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1 de maio de 2018 - 10:04Túnel do Tempo

Direto do túnel do tempo (399)

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RIO DE JANEIRO - No recente GP do Azerbaijão, Sergio Pérez conquistou uma marca pessoal na carreira. Após o 3º lugar na pista urbana de Baku, repetindo o feito do ano retrasado, o piloto mexicano tornou-se o representante de seu país com mais pódios na Fórmula 1 – oito no total, superando o ídolo Pedro Rodríguez, que dá nome junto ao irmão Ricardo à pista que sedia o GP do México.

Mais eficiente nos Esporte-Protótipos que na F-1 em termos de resultados e performances, Pedro morreu cedo – tinha apenas 31 anos, quando se envolveu numa batida violenta numa prova de Intersérie em Norisring, na Alemanha, deixando a vida com 54 GPs disputados entre 1963 e 1971.

Rodríguez ganhou duas vezes – em 1967, no GP da África do Sul e em 1970, no GP da Bélgica. E seu último pódio viria numa temporada que começara bem para o piloto, com o quarto posto no GP da Espanha, no Parc Montjuich.

Em 20 de junho de 1971, Pedro e outros 23 pilotos largaram para o GP da Holanda, disputado no circuito de Zandvoort. Aquela pista já era um perigo por conta dos ventos que levavam a areia da região litorânea e do entorno do traçado, modificando completamente a aderência. Com chuva, então…

O piloto mexicano, então na equipe Yardley-BRM, andou muito bem: largou em 2º ao lado do pole position Jacky Ickx, considerado o melhor piloto em pista molhada da época. E os dois deram um show, sumindo do resto do pelotão.

Muito ajudados pelo bom rendimento dos pneus Firestone, eles travaram um excelente duelo pela dianteira nas primeiras trinta voltas de um total de 70. Ickx ponteou até a oitava passagem e foi superado por Rodríguez, que lideraria da nona até a 29ª volta. Nas duas voltas seguintes, os rivais trocaram de posição, mas Jacky pegou a ponta na 32ª e não saiu mais dali. Detalhe: Pedro não desistiu de pressionar o piloto do carro vermelho e chegou a menos de oito segundos do vencedor – e uma volta inteira a frente do 3º colocado, Clay Regazzoni, também de Ferrari com pneus Firestone.

Aquela corrida da Holanda foi mesmo atípica. Basta observar que Jackie Stewart, que já liderava o campeonato e partiria para seu segundo título na carreira, perdeu nada menos que cinco voltas e chegou em 11º – e penúltimo – entre os 12 que viram a quadriculada.

Rodríguez faria ainda o GP da França, em Paul Ricard, o primeiro da história da F-1 em que os carros largaram com pneus slicks, próprios para pista seca, aumentando aderência e velocidade. Não teria tempo, com o acidente fatal, de ver a BRM vencer ainda duas provas naquele mesmo ano com Jo Siffert (Áustria) e Peter Gethin (Itália).

Vitórias que poderiam ter sido de Pedro e talvez Pérez não estivesse comemorando a marca histórica até agora.

Há 47 anos, direto do túnel do tempo.

4 comentários

  1. Maravilha , até porquê é uma ótima categoria,por conta das equipes independentes conseguirem vencer muito mais corridas, e dar imenso,imenso trabalho para equipes de fábricas,fora os pilotos.

  2. Antonio Seabra disse:

    Rodrigo,

    Sem duvida Ickx e Rodriguez eram os 2 pilotos mais rápidos na chuva, naqueles tempos. No GP da França de 1968, primeira vitoria de Ickx na Formula 1, em Rouen e sob chuva, Pedro foi o único piloto a pressionar Jacky, chegando a tomar a liderança por 1 volta, mas depois teve problemas e não completou a prova. Pedro fez também a volta mais rapida da corrida. Essa foi a corrida em que morreu Jo Schlesser.
    Sem prejuízo para a fantastica habilidade desses 2 no molhado, é preciso considerar que os V12 da Ferrari e da BRM tinham uma faixa de torque mais plana, tornando a pilotagem mais suave, o que facilitava a transferência de potencia para o solo. E esse fator é um diferencial e tanto no molhado (vide Bellof em Monaco em 1984, que vinha se aproximando de Senna e Prost na famosa corrida sob, devido a melhor faixa de utilização do Cosworth, severamente penalizado em termos de potencia em relação aos turbos)
    Rodriguez teve uma prova épica na chuva, se não me engano já destacada por você aqui no blog, com o Porsche 917 da JW, na BOAC 1000, ou 1000 km de Brands Hatch de 1970, sob verdadeiro diluvio.
    Pedro guiou de forma inigualavel, sobre outros pilotos considerados muito bons de chuva, incluindo-se o próprio Jacky Ickx, Chris Amon, Jo Siffert e Vic Elford. A tocada do mexicano na chuva foi de tal ordem que gerou um não menos fantástico comentário de Amon: “Alguém pode avisar ao Pedro que está chovendo ?”
    Na minha opinião, Pedro Rodriguez é um dos pilotos mais “underated” nos compêndios do automobilismo, junto como o nosso Moco.
    Jacky e Pedro foram os verdadeiros Rain Masters de seu tempo. E, quiçá, de todos os tempos !!!

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