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4 de fevereiro de 2013 - 00:18Fórmula 1, Memorabilia

Saudosas pequenas – Ensign, parte IV

RIO DE JANEIRO – Tempos bicudos para a Ensign no início do campeonato de 1979. O carro não tinha efeito-solo e logicamente era dos mais lentos da categoria. Apesar das dificuldades, Mo Nunn começou o ano com o velho N177, alinhado para Derek Daly, enquanto o novo bólido não ficasse pronto.

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Sofrendo no início do ano: esta foi a sina de Derek Daly pela Ensign em 1979

O irlandês ainda conseguiu a façanha de se qualificar no Brasil e na Argentina com um carro tremendamente defasado. Foi último no grid e 11º em Buenos Aires e no Brasil, Daly largou em 23º e chegou em décimo-terceiro.

Na época, Nunn voltara a trabalhar com David Baldwin, que tinha saído da Copersucar-Fittipaldi no fim de 1977 e trazido com ele um jovem engenheiro paquistanês chamado Shabab Ahmed, que os brasileiros chamavam de “XisXis”. Foi ele quem deu a Baldwin e a Nunn uma sugestão no mínimo incomum: a montagem dos radiadores na seção frontal, SOBRE o castelo do cockpit. Imaginem o calor…

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Ensign N179: concorrente fortíssimo entre os carros de corrida mais bizarros de todos os tempos

O insólito Ensign N179 apareceu pela primeira vez no GP da África do Sul em Kyalami, e não se qualificou para a largada. Daly bateu em Long Beach e como o moncoque foi danificado no acidente, o velho N177 foi ressuscitado para as corridas da Espanha e Bélgica, onde o irlandês não se qualificou. O N179 voltou em Mônaco, mas Daly de novo ficou de fora. Nunn acabou dispensando o piloto para trazer um novato: Patrick Gaillard.

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O novato Patrick Gaillard apanha do já remodelado N179 em Silverstone

Em cinco ocasiões que tentou se classificar, o francês fracassou em três e largou no GP da Inglaterra, chegando em 13º lugar e também na Áustria, onde a suspensão do carro quebrou. O N179 era um mau carro: além de não ter a eficiência aerodinâmica esperada, os motores Ford Cosworth não eram refrigerados de forma adequada, provando que a teoria de “XisXis” fora um fracasso.

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Marc Surer fez sua estreia na Fórmula 1 pela Ensign, no GP dos EUA, em Watkins Glen

Nas três últimas corridas, quem assumiu o volante do #22 foi o novato suíço Marc Surer, que conquistara o título de Campeão Europeu de Fórmula 2. No fim do ano, o N179 mudou o visual: saiu a pintura vermelha e entrou um arco-íris sobre um fundo escuro, cortesia do patrocínio dos jeans Rainbow. Surer só fez sua estreia no GP dos EUA, em Watkins Glen, sob chuva. Largou em 21º e o motor quebrou.

Para o Mundial de 1980, Morris Nunn trouxe Ralph Bellamy, que fracassara fragorosamente com o Copersucar-Fittipaldi F6 e pediu ao projetista um carro simples, mas funcional, dentro do conceito de carro-asa. Nasceu o Ensign N180, de linhas harmoniosas e com o patrocínio da Unipart – provavelmente com a mais bela pintura da equipe na Fórmula 1.

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Clay Regazzoni na pista em que acidentou-se e teve que encerrar a carreira, com paralisia em ambas as pernas

Um velho conhecido do time juntou-se a Nunn e Bellamy: Clay Regazzoni, que fizera temporada muito boa pela Williams mesmo prestes a completar 40 anos, regressava ao time britânico. E o começo de ano foi bastante honesto: Rega foi 15º no grid em Buenos Aires, 12º em Interlagos e chegou em nono no GP da África do Sul.

Só que no GP dos EUA-Oeste disputado em Long Beach, o inesperado aconteceu: penúltimo no grid, Regazzoni já era o quarto na altura da 50ª volta, quando meteu o pé no freio para fazer um hairpin e não houve resposta: os freios simplesmente falharam. O ítalo-suíço entrou com tudo no Brabham de Ricardo Zunino, que estava estacionado na área de escape e o chassi dobrou em “L”, além de haver um princípio de incêndio, prontamente debelado. As consequências do acidente foram terríveis para Rega, que perdeu os movimentos das pernas, ficou paraplégico e precisou encerrar sua carreira de piloto.

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Tiff Needell teve vida curtíssima como substituto de Clay Regazzoni

O que tinha tudo para ser um ano bastante razoável para a Ensign acabou sendo um completo desastre a partir daí. Não por culpa do carro – é que não havia bons pilotos capazes de conduzi-lo. Mo Nunn deu uma chance ao britânico Tiff Needell em duas corridas: em Zolder, ele até conseguiu largar, mas o motor não resistiu. No GP de Mônaco, o inexperiente piloto não se classificou.

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Vindo da ATS, Jan Lammers não podia fazer milagres

Afastado da ATS, o holandês Jan Lammers assumiu o volante do N180 em Paul Ricard, sem conseguir um lugar no grid. Ele só se classificaria pela primeira vez com a nova equipe em Hockenheim, largando de último para chegar em 14º. Em duas corridas, o time de Mo Nunn voltou a ter dois carros, com Geoff Lees alinhando – e se acidentando – no GP da Holanda. Lammers conseguiria como melhor resultado a décima-segunda posição no Canadá. E foi só.

Tempos difíceis… e amanhã, a quinta e última parte da história da Ensign na Fórmula 1.

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1 comentário

  1. fabio de souza disse:

    Muito obrigado por essa série sobre as pequenas da F1.As fotos tambem são belíssimas.Valeu!!!!!!!!!!

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