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17 de março de 2019 - 11:13Fórmula 1

Bottas… e o resto

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Da primeira à última volta: dominante em Melbourne, Valtteri Bottas teve seu ‘dia de Lewis Hamilton’ na abertura do Mundial de Fórmula 1 em 2019 (Foto: AFP/Reprodução Grande Prêmio)

RIO DE JANEIRO - Poucos poderiam prever e acreditar que pudesse acontecer algo fora do normal na abertura do Mundial de Fórmula 1, o GP da Austrália. Por isso, a vitória de Valtteri Bottas no Albert Park, em Melbourne, não deixa de ser tão surpreendente quanto atípica. Foi um domingo de domínio do finlandês, como raras vezes se viu dentro da Mercedes-Benz.

“Estou sem palavras”, disse o piloto, ao tentar explicar como venceu de forma acachapante. “Foi a melhor corrida da minha carreira”, concluiu.

Além de chegar ao quarto triunfo da carreira – num total de 119 GPs disputados – Bottas ainda fez o ponto da melhor volta, sem atenuante alguma para os adversários. Ganhou e dominou, com mais de 20 segundos de vantagem para Lewis Hamilton.

A Mercedes-Benz emplaca a primeira dobradinha do ano, mas o atual campeão terá que cobrar explicações de quem decidiu pela estratégia que o impediu de ao menos tentar se aproximar de Bottas. Afinal, a primeira parada foi antecipada, já que a Ferrari fizera o mesmo com Sebastian Vettel e o time alemão decidiu, pelo menos com Lewis, seguir tal decisão. Valtteri parou várias voltas depois – o que terá sido decisivo.

Restou a Hamilton seguir na corrida com um carro sem pouca aderência nos pneus e incapaz de lhe dar um bom ritmo de corrida (depois, numa revisão pós-prova, verificaram que faltava um pedaço do assoalho). Ao menos, conseguiu sustentar a pressão de Max Verstappen, que chegou próximo a ele no final da disputa.

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O primeiro pódio da Honda na Fórmula 1 em mais de uma década veio logo na abertura com Max Verstappen e a Red Bull: 3º lugar (Foto: Red Bull Content Pool/Reprodução Grande Prêmio)

Pois é… a Red Bull já consegue o primeiro pódio na associação com a Honda, que não tinha um resultado tão bom na Fórmula 1 desde o distante ano de 2008, quando Rubens Barrichello foi 3º colocado num temporal de Arca de Noé, em Silverstone. Ótima corrida de Verstappen em Melbourne: descontando Bottas, pra mim foi o piloto do dia.

A Ferrari já se apresenta como a principal decepção de um domingo de GP da Austrália chato, sem emoções e até previsível, já que o abismo entre os times de ponta e os demais persiste – falaremos disso algumas linhas mais abaixo. Charles Leclerc foi instruído ao final para sequer tentar insistir passar por Sebastian Vettel – e o alemão deve estar procurando Verstappen e a Red Bull, até agora. A dúvida é se o carro mostrou um sério problema de perda de rendimento ou se ele precisou poupar os pneus para evitar fazer um pit extra.

Tirante isto, o único piloto além dos cinco primeiros a fechar o GP da Austrália com 58 voltas completadas foi Kevin Magnussen – isso porque pelo segundo ano SEGUIDO a Haas jogou fora uma corrida por deixar solta uma roda, desta vez só no carro de Romain Grosjean. A temporada 2019 meio que começa como termina a última: quem esteve no protagonismo continua onde está e quem é coadjuvante segue onde está. E fim de papo.

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A Ferrari desapontou no sábado, na definição do grid e principalmente na corrida da Austrália (Foto: AFP/Reprodução Grande Prêmio)

Sabemos que o Albert Park não deve ser parâmetro pra muita coisa, já que é um traçado urbano. Mas é um circuito hoje muito veloz. E há uma discrepância clara entre as equipes, sempre houve.

De resto, dá pra elogiar alguns nomes, incluindo o do canadense Lance Stroll, que ofertou à “nova” Racing Point seus primeiros pontos e também Daniil Kvyat, que apesar de um erro numa tentativa de superar o próprio Stroll, conseguiu se sustentar na frente da outra Red Bull, guiada por Pierre Gasly e também fez um ponto em seu regresso à categoria.

Por falar em regresso, a Alfa Romeo também faturou pontos na primeira prova com o 8º posto de Kimi Räikkönen e entre os novatos, o melhor foi Lando Norris, que chegou em 12º lugar.

E a Williams? Que fim de festa… A melhor volta de seus pilotos foi três segundos pior que o tempo de Bottas, sem contar o dia de cão de Robert Kubica (que teve de correr sem um dos espelhos retrovisores) e a impossibilidade de atacar as zebras do Albert Park por… falta de peças de reposição! Várzea sobre rodas, como costuma dizer o Victor Martins: a equipe de Grove é mais e mais uma pálida sombra da organização vitoriosa dos tempos de antanho.

Daqui a duas semanas teremos o GP #999 da história, em Sakhir, no Bahrein. Esperemos que não seja sonífero como foi esta primeira etapa do campeonato.

