MENU

23 de novembro de 2018 - 22:24Fórmula 1

Aqui me tens de regresso

kub19-1024x682

RIO DE JANEIRO - Oito anos se passaram desde 14 de novembro de 2010. Naquele domingo do primeiro título de Sebastian Vettel na Fórmula 1, um 5º lugar selava a temporada de Robert Kubica. O polonês era disparado o maior representante de seu país na história do automobilismo e tudo fazia crer que, mesmo com a oitava posição no Mundial de Pilotos, a temporada seguinte poderia ser muito melhor.

Só que não houve temporada seguinte.

Por um longo e tenebroso inverno.

Culpa de um acidente estúpido numa prova sem importância de Rali em que por um triz o braço direito de Kubica não foi para os ares.

Apesar da gravidade do incidente, ele não desistiu do sonho de voltar a conduzir um Fórmula 1. Esteve no WRC e namorou com o perigo em várias ocasiões. Teve um flerte com o WEC, chegou a ser anunciado pela ByKolles para a temporada passada, mas o polonês deu pra trás. Muitos tinham e ainda têm dúvidas sobre o que ele seria capaz de fazer se recebesse uma segunda chance.

Pois bem: a segunda chance se confirmou. Kubica estará de novo no grid da categoria máxima em 2019. E pela Williams, onde já deveria ter corrido neste ano se não fosse o SMP Bank e Sergey Sirotkin a lhe tomar o lugar que era seu.

Talvez tenha sido melhor assim, porque o carro da equipe de Grove é uma merda, disparado o pior do ano. Um possível retorno de Kubica, nessas condições, geraria um misto de questionamentos não só da parte técnica – que é o fraco do modelo FW40 – como também acerca da própria pilotagem do polonês – e muitos não acreditam que ele voltará a ser competitivo por conta das suas condições físicas, especialmente por conta do braço direito atrofiado, sem massa muscular.

Mas em 2019, há além da necessidade de se levar a equipe a um campeonato muito mais digno que o atual, todo um componente emocional que cerca um regresso dos mais aguardados. Agora com 33 anos (faz 34 em dezembro próximo), experiência de sobra e competência – comprovada nos anos de BMW Sauber e Renault – Kubica tem a expertise para liderar a Williams a dias um pouco melhores. Ao lado do garoto George Russell, se a equipe fizer um bom carro, poderão ter bons momentos.

Vamos, porém, com um pouco de calma. Embora a Mercedes-Benz tenha alocado o provável campeão da Fórmula 2 num dos assentos da Williams, não há nenhuma garantia de que os pentacampeões de Construtores serão piedosos com o time hoje dirigido por Claire Williams e farão uma parceria ao nível do que a Ferrari faz com a Sauber – e a equipe helvética mostrou evidentes progressos do ano passado em relação a este.

E como o Flavio Gomes lembrou com muita propriedade, RK não tem a manha de guiar na Fórmula 1 híbrida – ainda. Aí que eu digo que a experiência que ele amealhou em sua passagem anterior de 76 GPs que lhe rendeu uma vitória, uma pole, 12 pódios e somente 12 abandonos – o homem era um monstro de regularidade – será decisiva.

Sem medo de errar, mas acho que a volta de Kubica é tão ou mais emocional que o regresso de Niki Lauda às pistas após o acidente sofrido em 1976.

Quem quiser, que discorde.

8 comentários

  1. ags disse:

    Não vamos ser precipitados… Nanini teve uma boa recuperação após a queda de uma aeronave que ele estava.. não se arriscou muito em voltar a correr pois, estava literalmente aposentado..
    Nota-se a deformidade do ante braço do polaco…. mas se pouco ficou de movimentos, ele vai se multiplicar para fazer jus do contrato…
    Até acho que ele mesmo assim…é mais piloto do que muitos que se auto proclamam..
    Piloto…. não quero ser direto pois…. tem neguin que pq tem grana..papai arruma dindin para o guri brincar de carrinhos de corridas… até mesmo… formulinhas..kkkkk…e caga na cuecas….rssss

  2. Gabriel Medina, O outro disse:

    Discordo, acho um absurdo algurm que ficou oito anos sem largar num GP ainda ter a licença.

    Qual a justificativa de vc e exigir pontos e pontos de um garoto que milita a, no mínino, 3 anos em formulas e de um aposentado veterano não exigir lhufas? Lembrando que, tanto Lauda, quanto Nanini, tiveram retornos expressos.

    Depois de Alonso, acho Kubica o piloto mais superestimado dos últimos 10 anos, nada contra a volta em si, mas o polones não é tudo isso.

    • Rodrigo Mattar disse:

      Nannini não voltou à Fórmula 1, só para constar.

      • Danilo disse:

        Eu ia avisar para ele que o Nanini competiu nas categorias de turismo,especialmente a DTM,e foi bem até demais antes de se aposentar.Infelizmente para alguns só existe a Fórmula 1 no automobilismo.É exatamente por essa cultura elitista fomentada por Bernie Ecclestone,Max Mosley e Ballestre que destruiu a categoria e quase implodiu o automobilismo como um todo.

  3. Danilo disse:

    Apesar da deformação no braço eu realmente fico muito feliz em ver o Kubica regressar a categoria onde nunca deveria ter saído.O que eu espero é que ele tenha um final de carreira tão digno quanto o seu começo e auge.Não me esqueço até hoje de uma corrida que ele fez na inesquecível e extinta Formula Renaut aqui no Brasil mesmo.Foi a partir daí que eu percebi o quão gigantesco ele era.

  4. Jorge disse:

    “a volta de Kubica é tão ou mais emocional que o regresso de Niki Lauda às pistas após o acidente sofrido em 1976″?
    Me perdoe a franqueza, mas essa sua comparação não lembra nem ao Capeta: Niki quase morreu (recebeu mesmo a Extrema Unção de um padre no hospital) e meras semanas depois estava de volta ao volante de sua Ferrari!
    Quanto ao regresso de Kubica (de quem eu era fã antes de seu acidente…), retire o conto de fadas da equação e fica apenas o desespero da Williams por dinheiro (não acredita? Veja quem assinou como patrocinador da equipe para 2019)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>