Direto do túnel do tempo (33)

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RIO DE JANEIRO – Bem que a foto que ilustra esta postagem poderia ser um belo spoiler do filme “Rush”, dirigido por Ron Howard e que conta como foi a briga pelo título mundial de Fórmula 1 de 1976 entre Niki Lauda e James Hunt, com lançamento marcado para 20 de setembro deste ano. Mas é o registro exato do momento em que o austríaco da Ferrari abdicava de brigar pelo bicampeonato, no começo do GP do Japão.

Naquela corrida, os pilotos foram forçados a largar, mesmo numa pista impraticável e encharcada por uma chuva inclemente no circuito de Mount Fuji. Preocupado com o horário do satélite da transmissão internacional, Bernie Ecclestone, influente o bastante para mexer seus pauzinhos, conseguiu que os 25 pilotos classificados alinhassem e largassem.

Houve quem, sem nenhum compromisso com o campeonato, abandonasse de forma voluntária a disputa, em represália às péssimas condições de segurança. Emerson Fittipaldi, piloto e dono de equipe, foi um deles. Ironicamente, a dupla da Brabham, dirigida por Ecclestone, também tomou o rumo dos boxes: primeiro Larry Perkins, depois José Carlos Pace.

Terceiro no grid, Lauda passou em nono na primeira volta e abrandou de forma abrupta o ritmo na segunda passagem para entrar nos boxes, quando já caíra para 21º, à frente de Moco e Fittipaldi. Sem qualquer explicação, encostou a Ferrari 312T e deixou o cockpit. Ao primeiro jornalista que perguntou a razão do abandono, Lauda respondeu, na lata.

“Paura!” (medo, em italiano)

Para quem, como ele, sobreviveu bravamente após o grave acidente sofrido em 1º de agosto de 1976 em Nürburgring, não era defeito ter medo. Tanto o austríaco não tinha medo, que no ano seguinte ganhou mais um título mundial pela Ferrari, calando a boca dos que o taxavam de “acabado”.

Há 37 anos, direto do túnel do tempo.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

2 Comentários

  • Outro dia li sobre Lauda dizendo que estava completamente apavorado mesmo. A gente fica com pena por ver um mega-campeão perder um título, mas só ele que estava lá, com certeza ainda com dor física e emocional decorrente das lesões contraídas no Nurburgring, sabe o que é passar o risco de se espatifar na cegueira aquática e ver tudo acontecer de novo…

Por Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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