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30 de janeiro de 2018 - 00:48Opinião, Stock Car

A Stock não se ajuda

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Em 2016, Antonio Pizzonia estava fora da Stock Car: foi escalado para dividir um carro com Marcos Gomes e os dois ganharam a Corrida de Duplas. Quem está fora da categoria e tenha corrido um número limite de vezes nos últimos anos não poderá ser escolhido por nenhum piloto para o evento deste ano: a Vicar deseja “internacionalizar” a prova inaugural da temporada 2018, o que se revelou alvo de revolta de pilotos como Rodrigo Sperafico e Vitor Meira

RIO DE JANEIRO - Falta mais de um mês para começar a temporada de 2018 da Stock Car. E a principal categoria do capenga automobilismo brasileiro se vê envolvida em polêmicas. Mais uma vez.

O cerne da questão é o regulamento para a Corrida de Duplas, que abre o campeonato em março próximo, no dia 10 (sim, num sábado). A Vicar decidiu por uma internacionalização do evento, cabendo às equipes convidar os pilotos para formar as parcerias com os titulares da Stock – desde que esses nomes tenham disponibilidade. A equipe de Cacá Bueno foi uma das que agiu rápido e confirmou Felipe Massa. Mas outras parcerias ainda estão em aberto e é aí que está, como diria Noel Rosa, o “xis” do problema.

Piloto que passou pela Stock Car entre 2011 e 2017 em pelo menos seis corridas e não é titular neste ano? Não pode mais. Quem terminou de 15º lugar pra baixo no último ano pode chamar pilotos do Brasileiro de Turismo, que neste ano volta a se chamar Stock Light. E essa regra, comunicada apenas há poucos dias, gerou revolta em pilotos como Rodrigo Sperafico e Vitor Meira, barrados no baile.

A regra diz que “preferencialmente o piloto deve ter participado dos campeonatos de relevância internacional nos últimos cinco anos” e lista categorias como a F1, DTM, WTCC, Mundial de Endurance, Indy, SportsCar, Nascar, BTCC, Blancpain GT Series, Super GT Japonesa, Super Formula, V8 Supercars, Fórmula E, WRC, MotoGP, Super TC2000 e Turismo Carretera, as últimas da Argentina.

Regra é regra e se está estabelecido, tem que ser cumprido, acho que isso aí não se discute. Se a Vicar deseja assim, problema é dela. Mas a inabilidade que os organizadores da Stock Car têm em aplicar essas situações e provocar celeuma por conta delas é algo que me espanta. Para uma categoria criada em 1979, que comemora 40 temporadas neste ano, é até constrangedor que isso aconteça. Especialmente quando se quer ter mídia com a Corrida de Duplas inclusive lá fora. Aliás, a prova terá formato de disputa com 60 minutos, troca de pilotos – óbvio, de pneus e também reabastecimento.

Até concordo com o argumento de que muito piloto de fora que não conhece o carro da Stock levaria “pau” de pilotos como o próprio Sperafico, que venceu a Corrida de Duplas com Felipe Fraga em 2014 e é bastante familiarizado com a categoria. Certamente, um Juan Pablo Montoya da vida, por exemplo, não aceitaria se sujeitar a isso. E olha até que o colombiano pode ser uma das atrações: apenas pilotos da Nascar, da Fórmula Indy e até mesmo do WRC não poderão estar presentes ao evento porque há eventos das respectivas categorias naquele fim de semana.

Por outro lado, a própria Stock não se ajuda, criando barreira para possíveis convidados – repito, o problema é da Vicar – e, além disto, divulgando um calendário cheio de brechas e datas com os adendos “alternativa” e “indefinido”. Difícil hoje uma categoria profissional ter tanto “To Be Announced”, como às vezes até vemos na Europa e EUA – mas a situação, lá, é logo resolvida.

Só aqui que não. Afora o ridículo que é parar um campeonato por três meses por causa da Copa do Mundo. Ridículo não, surreal. Vejam por exemplo se a Fórmula 1 deixa de ter corrida? A Nascar para? As 24 Horas de Le Mans serão no mesmo fim de semana em que se iniciam as partidas do Mundial da Rússia e nem por isso os franceses cogitaram antecipar ou adiar a prova, só porque por 30 dias a bola rola na terra de Lenin e Stalin.

Ah… e um passarinho me contou que tem piloto que nem foi ainda anunciado oficialmente na categoria, e que já está aprontando das suas nos bastidores. Por exemplo: vetando um nome praticamente certo para dividir o carro na Corrida de Duplas e trazendo outro a seu bel-prazer.

Sem comentários…

8 comentários

  1. Ronaldo disse:

    Armação típica de braço duro ! kkkkkkkkkkkkkk

  2. Robertom disse:

    A Vicar tomou a decisão mais errada e estúpida possível, forçou a barra para que mais pilotos estrangeiros e brasileiros que correm no exterior viessem para o evento, mas certamente não existem tantos interessados. Uma “pisada na bola” do Rodrigo Mathias, um executivo do ramo de entretenimento cheio de conversa mole e sem qualquer vínculo com o esporte motor.

  3. Marcos Ferreira disse:

    Terra brasilis meu caro Rodrigo, terras brasilis…

  4. Emmanuel disse:

    mas que Disgrassi!!!!

  5. João Ferreira disse:

    Deixe-me perguntar uma coisa, as outras categorias, como DTM, NASCAR, V8 Supercars ou outra qualquer, tem esta regra???

  6. Fernando Silva disse:

    As vezes penso que a Stock, e seus executivos precisam se levar a sério e, apesar de ter melhorado visivelmente seu nível como um todo, ainda tem uns pilotinhos bem intragáveis ali que acabam por estragar tudo.

  7. Moises disse:

    O maior dos absurdos é a paralisação por 3 meses do campeonato! Para que isso??
    E porquê não tenta expandir o calendário novamente para outros circuitos FIA do país, ao invés de repetir provas sempre nas mesmas praças. Ok, tem público lá, a NASCAR faz o mesmo, mas pra quem só vê pela TV, acho que outras praças seria bom. Aqui em Salvador seria uma boa pedida!!

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