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23 de janeiro de 2013 - 02:39Fórmula 1, Memorabilia

Saudosas pequenas – Zakspeed, parte II

RIO DE JANEIRO – A Zakspeed sobreviveu a um primeiro ano “de estudos” e intensificou os trabalhos para fazer uma temporada melhor em 1986. O motor ganhou um acréscimo de potência, apesar de ter de trabalhar a partir daquele ano para consumir 195 litros de combustível – obrigatoriedade do regulamento na época. E o carro era totalmente novo: o chassis 861, mais uma vez projetado por Paul Brown e Chris Murphy.

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Jonathan Palmer continuou com a equipe alemã para o campeonato de 1986

Erich Zakowski renovou o contrato com Jonathan Palmer, que começou a temporada correndo sozinho nos GPs do Brasil e da Espanha. Mas a partir de San Marino, o time alemão ganhou o reforço de um novo piloto: o holandês Huub Rothengatter, com passagens pouco brilhantes por Spirit e Osella, assumiu o volante do carro #29 até o fim do ano.

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Quando dava, Palmer andava bem

A novidade só serviu para provar quem era o primeiro piloto do time. Palmer continuou sendo o mais rápido em qualificações e, quando podia, fazia bons resultados em treinos. Na Alemanha, no GP caseiro da Zakspeed, conseguiu um belo 16º lugar no grid, o que para os padrões de um time com menos de 20 corridas na Fórmula 1 era excelente.

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O holandês Huub Rothengatter conseguiu um 8º posto como melhor resultado

Enquanto Rothengatter só figurou uma única vez entre os classificados – e mesmo assim com problemas mecânicos, com um 8º lugar em Zeltweg, Jonathan Palmer conseguiu terminar cinco corridas – também com um oitavo posto como melhor resultado, nas ruas de Detroit – e ainda foi 10º colocado no México, quando ficou pelo caminho por falta de gasolina.

Uma observação merece ser feita: no GP da Alemanha, homenageando a estreia da Hungria no calendário da Fórmula 1, a Zakspeed recebeu o ok da Reemstma, dona da marca West e inscreveu em seus 861 o “East” da foto acima do carro de Huub Rothengatter em alusão à corrida sediada pela primeira vez na história no Leste Europeu.

Apesar da temporada de 1986 ter passado em brancas nuvens, Erich Zakowski enxergava alguma evolução na sua equipe. E para isso, resolveu trazer novos pilotos para Niederzissen: contratou o britânico Martin Brundle, no que pareceu uma troca direta com a Tyrrell, pois foi justamente Jonathan Palmer que foi para o seu lugar, e o alemão Christian Danner veio para o lugar de Huub Rothengatter.

Num ano onde a FIA limitou a pressão do turbo dos motores a 4 atmosferas, a Zakspeed enxergou aí uma oportunidade mais do que razoável para enfim chegar aos seus primeiros pontos na Fórmula 1. Ainda mais que em 1987 quatro equipes vinham com motores aspirados: Tyrrell, Larrousse, March e AGS. Sem muita concorrência, pressupós Erich Zakowski, as chances melhorariam.

Zakspeed 861B

Christian Danner foi contratado para o Mundial de 1987; no início do ano, ele correu com o modelo 861B

Enquanto o novo 871 não ficava pronto, o velho 861 deu conta do recado no GP do Brasil. Danner chegou em 9º lugar e Brundle abandonou com problema no turbo. O britânico recebeu o primeiro chassi projetado por Chris Murphy e Heinz Zöllner no GP de San Marino e, naquela corrida, conseguiu a 5ª posição, somando os dois primeiros e muito comemorados pontinhos da história do time de Erich Zakowski. E quase que Christian Danner fez o seu com o 861: chegou em sétimo.

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Martin Brundle a bordo do Zakspeed 871

Mas daí para diante, a coisa desandou. Houve absolutamente de tudo nas corridas restantes. Danner chegou a ser excluído do GP de Mônaco por ter provocado um acidente considerado desnecessário com Michele Alboreto nos treinos. Some-se a isso uma sequência terrível de problemas de câmbio e transmissão enfrentados pelos pilotos, afora outras falhas mecânicas que tornaram o ano um pesadelo para Brundle e Danner.

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O britânico só pontuou no GP de San Marino: 5º colocado

Após San Marino, Brundle só conseguiria um 8º lugar em Mônaco e um 11º na Espanha. Danner ainda terminou três provas: foi nono na Áustria e Itália e sétimo na última corrida do ano, na Austrália.

Apesar do ano ter sido muito aquém do esperado em razão das quebras, a Zakspeed não teve do que se queixar. Em 1988, na temporada seguinte, não precisaria gastar um tostão com o transporte de equipamentos oferecido pela Associação dos Construtores de Fórmula 1, para as provas realizadas fora do continente europeu.

No próximo – e último – post, veremos como foi a situação da Zakspeed nos campeonatos de 1988 e 1989. E o que aconteceu com o time alemão depois da categoria máxima.

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5 comentários

  1. Ron Groo disse:

    Eu sempre achei a pintura destes carros muito bonita. Gostei de aprender mais um pouco sobre o time.

  2. Rodrigo Peixoto disse:

    Grande post, Rodrigo. Nunca soube o porque do East, sempre achei que era apenas opção de mercado.

  3. Marcelo Sabsud disse:

    Rodrigo, A zakspeed usou o “east” no gp da Alemanha, é só ver a cena da quebra de J.Palmer.

  4. Como sempre, tou adorando as tuas histórias sobre as pequenas. Faltam imensas, mas para variar, que tal contares uma que andou nos anos 70, como a Ensign ou a Theodore? Também teria o seu interesse.

    Entretanto, descobri este video ontem à noite sobre a rápida degradação do circuito de Valencia. Tens de ver e falar sobre isso. http://continental-circus.blogspot.pt/2013/01/youtube-motorsport-crash-o-abandono-do.html

    Abraços!

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