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26 de maio de 2013 - 12:13Fórmula 1, Temporada 2013

Um Rosberg no pódio, 30 anos depois

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RIO DE JANEIRO - O GP de Mônaco desse ano dividiu-se em duas partes: chato, muito chato no início e animado do meio para o fim. Teve de tudo. Batidas, barbaridades, bandeira vermelha, algumas boas ultrapassagens e – sim, senhores! – uma vitória da Mercedes. Os leões de treino superaram a fama adquirida nas corridas anteriores e chegaram lá no Principado. E, trinta anos depois do pai, Nico Rosberg vence num dos circuitos mais tradicionais da Fórmula 1.

Ok… a corrida foi atípica e a Mercedes respondeu rápido. Só não fez a dobradinha porque Hamilton acabou prejudicado na primeira das duas entradas do Safety Car. Caiu para quarto e por lá ficou. Acabou atrás do líder do campeonato Sebastian Vettel e de Mark Webber, que conquistou seu quarto pódio nas cinco últimas edições da corrida do Principado. O alemão, líder do campeonato e atual tricampeão, continua sem vencer em território europeu. Isso parece não preocupá-lo – muito menos que o fato de que a Red Bull, mesmo comandando o Mundial de Construtores com 164 pontos, não tem mais o carro de outro planeta que teve noutros tempos.

Agora, vamos aos destaques negativos.

Começando pelo segundo acidente de Felipe Massa em pouco mais de 24 horas.

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Não é possível, para mim, que o piloto tenha tanta culpa numa batida como aquela que sofreu ontem. E hoje, a mesma coisa. No mesmo ponto, só que com menos impacto e velocidade, o brasileiro bateu na aproximação da curva Saint Dévote. E se machucou: saiu do circuito com um colar no pescoço e direto para casa. Nada de falar com a imprensa desta vez.

Quanto a esta estranha sequência de acidentes, quem sou eu pra sugerir alguma coisa. Mas acho que a Ferrari deveria tomar providências. É muito menos leviano do que jogar a culpa de acidentes em seus contratados, vide o que fizeram quando a suspensão do carro do Barrichello quebrou sem nenhum aviso prévio no GP da Hungria de 2003.

Mas pior, muito pior do que estes dois acidentes de Massa foi o que fez o britânico Max Chilton. Numa tentativa insana de ultrapassagem sobre Pastor Maldonado, o piloto da Marussia ejetou o venezuelano da Williams para as proteções à margem da pista. E a batida foi tão forte que as barreiras se moveram e a bandeira vermelha foi exibida. Uma manobra absurda onde o britânico – que é um dos vários pilotos pagantes da temporada, diga-se – só foi punido com um drive through.

Ora… punir Chilton dessa forma é o mesmo que dar uma mariola pra ele, passar-lhe a mão na cabeça e dizer que está tudo bem. Faltou pulso a Charlie Whiting e sua turma, que deveriam exclui-lo da disputa pela manobra de altíssimo risco. Se não houve esse zelo na pista, que haja fora dela e a FIA tem que tomar as medidas cabíveis para suspender Max Chilton por, no mínimo, duas corridas – para aprender a não fazer bobagem.

Quem não aprendeu e pelo visto nunca aprenderá é Romain Grosjean. O franco-suíço que faz hora extra nas tirinhas da Turma da Mônica como o “Louco” fez das suas também. Estragou a própria corrida e a do australiano Daniel Ricciardo, da Toro Rosso. Acabou se retirando da disputa, antes que fizesse mais besteiras.

Por fim, Sergio “Checo” Pérez. O mexicano é daqueles pilotos destemidos, que o público gosta de ver. Mais ou menos como o Kamui Kobayashi, por exemplo. Até o defendemos – com razão – quando ele fez uma manobra ousada para cima de Fernando Alonso, que deveria ter recolhido e deixado o mexicano ultrapassá-lo e não cedeu, colocando os dois sob algum risco. O espanhol da Ferrari acabou obrigado pela direção de prova, após a interrupção por bandeira vermelha, a trocar de posição com o piloto da McLaren.

Mas aí, Pérez resolveu confundir audácia com imprudência e fez o que não devia, voltas mais tarde. Estragou a boa corrida que fazia no momento em que resolveu passar Kimi Räikkönen por onde não dava: furou o pneu do carro do finlandês (que já reclamava do rival pelo rádio do time, chamando-o dos epítetos menos simpáticos possíveis – “idiota” foi o menos pesado) e  alguns quilômetros depois, nem o carro do mexicano resistiu. Também pudera: misturar tequila com vodka não dá certo…

Mais uma inimizade que se inicia? É bem provável…

Agora, vamos aos destaques positivos:

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Adrian Sutil, sempre à vontade nas ruas de Monte-Carlo, na minha opinião foi um dos melhores pilotos do dia. Fez ultrapassagens de verdade, limpas e sem forçar a barra, sobre Jenson Button e Fernando Alonso. Beneficiou-se, é verdade, do imbroglio entre Pérez e Räikkönen, para chegar em quinto. Mas é a tal história: estava no momento certo e na hora certa. Também é bom destacar o 9º posto de Paul Di Resta, que parou cedo e continuou com os mesmos pneus desde seu único pit stop até a quadriculada final. A exemplo de Sutil, fez boas ultrapassagens durante a corrida.

Jean-Eric Vergne, com o capacete evocando François Cévert, foi outro bom nome do domingo. Fez uma corrida sem nenhum erro e livre de bobagens dos adversários. Foi premiado com quatro pontos e um bom 8º lugar, ajudando a Toro Rosso a permanecer bem à frente da Sauber na luta pelo sétimo lugar no Mundial de Construtores.

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E, por fim, Kimi Räikkönen, que foi um monstro nas voltas finais. Com um pneu furado pelo toque de Pérez em sua Lotus, parou nos boxes, fez a troca e veio voando para cima de quem estava à sua frente. Não passou seis pilotos como achei que teria superado – pois o mexicano da McLaren abandonou antes – mas deixou CINCO pilotos para trás: Van Der Garde, o recalcitrante Chilton, Estéban Gutiérrez e, na última volta, superou o compatriota Valtteri Bottas e o alemão Nico Hülkenberg.

Embora faça o tipo “I don’t care”, o Iceman alcança com o suado 10º lugar um total de 23 corridas consecutivas na zona de pontuação – a uma de igualar o recorde de Michael Schumacher. Ele só vai lamentar o fato de ficar agora a 21 pontos de Sebastian Vettel. Mas um sujeito que ultrapassa cinco carros em apenas seis voltas, e numa pista como Mônaco, tem que ser lembrado – e saudado – para todo o sempre.

4 comentários

  1. Alisson disse:

    Que lambança de Pérez e do Grosjean. Os dois deveriam ser punidos no grid do Canadá, sem esquecer do Chilton também, esse deveria tomar um gancho.

  2. Elias disse:

    Sem dúvida uma bela corrida do garoto Nico Rosberg, vencendo com louvor.
    Mas, quem fez uma corrida irreconhecível, foi o Alonso. Sei lá, mas achei ele muito desconcentrado.
    Deram dois ” passadões” nele, o qual ele nem viu.Para o melhor piloto da F1, Foi uma das piores corridas dele nos últimos anos.,

  3. Renato de M. Machado disse:

    Corrida boa,mas chata por causa dos pneus,quê não deixa,a corrida ser de F1.

  4. Vera Peres disse:

    Ótima análise da corrida e concordo pelnamente com último parágrafo: Kimi é um cara que faz a gente ter prazer em assitir uma corrida.

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