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1 de fevereiro de 2018 - 14:11Automobilismo Nacional

Precisamos falar sobre Interlagos

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A luta por Interlagos é também pela sobrevivência do automobilismo brasileiro. Precisamos apoiar a comissão Interlagos Hoje, antes que façam com o Autódromo o que se fez com Jacarepaguá. O movimento é liderado por Sergio Berti (Foto: Cláudio Larangeira/Reprodução Grande Prêmio)

RIO DE JANEIRO - Antes que façam com Interlagos o que deixaram fazer com Jacarepaguá na mão grande, a comunidade automobilística paulistana está se mexendo. E não só ela: a Confederação Brasileira de Automobilismo e a de Motociclismo também fazem parte do ‘levante’ que tentará impedir o odioso processo de privatização do complexo de Interlagos – autódromo e kartódromo.

Foi entregue uma petição ao Ministério Público Estadual (MPE) pela chamada comissão Interlagos Hoje e também pela Federação de Automobilismo do Estado de São Paulo (FASP), questionando os rumos e a finalidade dessa suposta privatização. O líder da comissão, Sergio Berti, afirmou o seguinte em comunicado emitido à imprensa.

“Nós entendemos que as propostas apresentadas pelo prefeito João Doria Júnior carecem de fundamento básico: sua promessa de privatizar Interlagos e garantir a continuidade do uso para o qual o circuito foi construído não encontra respaldo legal. Uma vez tornado propriedade particular, não há lei que garanta isso”.

“Eu acho que a privatização não vai acontecer. Por alguns motivos: primeiro, porque o autódromo não vale o que o Doria diz que vale hoje, não é a realidade do terreno. Ele começou falando em R$ 3,2 bilhões; agora baixou para R$ 2 bilhões. E mesmo que o terreno valesse isso, ele está querendo vender com a condição de o comprador adquirir 1 milhão de m² e usar apenas 300 mil. Ele está garantindo que o esporte a motor vai permanecer lá, mas, obviamente, não existe um empresário bem-sucedido e inteligente que vai investir desta forma – essa é minha percepção”, ponderou em declarações publicadas pelo Grande Prêmio.

“Agora, pelo lado político, [a privatização] é possível porque existe uma Câmara Municipal com alguns vereadores com o maior interesse que ali haja uma maior expansão e exploração imobiliária. A maioria dos vereadores não tem ideia do que é Interlagos. Meia dúzia sabe que Interlagos tem outras atividades fora da F1, mas a maioria não tem a menor ideia. Então é uma ideia populista do Doria, porque a maioria acha que Interlagos é só a F1. Alguns dos vereadores têm interesse nessa ação populista”, declarou Sergio.

“A nossa ação é muito clara. Desde que o Doria venceu as eleições, ou mesmo antes de ele assumir, nós tivemos uma reunião na Câmara a convite do ‘Zuzinha’ (Mário Covas Neto) sobre isso. Nessa reunião, nós achávamos que o Zuzinha traria uma proposta efetiva do Doria, na linha: ‘Vou vender, mas vou manter desta forma’. Mas a partir daquela reunião, percebemos que, do nosso lado, os automobilistas de São Paulo não estavam coerentes com a reinvindicação. Teve gente que queria voltar com o circuito antigo, teve gente que queria voltar com a curva 3. E na verdade, num primeiro momento a intenção primeira é preservar o esporte a motor [em Interlagos], agregando também moto e kart”, continuou.

Segundo o Grande Prêmio, a própria CBA e a comissão Interlagos Hoje pediram audiências públicas para tratar com a prefeitura sobre a questão da privatização. Jamais foram atendidas.

Ah! Se no Rio de Janeiro a história tivesse sido diferente… se os políticos dessa terra onde vivo não fossem tão canalhas, tão vivaldinos, começando por Cesar Maia, passando por Eduardo Paes e desembocando em seus filhotes políticos – aliás, Paes é herdeiro direto de Maia no modo de ser e agir. E como não esquecer também de Carlos Arthur Nuzman? – sim, considero-o um dos grandes vilões da destruição do Autódromo de Jacarepaguá. Fizeram aquela ‘água’ toda com ele, o prenderam e depois o soltaram. Infelizmente é assim que funcionam as coisas.

Embora até ache o esforço da CBA louvável por Interlagos, não vou deixar de dar uma cotovelada na atual administração e principalmente na corrupta gestão de Cleyton Pinteiro.

E O AUTÓDROMO DO RIO DE JANEIRO? Vai virar conto do vigário?

