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14 de dezembro de 2018 - 16:59Fórmula 1

Jean-Pierre Van Rossem (1945-2018)

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RIO DE JANEIRO - Fim da linha para um dos mecenas mais controvertidos da história do automobilismo. O homem que está aqui na foto marcou a curta trajetória de uma equipe de Fórmula 1 que hoje no Brasil é nome de um igualmente controvertido político. Jean-Pierre Van Rossem morreu em Bruges, na Bélgica, nesta sexta-feira, vítima de câncer de pulmão. Ele tinha 73 anos.

De ideias marxistas – ou anarquistas, para alguns, Van Rossem criou o engenhoso sistema Moneytron, que através de algoritmos de computador, determinava em que períodos o mercado financeiro estivesse em alta ou em baixa. Com lucros absurdos, que o fizeram ter uma fortuna estimada em US$ 800 milhões, o belga também era polêmico. Quando alguém queria conhecer o computador e o sistema, ele proibia o acesso a todo e qualquer curioso.

E como ele chegou à Fórmula 1?

Bertrand Gachot, piloto de automobilismo dos anos 1980, então na Fórmula 3000, queria multiplicar seus ganhos com o objetivo de pagar por uma vaga na Fórmula 1. Conseguiu e Van Rossem, curioso, não só foi o artífice do lucro de Gachot como também passou a se tornar patrocinador da equipe Onyx Grand Prix, uma organização britânica fundada primeiro por Mike Earle e Greg Field e que tinha Paul Shakespeare como sócio majoritário.

Van Rossem subscreveu Shakespeare, tornou-se dono e mecenas do time britânico, que corria com o modelo Onyx ORE1, um carro simples concebido pelo engenheiro Alan Jenkins e que tinha motor Ford Cosworth. A equipe enfrentou percalços, mas cresceu a olhos vistos e conquistou um espetacular pódio no GP de Portugal de 1989, graças ao 3º lugar do sueco Stefan Johansson.

A escuderia (leia-se Van Rossem, claro) tinha planos ambiciosos. Um deles: trazer a Porsche de volta à Fórmula 1 a curto prazo. Mas Jean-Pierre entrou em apuros: a justiça belga mordia seus calcanhares, acusando a ele e ao grupo Moneytron, cuja finalidade fora enfim descoberta, de fraude fiscal.

Mas desistir de sua coleção de Ferrari e de um jatinho Gulfstream que o levava para todos os lugares – e que fora adquirido por US$ 20 milhões -  jamais. O belga vendeu a equipe para Peter Monteverdi para pagar dívidas com o Fisco de seu país e a Onyx fechou suas portas perto do fim do campeonato de 1990.

Para fugir da inevitável prisão, Jean-Pierre criou um partido político, de viés populista e de protesto: o ROSSEM, que não por acaso era seu sobrenome, significava ‘Reformistas radicais e lutadores sociais por uma sociedade mais justa’. Surpreendentemente, o ROSSEM teve mais de 3% dos votos nas eleições belgas majoritárias de 1991, ganhando três cadeiras no parlamento belga – duas na Câmara e uma no Senado.  O próprio Jean-Pierre fez parte do parlamento até ser finalmente preso, quando seu mandato expirou.

Sem deixar de dizer o que queria, o polêmico Van Rossem escreveu livros, criou mais polêmica – na coroação do Rei Alberto II, em 1993, quando ainda era parlamentar, gritou “Viva a República!” e, depois de uma vida de fausto ganhando dinheiro com a ajuda de terceiros, viveu o ocaso final e morreu pobre.

A história da Onyx na série Saudosas Pequenas do blog pode ser conhecida aqui.

 

2 comentários

  1. Surpreende que os ORE 1 nunca tenham dado as caras nos eventos de F1s históricos. Um dos modelos mais bonitos e também um dos mais iconicos carros de equipe pequena.

  2. Bruno Serafim disse:

    Bela lembrança, Rodrigo. Obrigado pelo seu texto. Abs!

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