMP2 do WEC.
    Acredito muito nesse título da Rebellion com o Senna, aliás, uma pena o Prost não estar na disputa pela ausência em uma corrida que conflitou com a F-E. Um título mundial para essa dupla seria histórico pelos sobrenomes envolvidos.
    Torço por uma dobradinha da Rebellion na última prova, com vitória para a trinca do Nelsinho.

  3. Fernando Silva disse:

    Como era previsto, fatura liquidada na LMP1. E na LMP2 parece que o Jackie Chan vai ficar no “cheirinho”, diriam lá no Rio…porque a Rebellion tomou a ponta na hora certa e, de quebra, pode dar ao Brasil, um título mundial na subclasse do WEC.
    A coisa vei ferver mesmo na LMGTE Pro, onde aposto na disputa direta entre duas duplas: Pier Guidi/Calado e Lietz/Makowiecki. Minha torcida é que a Porsche belisque a vitória na última prova e leve o caneco de pilotos.
    Mesmo com a vitória em Xangai não boto fé na Chip Ganassi…o #67 foi monstruoso no início…com uma performance até Le Mans, quando tinha Pipo Derani entre os pilotos, e outra (desastrosa) depois, reagindo só agora…uma pena, pois o carro é lindo e resistente. Acho que o Mr Chip deveria realocar as duplas entre o WEC e IMSA e trazer ao mundial a melhor que ele tem: Dirk Muller/Joey Hand…poderia também trazer um parceiro mais consistente para o Richard Westbrook (Briscoe é bem mediano, convenhamos…), que também considero excelente piloto e que ajudaria demais o Ford GT a buscar um lugar melhor no mundial.

    • Rodrigo Mattar disse:

      Fernando, a esta altura do campeonato acho que uma mudança na Ganassi está totalmente fora de questão.

      • Fernando Silva disse:

        Para este é impraticável realmente…até porque eles ainda estão no páreo com o Tinknell e Priaulx, quis dizer que, se eu fosse o Chip Ganassi faria a mudança para a proxima temporada. Acho que as duplas dele estão um pouco abaixo em termos de performance das duas da AF Corse, Porsche e Aston Martin, apesar do bom carro. O Pla, por exemplo, se mostra muito melhor guiando LMP2.

  4. Gabriel Medina, El otro disse:

    Rodrigo, quem estava no carro da Rebellion durante a disputa com o Nico Muller?

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