11 comentários

  1. Leonardo Silva Conrado disse:

    Não sou contra a privatização, pois acho que a cidade de SP tem outras prioridades do que ficar gastando em um autódromo todo ano para a F1, mas acho que antes da privatização ocorrer deve se criar uma lei para se manter tanto o autódromo quanto o kartódromo, como patrimônio histórico da cidade. O problema é que o prefeito João Dória, está fazendo de um jeito que não passa confiança nenhuma para a comunidade automobilística, dando a entender que o autódromo vai ser destruído. Neste caso, sou a favor da ação que a FASP entrou no ministério público de SP, pois acho que o prefeito deve esclarecer melhor o que ele quer fazer com o autódromo, e que tipo de comprador ele quer que o autódromo seja adquirido.

  2. caio murilo disse:

    vão privatizarem,,,o novo dono vai usar um tempo no automobilismo.,,verá q n foi negócio,,,construirá imoveis para vender,,,infelismente simpes assim.

  3. Luigi disse:

    Eu gostaria de saber; porque pessoas quando elegem-se para cargos do executivos mudam de comissionados pelo povo e gestores dos bens públicos, para donos do povo e dos bens públicos. A ponto de tomarem decisões unilaterais, sem ao menos consultar a quem possa interessar.
    Más isto deve ser porque as “consultas” já foram feitas a seus amigos empresários loucos para especular com o ganho da especulação imobiliária de um terreno sub valorizado,que poderá ser vendido para algum de seus pares , empresários bem sucedidos com a exploração imobiliária de condomínio de alto padrão. Se a sociedade interessada em manter os espaços públicos não se movimentar.
    Outra observação, em países que a coisa pública é tratada com honestidade e seriedade, as auto estradas que comportam trânsito pesado , seu leito transitável deve aguentar 10 anos. Então me causa estranheza , que todo ano Interlagos tenha que sofrer recapeamento de e alguma outra obra que sempre deixam aqueles mesmo empresários frequentadores da República de Curitiba, alegres.

    • Rodrigo Mattar disse:

      Ou você acha que no Rio de Janeiro o fim de Jacarepaguá não foi pensando nesse ganho imobiliário?

      Aliás, não sei como até agora não derrubaram o parque olímpico pra subir prédios, pois era o plano deles.

      • Diogo disse:

        Mattar, não derrubaram o parque olímpico para construir mais prédios porque os atuais da Vila Olímpica encalharam, de tão mal construídos que foram.

      • Rodrigo Mattar disse:

        Mal construídos não foram. O problema é que se acreditou nas mentiras de Cabral e sua gangue, que quebraram o Rio de Janeiro. Simples.

      • Diogo disse:

        Mattar, lembre-se que a delegação da Austrália, na época, chegou a desocupar seus alojamentos devido aos problemas encontrados nos apartamentos (banheiros entupidos, falta de água…)

    • Levi disse:

      O AIC sofre constantes ofensivas de especuladores imobiliários e só sobrevive graças a pessoas que amam o esporte.

  4. regii silva disse:

    Interlagos pertence a quem?