12 comentários

  1. Claudio disse:

    Para mim a corrida em si foi muito do que sempre Albert Park apresenta. Esse ano teve o agravante de não ocorrer nenhuma situação para embolar os carros no grid, nenhuma batida que fizesse entrar o SC, daí não tem muito jeito, ultrapassagem ali é difícil. Concordo com vc Rodrigo, a minha impressão tbm é de que o campeonato começou mais ou menos como o último terminou com relação a distribuição de forças, acho que só a Toro Rosso que progrediu um pouco

  2. LUIZ ALBERTO LOMANDO disse:

    A FIA adota a mesma fórmula, tanto na F1 quanto na WEC: Previlegia a tecnologia em detrimento ao espectáculo. Já os norte americanos fazem o contrário, adotando o equilíbrio entre os carros e proporcionando espectáculos como o de ontem em Sebring.

  3. Antonio Seabra disse:

    Minha leitura: desde os treinos tava claro que o Bottas tinh ao melhor acerto de carro, e que o Hamilton só levou a Pole no braço: Bottas fez as 2 melhores primeiras parciais, e Lewis so “encontrou” a pole numa guiada excepcional na terceira parcial, que é de altissima. E como diria o Giu Ferreira, são as curvas de alta que separam os homens dos meninos….
    Falar agora é facil, mas eu fiquei com a impressão que o Hamilton dessa vez naõ teria carro para acompahr o finlandes….e se o Valtteri não cometesse alguma cagada, como de costuma, a vitoria seria dele. Mas hoje ele guiou o fino, um carro que estava mais acertado (merito dele). e o Lewis não conseguiria mesmo dar 58 voltas de classificação… Mesmo assim, mais de 20 segundos de vantagem, de carro igual (modelo) é uma vitoria acachapante. O inglesinho deve estar meio puto….
    Mas se voces lembrarem, desde os treinos ele vinha reclamando do carro: dos freios, da estabilidade, etc….me parece que Lewis é daqueles que precisa de um team mate para acertar o carro pra ele. Vide Nico Rosberg. quando não consegue se adaptar ao acerto do parceiro, dança. E foi o que entonteceu hoje.
    Verstapen fez uma grande corrida, o carro sempre foi bom, a surpresa ficou por conta da Honda. O motor começa a dar sinais de que está chegando lá, e pode se constituir na surpresa da temporada..
    Vettel se mostrou insosso outra vez, e Leclerc, embora ligeiramente abaixo de tudo o que se esperava dele, mostrou que foi uma aposta correta. Na minha opinião, se a Ferrari permitir, ganha a primeira esse ano.
    A Haas surpreendeu de novo, fico imaginando se tivessem pelo menos um piloto de ponta, Russel por exemplo.
    Norris e a McLaren, Kimi e a Sauber, Hulk e a Renault não decepcionaram. Iden Kvyat, Gasly, Albon e Russel, que levou a carroça no limite o tempo todo. Stroll andou melhor do que eu esperava, mas só chegou a frente de Perez (e de outros), porque em Melboune, apesar de um belo circuito, é quase impossivel ultrapassar (outro grande merito de Verstappen, ao ultrpassar lindamente um carro de mesmo calibre)
    As decepções ficaram por conta de Ricardo, Giovinazzi, e ….lamentavelmente, Kubica: tudo indica que, apesar do louvável esforço, em termos de pilotagem seria, não vai dar pra ele. Imagino que se melhroarem o carro, antes do final do ano, quiça no meio da temporada, Ocon vai sentar nesse Williams “de F2″, no lugar dele.

    Por fim, a nota triste, triste mesmo, foi ser o primeiro GP sem o Charlie !!!! Foi em bora cedo demais, levando com ele parte da aura da F1 dos velhos tempos.

    • Gabriel Medina, O outro disse:

      O cara é penta campeão mundial e candidato ao posto de melhor de todos os tempos, tem guiado absurdos, bateu Alonso, Rosberg (duas vezes) e Vettel.

      Ai perde uma corrida para o companheiro de equipe – excelente piloto, por sinal – e agora precisa de companheiro pra acertar carro?

      Dizer que Rosberg era o acertador e Hamilton o vencedor é desmerecer o talento dos dois. Em 2016, o alemão ganhou no braço, no cérebro, deu tudo e venceu um dos grandes.

      O inglês não precisa de ninguém, se corresse sozinho na Mercedes, teria titulo a mais, simples. Ser batido por um piloto como Bottas em uma corrida não muda nada.

  4. Zé Maria disse:

    Passagem rápida apenas para dizer que Vettel não vence mais nenhum título, as vitórias dos tempos da Red Bull são uma lembrança cada vez mais tênue de um passado cada vez mais longínquo.

    • Claudio disse:

      Na Ferrari dificilmente vence mesmo. Se analisarmos as últimas temporadas, quando o carro começou o ano atrás da Mercedes, não conseguiu igualar / superar a concorrente

  5. joao calango disse:

    A discussão então é…o Bottas conseguiria a vitória, se não fosse o erro de estratégia e a má largada do Hamilton?

  6. Ricardo Talarico disse:

    Penso que a Mercedes não errou na estratégia do Hamilton.
    É quase certo que a luta pelo título deve ficar entre Lewis e Vettel.
    Então, nada mais lógico que “marcar” o adversário. Foi o que a Mercedes fez e obteve o resultado esperado: Colocar o inglês à frente do alemão.
    Espero que eu e a Mercedes estejamos errados. Espero que entrem Bottas, Leclerc e até o Verstappen na briga pelo título.
    Mas, os últimos anos não indicam que isso possa de fato ocorrer.
    Abraços.

  7. Rafael N disse:

    Rodrigo, uma pergunta para você que entende do riscado:

    ná pagina oficial do Live Timing da F1, tem uma aba denominada Performance. Alguma idéia de como eles calculam esse “índice de pilotagem” e porque RAIOS o menino Russell ficou com o melhor rating em Melbourne?

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