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18 de novembro de 2017 - 20:44Mundial de Endurance

6h do Bahrein: Toyota vence 50ª prova do WEC e Senna é campeão, com emoção

MOTORSPORT : FIA WEC - ROUND 9 - 6 HOURS OF BAHRAIN - SAKHIR (BHR) - 11/16-18/2017

Exibição de gala do trio da Vaillante Rebellion culminou com chave de ouro: Bruno Senna e o francês Julien Canal conquistaram o título mundial da LMP2 após uma dura disputa contra a Jackie Chan DC Racing

RIO DE JANEIRO - O Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC) já tinha dono desde a etapa anterior em Xangai, quando a Porsche faturou os troféus entre os construtores e pilotos de Protótipos. Mas ainda faltava muita coisa a se decidir na última corrida da temporada. E a frenética prova de despedida das 6h do Bahrein, que contou também como o 50º evento da história da categoria desde 2012, ainda reservou muita emoção ao torcedor brasileiro.

Após três décadas, um piloto do país torna a conquistar um título de relevância em corridas de longa duração – com um sobrenome mais do que icônico da história do esporte a motor: Bruno Senna, aos 34 anos, levou o troféu de campeão na classe LMP2 junto ao francês Julien Canal, com uma exibição de garra e entrega, fundamentais para a conquista.

A trinca do #31 da Vaillante Rebellion reverteu na pista o quadro que, durante grande parte da disputa, foi amplamente favorável à trinca do #38 da Jackie Chan DC Racing. O carro guiado por Oliver Jarvis/Thomas Laurent/Ho-Pin Tung ficou várias voltas na posição de líder – o que com o carro da Vaillante Rebellion ocupando o 2º lugar daria o título aos adversários.

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Vibração no pódio!

A estratégia, sempre um fator crucial nas corridas do WEC, foi mais uma vez um fator decisivo – além de uma parada extra dos rivais, fato que deixou a Vaillante Rebellion muito próxima do título. Não sem uma boa dose de drama: a menos de uma hora para o final, a direção hidráulica teve uma pane. “O carro está muito pesado!”, queixou-se Bruno, via rádio. Depois, resetou o volante e tudo entrou de novo nos eixos.

A equipe chegou a colocar Nicolas Prost de sobreaviso, caso Senna não desse conta do recado. Mas o brasileiro foi em frente. Não fraquejou. No último pit stop, o #31 parou apenas para reabastecimento. Foi o suficiente para superar a Jackie Chan DC Racing e conquistar um suado e merecido título, coroado por uma reação incrível que culminou com quatro vitórias nas últimas cinco provas do FIA WEC.

“Não conheço alguém que tenha esperado tanto para vencer um campeonato como eu”, comentou Bruno após a corrida. “São 14 anos de carreira. Nunca havia conquistado um título. É um sentimento extraordinário. Quero agradecer aos caras (Julien e Nico) e à equipe pelo que fizeram ao longo do ano. Foi maravilhoso!”, disse.

Registre-se que Prost (outro herdeiro de um sobrenome não menos famoso) só não foi campeão porque ausentou-se das 6h de Nürburgring, priorizando a Fórmula E na rodada dupla disputada em Nova York, no mesmo fim de semana da corrida alemã. O filho de Alain terminou o campeonato em 3º lugar.

A recuperação da Vaillante Rebellion foi impressionante na segunda metade do campeonato e a consistência da performance dos dois carros pôde ser comprovada por mais um pódio de Nelsinho Piquet ao lado de Mathias Beche e David Heinemeier-Hänsson. A trinca chegou a andar nas últimas posições da categoria, mas com forte ritmo, chegaram a mais um pódio – ocupando eventualmente o 2º lugar da categoria.

“Gostaríamos de ter terminado a temporada com a vitória, é claro, mas tivemos uma boa estratégia e conquistamos mais um pódio. No fim da prova tivemos dificuldades com os pneus e nas últimas duas horas o carro ficou difícil de pilotar. Fizemos o possível para terminar na terceira posição”, afirmou Nelsinho.

Por falar em dificuldades com os pneus, já que se trabalha com limitação de jogos no Mundial de Endurance, André Negrão e seus parceiros Gustavo Menezes e Nico Lapierre lutaram muito numa corrida de altos e baixos para superar os dois carros da Manor – que foram as boas surpresas no início. A trinca da Signatech-Alpine Matmut fechou em 4º lugar na categoria e oitavo na geral.

