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19 de janeiro de 2013 - 15:44Fórmula 1, Memorabilia

Saudosas pequenas – Larrousse, parte III

RIO DE JANEIRO - Sem Didier Calmels, preso por assassinar a mulher, Gérard Larrousse teve que buscar alternativas para manter viva a sua equipe. A salvação veio com um grupo financeiro do Japão para garantir o orçamento que lhe permitiria continuar com os motores Chrysler Lamborghini em 1990 e por isso um de seus pilotos titulares era o nipônico Aguri Suzuki. Para não fugir à regra, no outro carro estava um francês: Eric Bernard, que já estreara pela equipe deixando boa impressão, em duas corridas do campeonato anterior.

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Aguri Suzuki fez seu primeiro ano completo na Fórmula 1 pela Larrousse

Com a indefinição financeira do time, o projeto encomendado à Lola atrasou um pouco e a Larrousse foi para as duas primeiras corridas com o LC89B, uma versão revisada do difícil carro de 1989. Eric Bernard conseguiu um razoável 8º lugar no GP dos EUA em Phoenix e abandonou no Brasil. Suzuki ficou pelo caminho nas duas corridas iniciais.

O LC90, mais um projeto de Eric Broadley e Chris Murphy, estrearia no GP de San Marino. E logo na segunda corrida do carro, Eric Bernard conquistou seu primeiro ponto na Fórmula 1: foi 6º colocado do GP de Mônaco, após sair da 24ª posição.

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O modelo LC90 construído pela Lola teve bom desempenho ao longo do campeonato

A Larrousse penou um pouco nas corridas do Canadá e México, mas a potência do motor Chrysler-Lamborghini V12 renderia frutos nas corridas seguintes: na França, quase que os dois pilotos marcaram pontos – Suzuki chegou em sétimo e Bernard em oitavo. Mas em Silverstone, a sorte sorriu: o francês foi o 4º colocado, superando Nelson Piquet na última volta. Aguri Suzuki também debutou nos pontos na F-1, com uma sexta posição.

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Eric Bernard também mostrou qualidades a bordo do #29

Em meio a corridas onde a falta de confiabilidade de câmbio e embreagem foi a tônica, os dois pilotos ainda conseguiam bons desempenhos. Bernard faturou mais um 6º lugar na Hungria e Suzuki repetiu o resultado na Espanha.

Mas ninguém poderia prever que no dia 21 de outubro de 1990, um acidente, várias patacoadas e um desempenho ruim de uma equipe de ponta no circuito de Suzuka dariam à Larrousse um pódio com o qual a equipe jamais ousara sonhar.

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Moreno, Pìquet e Suzuki: o histórico pódio do GP do Japão de 1990

Pois aconteceu: na primeira curva daquela corrida, Prost e Senna bateram. Gerhard Berger rodou no início da segunda volta. Nigel Mansell, a velha cavalgadura, moeu o câmbio de sua Ferrari num pit stop. A Williams, com um carro muito superior ao da Larrousse, teve um desempenho pífio. Aguri Suzuki, que não tinha nada a ver com isso, foi o feliz coadjuvante da dobradinha da Benetton em Suzuka, que marcou a volta de Nelson Piquet ao topo do pódio depois de três anos e a emoção incontida de Roberto Pupo Moreno, o 2º colocado.

Ao fim do Mundial de 1990, a Lola conseguiu um ótimo 6º lugar entre os construtores com 11 pontos somados e a Larrousse começava a se consolidar como uma das equipes médias em ascensão na categoria. Mas  apesar da boa temporada, faltava o essencial: grana. E assim, a equipe teve que abrir mão dos motores Chrysler-Lamborghini para 1991, porque não tinha como pagar por eles.

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Contraste: com motor Ford Cosworth e o LC91, a temporada da Larrousse foi um desastre

A solução para manter a equipe sobrevivendo na Fórmula 1 foi optar pelos motores Cosworth DFR V8 e por um projeto mais ortodoxo de chassis, apesar de Gérard Ducarouge ter colaborado com Eric Broadley na concepção do LC91.

Como previsto, foi um ano muito complicado para Gérard Larrousse, embora ele tenha mantido Suzuki e Bernard como seus pilotos titulares. Faltava potência ao motor Cosworth e os dois normalmente se classificavam do meio para o fim do grid. Apesar disso, o japonês conseguiu um 6º lugar no GP dos EUA em Phoenix e Bernard repetiu o resultado no México.

Um dos grandes sustos do ano para a equipe aconteceu no Canadá. O motor do carro de Aguri Suzuki fundiu e houve incêndio. As chamas consumiram praticamente toda a parte traseira do carro, mas felizmente o piloto japonês saiu a tempo sem se ferir.

Na segunda metade do campeonato, somada à falta de competitividade do carro, faltou dinheiro e seguidas quebras de motor comprometeram o desempenho da equipe. Nas corridas da Bélgica, Itália, Portugal e Espanha, pelo menos um dos pilotos ficou de fora do grid.

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No fim do campeonato, a Larrousse já não tinha mais um carro competitivo; diversas vezes os pilotos ficaram de fora das corridas

Em Suzuka, Eric Bernard sofreu um tremendo acidente no primeiro treino livre do GP do Japão e fraturou uma perna. Acabou substituído na última corrida do ano por Bertrand Gachot, justamente quando a Larrousse não conseguiu, pela primeira vez em sua história, qualificar seus dois carros no grid.

No próximo post, as temporadas de 1992 e 1993.

3 comentários

  1. Eu me lembro da abertura da Globo nas transmissões de Fórmula 1 em 1991, tinha como destaque o fogo do Suzuki.

    E essa corrida de 90 do Japão, definitivamente é um capítulo histórico da Fórmula 1. Para o bem e para o mal.

  2. Vinicius disse:

    Rodrigo

    uma coisa sobre a Larrousse ter perdido os motores Lamborghini, a Larrousse tinha perdido os bônus financeiros da FIA e da FOCA (aos quais teria direito devido à colocação obtida no campeonato de construtores do ano anterior) porque seus chassis eram fabricados pela Lola,coisa que todo mundo já sabia.

    Mas havia uma outra história nisso,que a perda dos bônus financeiros da FIA e da FOCA a que a Larrousse tinha direito,havia sido armada pela Ligier que queria os motores Lamborghini da Larrousse.

    o Pandini sabe mais desta história.

  3. Caio disse:

    Rodrigo, pergunta meio maluca mas você sabe a quem se refere esse patrocínio MPC Monte Carlo na segunda foto da LC 91?

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