MENU

7 de novembro de 2018 - 17:56Túnel do Tempo

Direto do túnel do tempo (422)

pdt_img_145823

RIO DE JANEIRO - Neste dia 7 de novembro, uma das figuras mais queridas do automobilismo brasileiro em qualquer tempo completa exatos 70 anos de vida. Estou falando de Alex Dias Ribeiro, mineiro nascido em Uberlândia e que cresceu em Brasília, onde foi parte da lendária oficina Câmber e daí para as pistas de corrida e para a Fórmula 1, onde viveu enormes dissabores como piloto de Hesketh, March e Copersucar-Fittipaldi.

Alex sempre se agarrou à sua fé e talvez isso faça aquele moço de fala mansa, estatura pequena e corpo frágil um gigante para driblar as adversidades da vida. Ele nunca teve medo de professar a devoção por Cristo num meio mundano como o do automobilismo. E isso o marcou muito – talvez o marque, até hoje.

E foi no mínimo uma tremenda ironia que, para estrear na Fórmula 1 ao fim do campeonato de 1976, o brasileiro tenha primeiro recusado um dos contratos leoninos de Bernie Ecclestone (no que fez muito bem, pois Larry Perkins teve sua carreira incinerada pelo baixinho, então dono da Brabham) e depois aceito um convite de Bubbles Horsley para guiar um Hesketh em Watkins Glen, na penúltima corrida do calendário, marcada para 10 de outubro.

Alex tinha feito uma bela temporada na Fórmula 2 europeia, onde foi o rival mais difícil do quarteto francês formado por Jean-Pierre Jabouille, René Arnoux, Michel Leclére e Patrick Tambay. Estava mesmo em alta: foi eleito pela BMW o piloto do ano entre os que tinham vínculo com a marca bávara. E sugestionado por Max Mosley, levou macacão e capacete para os EUA, onde apenas acompanharia a corrida.

Veio o convite de Horsley para que Alex ocupasse o carro #25 que na maioria das corridas teve Guy Edwards a bordo. Aconselhado por vários, principalmente por Emerson Fittipaldi, topou. E veio outra ironia: o cristão Alex teve que sentar no cockpit de um carro patrocinado pela Penthouse, conhecida revista de “mulépelada” e pela Rizla, uma fabricante de papel para enrolar fumo, famosa também na ‘turma da maresia’, se é que vocês me entendem.

Leitor fervoroso da Bíblia, o piloto certamente se lembrou da carta de Paulo à igreja de Corinto (epístola 1, capítulo 6, versículo 12), que dizia o seguinte:

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convém”.

Com “Jesus Saves” e tudo no capacete, Alex mandou as convenções às favas. Consta que teria presenteado os mecânicos de Bubbles Horsley com exemplares da Bíblia Sagrada, mas entre o sagrado e o profano, não duvido que a turma da graxa preferisse a boa e velha revista de sacanagem.

Nos treinos, Alex até fez um bom trabalho. Havia 27 inscritos para 26 vagas, mas o lento austríaco Otto Stuppacher já era de saída uma carta fora do baralho. O tempo do então novato foi três décimos pior que Harald Ertl, que tinha em mãos o outro Hesketh e classificou-se para a 21ª posição do grid, e melhor que o de nomes mais vividos como os de Arturo Merzario e Henri Pescarolo, sem contar Brett Lunger, que corria em casa, além do estreante australiano Warwick Brown.

Alex jamais esteve ameaçado de figurar nas últimas posições em sua corrida de estreia. Sempre teve adversários atrás de si – quatro ou cinco, em média, ao longo da disputa. Teve o mérito de levar o carro inteiro até o final. Com 57 voltas completadas, duas atrás do vencedor James Hunt, completou a corrida em 12º lugar.

Parabéns, Alex, por seu aniversário!

Há 42 anos, direto do túnel do tempo.

5 comentários

  1. Fabio disse:

    Olha, Rodrigo, estou relendo a autobiografia dele, e de fato o Alex tem uma história muito respeitável.
    Agora, com relação a 1976, também acho que Bernie não iria ficar nem com Alex nem com Larry Perkins para a temporada seguinte, e que o convite para as 3 últimas corridas do ano era um mero tapa-buraco. Mas o Larry se queimou também porque foi muito mal na Brabham, em comparação com o Moco, que era o 1º piloto. Enfim, não era um piloto de nível de F1, penso eu.
    Abs.

  2. Cristiano disse:

    Concordo que a Brabham seria uma fria se não fosse possível mostrar a sua pilotagem, tomando o exemplo entre os brasileiros, quem lembra do Moreno na Lotus anos depois queimando a reputação numa substituição em cima da hora e sem condições de apresentar um bom desempenho numa equipe de ponta?

  3. Brilhante piloto, também relembramos dele no nosso programa. Mais que merecido!!

  4. Diney De Lellis disse:

    Hilário em parte, verdadeiro no todo e grandioso na homenagem. Parabéns pelo texto.
    Diney De Lellis – Porto Alegre-RS

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>