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18 de junho de 2018 - 16:5024 Horas de Le Mans, Mundial de Endurance

ÚLTIMA HORA! G-Drive é desclassificada nas 24h de Le Mans; trio da Signatech-Alpine herda vitória

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Sem choro, nem vela: a suspeição de irregularidades no mecanismo de reabastecimento foi confirmada e a G-Drive Racing perde o título nas 24h de Le Mans. O #28 da TDS Racing também é desclassificado pelos comissários

RIO DE JANEIRO (Bomba!) - Quem acompanhou a transmissão das 24h de Le Mans nas horas finais deste domingo e prestou atenção numa informação que passei, ficou sabendo que a equipe G-Drive Racing estava sob suspeição ao longo da disputa da maior prova de Endurance do mundo, porque segundo observaram, os reabastecimentos do carro eram muito mais rápidos do que o padrão dos demais competidores da classe LMP2.

Eram segundos valiosos ganhos a cada parada (de seis a oito em média), que se transformaram, por mais que os outros competidores tivessem problemas, em uma vantagem de três voltas ao final da prova.

Pois é… de nada adiantou a festa do trio Jean-Éric Vergne/Roman Rusinov/Andrea Pizzitola. Os comissários procederam a vistoria técnica de praxe e perceberam que a TDS Racing, equipe que faz o running dos russos vinculados ao grupo Gazprom e que tem um carro no WEC para o trio Loïc Duval/François Perrodo/Matthieu Vaxivière, criou um mecanismo que tornou o fluxo de combustível significativamente mais rápido a cada reabastecimento.

Como o sistema é por gravidade, a infração é ainda mais cristalina. O relatório dos comissários da FIA diz que “uma peça adicional usinada” não homologada pela entidade foi usada no restritor de fluxo e inserida na chamada “dead man valve”, aquela que encerra automaticamente o reabastecimento e retorna o excesso quando o tanque dos LMP2 – com 75 litros de capacidade – está cheio.

A equipe contesta que as regras não falam em proibição de adição de outras partes no mecanismo de reabastecimento.

Mas a ação da G-Drive e da TDS Racing foi posta em suspeição por observadores e pelos adversários – sem dúvida, Signatech-Alpine, Graff Racing e United Autosports estavam entre as partes mais interessadas, já que com a exclusão do vencedor #26 e do 3º colocado #28, todos ganhariam posições. E foi exatamente o que aconteceu.

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A Signatech-Alpine Matmut herda a vitória em La Sarthe na LMP2 e o brasileiro André Negrão é o quarto piloto do país campeão nas 24h de Le Mans em subclasses

Assim, o trio da Signatech-Alpine formado por Nico Lapierre/André Negrão/Pierre Thiriet é campeão da LMP2 nas 24h de Le Mans em 2018. Negrão, aniversariante do último domingo, ganha um presente e tanto. Aos 26 anos, ele se torna o quarto brasileiro vencedor em La Sarthe, fazendo companhia a Thomas Erdos (LMP2 em 2005/06), Jaime Melo (LMGT2 em 2008/09) e Daniel Serra (LMGTE-PRO em 2017).

A Graff-SO24, que subiu ao pódio como 3ª colocada, passa à segunda posição com Tristan Gommendy/Jonathan Hirschi/Vincent Capillaire, sendo elevada também ao 6º posto da classificação geral. E a terceira posição acaba nas mãos do trio do #32 da United Autosports, composto por Will Owen, Hugo de Sadeleer e pelo colombiano Juan Pablo Montoya.

A TDS Racing planeja recorrer da decisão. Mas, vamos e venhamos: quando se apela para falcatruas para levar vantagem sobre os adversários – e essa falcatrua remete à Benetton na Fórmula 1, quando Flavio Briatore mandou tirar o filtro que limitava a vazão na mangueira pressurizada – artifício descoberto quando Jos Verstappen quase virou churrasquinho no GP da Alemanha de 1994 – nem era pra caber recurso algum.

18 comentários

  1. Pedro Ribeiro disse:

    Tá virando mania em qualquer esporte os russos (ou times envolvidos com empresas russas) tentarem trapacear e serem pegos com as calças arriadas no fim da competição

  2. Eder disse:

    A equipe que faz um negócio desse deveria ser banida pra sempre. Agora os legítimos campeões e a galera do pódio simplesmente não tiveram a oportunidade de comemorar no pódio como os verdadeiros vencedores. Triste e decepcionante.

    • Rodrigo Mattar disse:

      A vistoria não pode ser automática. Tem coisas que fogem do controle. Mas a gente avisou na transmissão que o resultado era extra-oficial.

      Afinal, por conta do que aconteceu à equipe do Nelsinho ano passado, seguro morreu de velho.

      • LUIS F BEZERRA disse:

        E o negócio do nelsinho não era nada de mais, fizeram um buraco para dar umas marteladas no motor de arranque para faze-lo funcionar. Isso que a G-Drive fez foi pura malandragem.

  3. Ingo Hofmann disse:

    Há uma regra, especificação, dizendo, mostrando como deve ser o sistema de abastecimento. Fica implícito que qualquer coisa a mais ou a menos no equipamento põe o equipamento em desacordo com a especificação. Então…acrescentou, dançou…

  4. Marcelo Pacheco #49 disse:

    Ficamos tristes em casos de lapso como parece ter sido os da Ford ou em situações de momento em que poderia ser inimaginável uma desclassificação como no caso Rebellion do Nelsinho mas isso é lamentável. E tanto que elogiamos este carro da G Drive durante a prova. Ruim pra quem não curtiu o pódio como deveria ou para quem nem curtiu, como é o caso da United Autosports. Pelo menos o Pablito levou vai receber um troféu em casa.

  5. ALLAN GUIMARAES disse:

    Ah! Se fosse possíovel, o pódio de Le Mans deveria ocorrer na terça-feira! Aí dá tempo de analisar tudo isso e entregar os trofeus a quem de fato merece…

    • Rodrigo Mattar disse:

      O problema é que não é possível. O mundo inteiro quer ver o pódio e o público também.

      Se fosse assim, todas as categorias acabariam com pódios 24 ou 48h depois. Isso é ridículo.

      • Allan disse:

        Cara, OBVIAMENTE foi uma ironia, afinal qual competição tem pódio 2 dias depois? Mas como aconteceu pelo segundo ano seguido, quando as infrações já eram claras durante a prova, os comissários deveriam trabalhar bem mais rápido. É perdoável a vantagem oculta, um peso abaixo do mínimo, quando o flagra só é possível após a prova. Mas desde o domingão já sabiam da traquitana do reabastecimento, e na Rebellion no ano passado também era visível o buraco bem antes do fim da prova.

      • Rodrigo Mattar disse:

        Vantagem oculta perdoável? Em que sentido?

      • Allan disse:

        No sentido de se dar o resultado, ter o pódio enquanto se fiscaliza algo oculto, por denuncia ou regulamento. Aí seria perdoável cassar o resultado após o pódio. Nao estava as vistas.

  6. Gustavo disse:

    Agora o troféu do André vem pelos Correios? #Ave

  7. Cristiano disse:

    Será que não sai um entrevista com o André Negrão? Twitter dele está abandonado faz tempo (desde a Indy Lights), e nada no facebook também, última postagem foi antes da largada.

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