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16 de janeiro de 2013 - 00:27Fórmula 1, Memorabilia

Saudosas pequenas – Toleman, parte III (final)

RIO DE JANEIRO – Após uma boa temporada em 1984 com Ayrton Senna conquistando três pódios para a escuderia britânica, a Toleman se viu entre a cruz e a caldeirinha para o Mundial de Fórmula 1 em 1985. A Michelin, com quem a equipe tinha contrato, caiu fora da categoria e a Goodyear avisou que daria preferência às suas clientes, além de Renault e McLaren. Restava a Pirelli – mas os italianos se lembraram do que a Toleman fizera com eles no meio do campeonato anterior, rompendo o contrato unilateralmente e é claro que o fornecedor disse “não”.

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Na fase de indefinição, Stefan Johansson testou pela Toleman usando três marcas diferentes de pneus

Apesar da recusa da Pirelli, a Toleman fez o desenvolvimento do carro como de praxe. O novo TG185, mais um projeto de Rory Byrne, ficou pronto durante a pré-temporada e, mesmo sem patrocínio, a equipe fez vários treinos, com o sueco Stefan Johansson e o irlandês John Watson. Os dois usaram compostos de três fabricantes diferentes: Pirelli, Goodyear e até Avon.

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O experiente John Watson também andou no TG185

Os dois pareciam a escolha natural da Toleman para disputar todo o campeonato, mas como a situação quanto ao fornecimento de pneus não se resolvesse a contento, Johansson conseguiu uma liberação para disputar o GP do Brasil pela Tyrrell no lugar de Stefan Bellof e depois foi para a Ferrari, na vaga de René Arnoux, que foi demitido após a corrida que abriu o campeonato.

O jogo iria virar a favor da Toleman após o GP de San Marino. Em completa penúria, a equipe Spirit, que tinha apenas três mecânicos e um lamentável chassi com motor Hart Turbo, faliu e deixou o piloto Mauro Baldi a pé. Com o fim do time, sobrava uma cota de pneus Pirelli para ser usada pelo resto do campeonato e a Toleman, enfim, conseguiu marcar sua estreia em 1985 para o Grande Prêmio de Mônaco.

O italiano Teo Fabi, então com 30 anos, voltou ao time após uma passagem pela Fórmula Indy, onde deixara excelente impressão, com direito ao vice-campeonato daquele certame em 1983 e uma pole position nas 500 Milhas de Indianápolis. Ele correra também pela Brabham, com resultados discretos.

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Tutti colori di Benetton: Teo Fabi foi o piloto titular a partir do GP de Mônaco

Numa manobra de marketing, a Benetton, que já patrocinara a Tyrrell e vinha injetando dinheiro na Alfa Romeo, em franco declínio técnico na categoria, resolveu patrocinar a Toleman visando o mercado estadunidense. O carro começou os treinos em Monte-Carlo totalmente sem patrocínio, mas na segunda qualificação, o TG185 já estava integrado ao “mundo das cores unidas” da Benetton.

Praticamente sem nenhum treino a bordo do carro novo, Fabi conseguiu a 19ª e penúltima posição no grid do GP de Mônaco, abandonando a corrida ao pegar as sobras da porrada entre Nelson Piquet e Riccardo Patrese na freada da curva Saint Dèvote.

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O italiano impressionaria com uma histórica pole position no GP da Alemanha

A situação não melhoraria muito nas corridas seguintes e havia o agravante de não poder haver pneus para testes, graças à cota de pneus da Spirit, que era para somente um carro. Mas o jogo viraria no GP da Alemanha, em Nürburgring.

Calando mais uma vez a boca de quem dizia que a Toleman fazia péssimos chassis, Teo Fabi conseguiu um temporal logo no primeiro treino de classificação – 1’17″429, que não seria mais batido por ninguém, porque no sábado choveu. Na corrida, o italiano largou pessimamente e depois sua embreagem quebrou.

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Pier Carlo Ghinzani fez meia temporada, mas não acrescentou muito

Na corrida seguinte, a Pirelli aumentou a cota de pneus do time e a Toleman pôde colocar seu segundo carro na pista. John Watson, apesar dos seus quase 40 anos de idade, seria a escolha natural mas, não se sabe porque, o italiano Pier Carlo Ghinzani, 33 anos, acabou contratado para o restante do campeonato de 1985, após ser liberado pela Osella.

Fabi conseguiria outras boas posições em qualificação: foi 6º na Áustria, quinto na Holanda e sétimo na África do Sul. Mas o desempenho do motor Hart era muito mais inconsistente que em 1984 e as quebras se sucederam – ao todo, foram sete motores estourados até a Austrália – quatro com Ghinzani, três com Teo Fabi.

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No fim do ano, a Toleman foi absorvida pela Benetton e o resto é história

Embora a temporada tenha se encerrado com um magérrimo 12º lugar como melhor resultado, com Fabi, em Monza, a Benetton gostou da brincadeira. Tanto que, ao fim do ano de 1985, subscreveu as ações da Toleman e comprou a equipe, rebatizando-a com seu nome, mantendo Rory Byrne como diretor técnico e fechando um contrato de fornecimento de motores com a BMW.

A Toleman, em sua curta história de quatro anos, deixou sua marca na Fórmula 1. Foram 57 GPs disputados, com uma pole position, duas voltas mais rápidas em corrida e três pódios, além de 26 pontos somados – metade deles por Ayrton Senna, que se tornaria um dos maiores nomes da história do automobilismo. A missão da equipe foi mais do que cumprida e Ted Toleman mal poderia imaginar que sua pequena organização de fundo de quintal lá por 1977 seria a gênese de três times na categoria máxima.

6 comentários

  1. Essa série de posts sobre a Toleman foi excelente! Recordar o início de Senna na F1 foi muito bom!

  2. moises simoes disse:

    hehehe, ainda por cima é possível ver a campanha “USA for Africa” na carenagem.

    Muito bom, manda mais!

  3. Paulo BR disse:

    Excelente.
    Qual a próxima? Zakspeed, Minardi, Ensign, Lotus (a original), Brabhan?
    Também seria bem interessante aquela idéia que alguém comentou aqui, dias atrás: fazer um “Saudosos projetistas”, com histórias de Gordon Murray, John barnard, Ricardo Divila, etc.
    Abraços.

  4. Paulo BR disse:

    Tyrrell, quando vem?

  5. […] acompanhou a história da Toleman aqui, aqui e aqui sabe muito bem que não é […]

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