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1 de fevereiro de 2019 - 18:24Mundial de Endurance

Silêncio que preocupa

RIO DE JANEIRO - A Racecar Engineering, em matéria assinada por Andrew Cotton, levanta uma lebre daquelas: faz dois meses desde que a FIA e o ACO descortinaram os preceitos do regulamento técnico do que serão os Hypercars para a temporada 2020/21 do Mundial de Endurance, em diante. E até agora, nada.

Silêncio é a palavra que resume muito bem o que está acontecendo desde então.

Não deixa de ser uma preocupação, quando nem mesmo a Toyota – único construtor de fábrica hoje na LMP1 – se manifesta. O que a publicação pôde apurar é que dois fabricantes já analisaram os requisitos de motor e refrigeração de seus carros. Uma dessas fábricas pode até ser a Toyota, mas há outros motivos para preocupação.

A intenção clara desse novo regulamento é atrair certos fabricantes para a elite do FIA WEC e a Aston Martin é uma peça-chave do quebra-cabeça. Pois se os britânicos resolverem mergulhar nesse jogo do WEC, outros fabricantes podem vir junto.

David Richards diz que o construtor iniciou o programa de motores dentro das novas regras e que a marca estaria interessada na adaptação de um de seus atuais modelos de rua ao regulamento que começa daqui a pouco mais de um ano e meio. Mas, ao mesmo tempo, a resposta do mercado às ações da Aston Martin foi negativa: os preços caíram…

Sem a Aston Martin, McLaren e talvez a Ferrari jamais se interessem no formato de regulamento dos Hypercars. Nem mesmo a Lotus, também cogitada para fazer um novo carro de competição. A FIA, o ACO e os organizadores da competição querem concorrência e ter apenas a Toyota não seria garantia de nada – nem mesmo às equipes independentes que podem comprar carros dentro das novas regras.

Em recente rodada do grupo de trabalho promovido pela entidade máxima do desporto automobilístico, Mazda e Acura (leia-se Honda) participaram, mas o interesse demonstrado em Daytona durante o último fim de semana da abertura da temporada 2019 da IMSA foi mínimo. A receptividade foi morna, apenas.

Ambas estão envolvidas neste momento com o regulamento DPi nos EUA – e não se surpreendam se esta plataforma conseguir mais adeptos para breve. A Ford considera um projeto DPi – o motor EcoBoost V6 é ideal para isso e a BMW também ensaia uma aproximação com o formato ianque de competição. Que à primeira vista parece bem mais interessante do que os Hypercars.

Cabem perguntas ao ACO e principalmente ao CEO do WEC Gérard Neveu.

A esta altura, será que os dirigentes não estão preocupados? O que falta para que tenhamos clareza sobre o futuro da classe principal do Mundial de Endurance nos termos propostos para o futuro?

Cartas para a redação.

8 comentários

  1. Fernando Silva disse:

    Apenas minha opinião…nada parece mais ideal do que adotar o regulamento técnico dos DPI para o WEC, com custos mais atraentes, seria viável a Toyota desenvolver um motor nestas configurações e, para os times independentes, os fabricantes já estabelecidos na série americana.
    Sobre a Ford e o motor EcoBoost V6, vale lembrar que é exatamente o motor que empurrou o antigo DP da Ganassi nas temporadas 14 e 15…portanto, montadora teria um trabalho mínimo para fazer atualizações e, é um motor comprovadamente confiável, pois os Ford GT, ainda que nem sempre vençam, sempre chegam ao final das corridas, ao contrario dos PDI Mazdas, por exemplo.

  2. Ivair disse:

    Rodrigo. Uma pena o que poderá acontecer com o WEC. Claro a evolução sempre necessária mas com calma. Se não os custos vão lá no alto é ninguém se interessa. Uma pena que os dirigentes tanto da FIA como da ACO., parece manterem uma postura digamos arrogante e acreditando que o mundo vai girar em torno das suas vontades. Uma conversa franca entre IMSA e WEC. Solução está aí. Mas a soberba é complicado

  3. Jonny'O disse:

    Tenho o mesmo pensamento do Fernando, hoje , com o mundo desabando em crises , como é que os caras querem criar uma nova categoria onde seus carros esportivos reais ficarão em segundo plano? E esses novos hypercars não passam de uma produção pequena que certamente vai dar mais prejuízos nesta atmosfera atual , não vou me surpreender se a coisa for um fracasso.

    Um protótipo é sempre algo que não cai mau se derrotar seu esportivo de serie, porque é um protótipo, outra categoria ,sem comparações.

    O DPi é o coringa do momento, aceita qualquer motor , o chassi você pode comprar em qualquer prateleira do mercado e certamente é uma formula perfeita pra ganhar tempo a curto e médio prazo, um coquetel infinitamente mais simples e que já mostra que funciona.

    Quer saber………. Le mans é algo meio independente né? …….já pensou eles atrelarem a IMSA , seria o máximo!!!!!

    É impossível eu sei, porque ta todo mundo em relações amigaveis no mundo da cartolagem.

  4. Eduardo Caldeira de Castro Lopes disse:

    Ola Rodrigo.
    Vc não acha que tanto a imsa quanto o ACO deveriam colocar as mesmas regras para os protótipos LMP1 e os DPI com especificações mais simples como as regras do IMSA e deixar os protótipos de cada série poder correr um contra outo por exemplo em Le Mans. Com esse movimento acredito que equipes do IMSA poderia até migrar para o WEC e vice versa e novos construtores seriam encorajados a entrar no campeonato.

  5. ANDERSON EDNEY PUFF disse:

    A solução era simples, transformar a LMP2 na primeira classe, estariam em linha com os DPi da Imsa, motorer mais baratos, carros tambem, os garagistas poderiam adquirir seus carros e todo mundo seria feliz.
    Mas entraram nessa linha de querer “atrair” os fabricantes, sem perceber que esses já estão na F1 e FE e pronto, não sobrou mais ninguem.
    Então porque não fazer um campeonato de garagistas, como a f1 dos velhos tempos, mas com carros atuais do lmp2, seria muito legal

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