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13 de março de 2018 - 00:24Motovelocidade

Waldi

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Ralf Waldmann (1966-2018)

RIO DE JANEIRO - O fim de semana foi mesmo de enorme tristeza na Alemanha. Além da perda de Siegfried Rauch, um dia antes veio a notícia da morte de Ralf Waldmann, aos 51 anos de idade – supostamente vítima de um ataque cardíaco, no último sábado.

O antigo piloto de Motovelocidade foi um dos grandes de sua geração e há quem lamente profundamente pelo fato de jamais ter se consagrado campeão do mundo. Em sua longa carreira, que foi de 1986 a 2002, com um retorno breve já aos 43 anos de idade em 2009, Waldmann conquistou 20 vitórias em 196 provas disputadas. Foi vice-campeão mundial de 250cc por dois anos consecutivos, em 1996/1997 e três vezes 3º colocado – uma de 250cc e duas de 125cc.

Ralf deixou saudades e na memória de muitos está marcada na retina a sua última conquista – talvez a mais espetacular de toda sua carreira.

Talvez um dos momentos épicos da história do Mundial de Motociclismo.

GP da Inglaterra, 2000, circuito de Donington Park.

A bordo de uma Aprília com o numeral #6, o piloto jogou com a sorte. Trocou de motocicleta antes da largada, deixando de lado a que estava acertada para o piso seco para a reserva, regulada para o piso molhado, apostando nas incertezas do quase sempre instável clima britânico. Largou com pneus intermediários numa pista meio seca, meio úmida e sacrificou o início de sua corrida. Cabe lembrar que a prova teria 27 voltas e seria um longo dia no escritório para Ralf.

Porém, a chuva molhou o asfalto do traçado britânico e Waldmann, com a moto perfeita a partir daí, iniciou uma reação simplesmente monumental que o levou primeiro para o top 10, depois para o top 5 e subitamente para a 3ª posição, superando Jay Vincent. Waldmann não foi o único: Naoki Matsudo também montou pneus intermediários e vinha no mesmo ritmo.

Mas o alemão estava irresistível naquele dia. Ninguém poderia detê-lo. Tohru Ukawa, muito menos: 2º colocado na disputa, o japonês foi superado com absurda facilidade. E nas últimas voltas, Ralf veio como um bólido, com uma moto perfeita, um acerto de chão fantástico, contra um Olivier Jacque rezando pra disputa terminar o quanto antes e se equilibrando com pneus slicks em sua Yamaha.

Jacque liderou até a última curva, da última volta. Na Goddards, última curva do circuito, Waldmann mergulhou para o tudo ou nada. E deu no que deu: vitória épica do alemão, ovacionado de pé por um público encharcado que urrava e torcia por ele.

É, amigos… não foi só Ayrton Senna que deu recital na chuva em Donington, não. Se temos que aplaudir alguém hoje, por essa história e por muitas outras de uma bonita carreira, esse alguém é Ralf Waldmann.

Bravo, Waldi!

3 comentários

  1. Levi disse:

    Lindo epitáfio! Ralf Waldmann sorri.

    Uma pena ter morrido jovem, 51 anos hoje é ainda a meia-idade. Infartos são crueis.

  2. Vinicius Vergueiro disse:

    Detalhe: Logo depois da épica vitória do Waldmann nas 250cc, Donington iria presenciar a primeira vitória de “The Doctor´´ Valentino Rossi na categoria principal(500cc, atual MotoGP).

    Waldmann em 2003 esteve perto de correr a temporada da MotoGP pela WCM(que tinha acabado de perder a Yamaha e o patrocínio da Red Bull pra aquela temporada), mas acabou declinando, descontente com a bagunça interna do time.

  3. Vinicius Vergueiro disse:

    Uma pena a morte do Waldmann. Que Deus o tenha recebido de braços abertos e conforte os amigos e familiares dele.

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