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Com o triunfo de Sébastien Buemi/Anthony Davidson/Kazuki Nakajima, a Toyota passou a Porsche em número de vitórias no WEC em 2017: cinco contra quatro. O pecado é que os japoneses não vencem a corrida mais importante da temporada…

A vitória da última etapa de 2017, após 199 voltas completadas, ficou com a Toyota – que ironicamente venceu mais corridas que a Porsche (cinco contra quatro), falhando quando não deveria – nas 24 Horas de Le Mans, a corrida mais importante do campeonato e que, pela última vez, vai ofertar pontos em dobro aos vencedores. História que contarei em breve.

A trinca formada por Sébastien Buemi/Anthony Davidson/Kazuki Nakajima (que usou no carro o mesmo motor que correu as etapas anteriores em Austin, Fuji e Xangai, é bom registrar) deu à marca japonesa a 16ª vitória no WEC, impedindo assim que a Porsche superasse o recorde que ela detém junto com a Audi, ambas com 17 triunfos. Os bólidos do construtor alemão, que fizeram sua última corrida no Mundial sob as vistas do CEO do Volkswagen Group, Mathias Müller, tiveram uma prova atribulada. O #2 atropelou um dos pinos de plástico à margem da pista e o #1 (que inclusive não venceu nenhuma corrida) bateu com um retardatário da classe LMGTE-AM.

Mas a Toyota também teve seus problemas com o #7 de Pechito López/Kamui Kobayashi/Mike Conway. Quando liderava a prova, Koba calculou mal a manobra de ultrapassagem sobre um Porsche da LMGTE-PRO e o resultado foi um acidente que implicou em danos no TS050 Hybrid da trinca e, posteriormente, num stop & go penalty – assim como o Porsche de Neel Jani/Nick Tandy/Andre Lotterer, que pelo menos salvou o pódio.

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Sem poder ganhar o título de Fórmula 1 nos 70 anos da marca, a Ferrari fez a festa no WEC: ganhou o Mundial de Construtores e fez de James Calado e Alessandro Pier Guidi os campeões de Grã-Turismo em 2017

Esse Porsche que foi tirado de esquadro inclusive brigava pela vitória na sua categoria. Que acabou ficando com a Ferrari – pelo menos os italianos tiveram algo a comemorar no 70º aniversário de fundação da Casa de Maranello. A marca já havia abocanhado o título de Construtores e hoje deu Alessandro Pier Guidi/James Calado na cabeça: a dupla do #51 da AF Corse chegou em 2º na pista e levou o título mundial de pilotos de Grã-Turismo, alcançando 153 pontos na tabela.

Os mais diretos rivais não puderam lutar contra os dois carros vermelhos e até que o Ford de Harry Tincknell/Andy Priaulx ofereceu alguma resistência no começo. Mas a dupla da Ganassi acabou mesmo em quarto na prova e terceiro no campeonato. O vice foi de Fred Makowiecki/Richard Lietz, da equipe oficial Porsche.

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Pedro Lamy/Mathias Lauda/Paul Dalla Lana não deixaram escapar a chance e conquistaram o troféu da temporada na LMGTE-AM

A Aston Martin despediu-se de seu Vantage GTE com modestos 6º e 7º lugares na LMGTE-PRO, mas o construtor britânico levou merecidamente o título na LMGTE-AM, ofertando enfim a Paul Dalla Lana/Pedro Lamy/Mathias Lauda um troféu que lhes escapara no ano passado. A trinca do #98 ganhou na categoria com vantagem de 1’17″534 para a Ferrari de Mok Weng Sun/Keita Sawa/Matt Griffin, da Clearwater Racing. A Spirit of Race despediu-se de 2017 com um pódio e o vice-campeonato ficou com a trinca da Dempsey Racing-Proton, formada por Marvin Dienst/Matteo Cairoli/Christian Ried.

E chega ao fim a verdadeira volta ao mundo que o WEC nos proporcionou em 2017. Foram 72h de corridas, nove etapas – duas delas com transmissão ao vivo do Fox Sports, incluindo uma histórica cobertura das 24h de Le Mans. Mais uma vez comprovou-se que há vida fora da Fórmula 1 e o título de Bruno Senna nos traz mais essa certeza. Já estou com saudade dessa temporada e em 2018/19, mesmo sem a Porsche, haverá muitas novidades, com a volta da BMW e o grito dos independentes na LMP1.

Que venha maio e as 6h de Spa, abrindo a “Super Season”. A vocês que acompanham o campeonato no Fox Sports, obrigado pela audiência e pela paciência. Ano que vem tem mais.

1 comentário

  1. LUIS FELIPE BEZERRA disse:

    Um fato a ser mencionado é que Bruno foi campeão com a mesma idade que o tio morreu.

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