    Uma pergunta tão simples, com no mínimo duas respostas.
    Automobilistas dirão que Interlagos é um patrimônio histórico da cidade de São Paulo e por este motivo deve ser mantido exatamente como está. E estão corretos no modo de pensar, Interlagos realmente é um palco histórico do esporte a motor brasileiro.
    O Prefeito, alguns políticos, integrantes da sociedade podem dizer que Interlagos, enquanto propriedade, pertence ao município, e de certa forma ao povo da cidade de São Paulo. E estão corretos quando se referem a Interlagos apenas como propriedade.
    Em ambos os casos, visto como “templo histórico do automobilismo” ou como “latifúndio”, as duas partes se referem ao “povo” como o real proprietário. Será?
    Na hipótese de uma privatização do terreno, ou no português claro, venda do terreno, que vantagens o povo da cidade de São Paulo teria com isso? Claro que dependeria do tipo de empreendimento que ali fosse construído, digamos que fosse um condomínio de luxo, que vantagem o povo comum da regional de Jurubatuba teria? Nenhuma. Ponto para o Automobilismo? Não.
    Seja o que for que aconteça com o Autódromo de Interlagos, o mesmo “povo” que as “autoridades” e os “automobilistas” apontam como dono, seguirá sem ter acesso ao “seu” terreno.
    Quantas pessoas que moram ao redor de Interlagos tem acesso livre ao autódromo nos dias de hoje? Nos tempos de Rubens Barrichello, cujos avós eram vizinhos do autódromo, pode até ser, mas e hoje? Quantos meninos das comunidades vizinhas de Interlagos podem andar livremente com suas bicicletas na pista?
    O Automobilismo no Brasil, em todas as regiões do país sempre foi marginalizado, no sentido de estar à margem dos demais esportes, o automobilismo por ser esporte caro, sempre foi visto pela grande maioria da sociedade como um esporte de rico, um esporte inatingível, e o que o “Automobilismo” fez ao longo dos anos? Distanciou-se ainda mais das pessoas, se fechou no seu mundo, se agarrou às conquistas já obtidas, entre elas “autódromos”, títulos de nossos pilotos conquistados lá fora, um herói nacional criado com vitorias num tempo onde o país era a cara da derrota, um mito criado com a morte deste herói.
    Hoje é fácil perceber que isto não foi o suficiente, num país sem memória, é claro que mais cedo ou mais tarde isso iria se acabar, mas enquanto a chama estava acesa, o que foi feito?
    Onde está a aproximação do “público” ou “povo” com o Esporte e com Interlagos?
    Outro dia li um absurdo em tom autoritário de um “automobilista” que reclamava de um evento de musica que aconteceria em Interlagos.
    Mas Interlagos não é do povo? Ou é só do povo que acelera?
    Interlagos é do povo? Ou só do povo que privatiza?
    Interlagos é do povo? Ou só de quem pagar o preço que pedirão por ele?
    Precisamos realmente de um Autódromo aqui, um Sambódromo lá, uma cidade do Rock acolá? Não poderia estar tudo num só lugar?
    Dia desses perguntei a alguns amigos do meio; E se o Maracanã fosse implodido para dar lugar a um condomínio?
    A resposta desta pergunta é a resposta para o que aconteceu em Jacarepaguá e o que está prestes a acontecer com Interlagos. Ninguém está dando a mínima para o esporte do outro, vivemos no país do futebol, onde 95% da mídia esportiva está voltada para este esporte e os outros 5% dividido entre todos os demais.
    O Autódromo de Interlagos desde 1940 vem ocupando um terreno de 960.000 m2 única e exclusivamente voltado para a prática de uma única modalidade esportiva. Foi com esta mesmo linha de raciocínio que acabaram convencendo a maioria da população do Rio de Janeiro, exceto os “automobilistas”, de que para o bem de uma gama muito maior de modalidades esportivas, justificaria a desativação de Jacarepaguá e construção do Parque Olímpico.
    Não será novidade nenhuma se durante uma consulta publica ou votação, a maioria esmagadora da população de São Paulo, vote pela desativação do Autódromo. Afinal, para assistir a Formula 1 pela televisão, tanto faz se a pista é aqui ou em outro país.
    É esta a proximidade que o povo, “dono” do autódromo tem tido do seu “patrimônio”, vendo pela TV, e será a distancia que o hoje “dono” de Interlagos, o povo, terá das luxuosas Torres e Shopping Centers que ali se planeja construir.
    Seja como autódromo ou como condomínio, o “dono” estará sempre dos portões para fora. E não me venham dizer que assistir algo da arquibancada é ter acesso a Interlagos. Assim como ver um jogo da arquibancada não é jogar.
    Automobilismo é esporte que não se pratica, menos de 0,5% da população do país já sentou ao menos uma vez num Kart, ao passo que crianças nascem jogando bola, e a comunidade do Automobilismo, nada fez e nada fará para mudar isso.
    Futebol, vôlei, tênis de mesa, ginástica, natação e acreditem, até tênis pode ser praticado nas escolas, em ginásios municipais e praças públicas, o automobilismo não.
    O automobilismo, seus poucos praticantes, gestores e até a própria mídia esportiva, se colocaram à margem de tudo, se fecharam num mundo onde ver uma prova de ciclismo na “sua” pista era quase um crime, infelizmente agora é um pouco tarde para tornar o automobilismo mais popular, porem, talvez não seja tarde para manter Interlagos. Mas é preciso ideias, projetos e nestes projetos incluir a participação do seu verdadeiro “dono”, o povo, e nesta luta, quem tiver o “dono” ao seu lado, será bem sucedido.

    Regii Silva

  5. Alexandre Paiva disse:

    Deodoro é Unidade de Preservação Permanente. O lugar mais indicado atualnente é Guaratiba. A verba para construção pode ser privada e a administração municipal.

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