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17 de julho de 2013 - 11:05Fórmula 1

Tábua de salvação

RIO DE JANEIRO – A situação econômica de algumas equipes de Fórmula 1, como previra Martin Whitmarsh no início do campeonato deste ano, realmente não é das mais saudáveis. Poucas nadam em dinheiro e as que não contam com a benesse de motores sem custo, acabam tendo problemas para equilibrar receita com despesa. Diante desta equação desfavorável, o jeito é apelar para novas soluções e tentar sair da insolvência.

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A Sauber estava nessa corda bamba, qual equilibrista tentando atravessar de um lado a outro do picadeiro. O time suíço não respira ares saudáveis desde o início do campeonato e nem a continuidade dos apoiadores de Estebán Gutiérrez – que são os mesmos que vinham com Sergio Pérez no time – garantiu as já combalidas finanças da escuderia. A crise ficou evidente quando se soube que o primeiro piloto, o alemão Nico Hülkenberg, que recebe salários para correr, não via a cor do dinheiro. Fornecedores também estavam levando calote da equipe.

Aí veio a salvação da pátria. Dinheiro russo. Aliás, os russos têm investido muito em esporte e muitas suspeitas recaem sobre a origem desse dinheiro, que surge em somas vultosas quer seja no futebol, quer seja no automobilismo. Eles têm autódromos novos, modernos e um deles, em Sochi, está programado para entrar no calendário do Mundial de Fórmula 1. O interesse é crescente e, de uma forma ou de outra, os “camaradas” se envolvem com a corrida prevista para 2014.

Mas dizem que esse interesse vai além da questão financeira. A contrapartida da entrada dos russos como parceiros da Sauber tem nome e sobrenome: um jovem piloto prestes a completar 18 anos, de nome Sergey Sirotkin.

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O garoto, em que pese a pouca idade, tem o pé pesado. Não faz um ano dos mais espetaculares na World Series by Renault, é verdade, mas na AutoGP, certame internacional que tem carros com motores de mais de 600 HP de potência e corre com chassis Lola de 2005, os mesmos usados pela finada A1 GP, Sirotkin deixou este blogueiro bastante impressionado pela velocidade pura que mostrou. Ninguém se garante num carro de 600 cavalos com 16/17 anos de idade, se não for bom. Ano passado, ele fez uma pole position, venceu duas corridas e cravou cinco melhores voltas em prova. Foi o 3º colocado da competição.

Longe de mim querer apontar Sirotkin como um fenômeno, coisa que está longe de ser. Mas a presença dele acende mais uma luz de alerta na Fórmula 1. Talento é o item menos importante hoje para a conquista de uma vaga na categoria máxima. O dinheiro que os russos vêm trazer como a panaceia dos males da Sauber é quem deve levar o jovem piloto a um cockpit em 2014 ou 2015, talvez.

Que os russos saibam fazer bem-feito na gestão de uma equipe que tem 20 anos de presença na categoria, como a Sauber. Os bons exemplos estão aí: o grupo Genii foi visto com desconfiança e hoje faz da Lotus uma das equipes mais queridas e populares da categoria. Vijay Malliya, em que pese alguns problemas financeiros, também conseguiu pôr a Force India, cuja origem foi a Jordan (depois Midland e Spyker), nos eixos. Tanto que têm mais pontos que a McLaren neste ano.

Agora é ver como as coisas caminharão. Dentro e fora das pistas.

 

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2 comentários

  1. Leonardo disse:

    Olá Rodrigo, segundo a wikipedia o garoto correu aqui em Curitiba ano passado quando a Auto GP fez a preliminar do WTCC e terminou uma das corridas em 3º lugar e a outra em 4º, estava lá mas não me lembro dele….

  2. fabio de souza disse:

    Lavagem de dinheiro na F1?Não só nesta categoria, e no final das contas em vários esportes na forma de patrocinio, contratações de atletas a valores absurdo e criação de ídolos sem nenhum grande feito.O futebol é pródigo nisso.Há vários dos chamados fundo de investimentos ïnvestindo¨em clubes e equipes de automobilismo, como a citada Geni e casas de apostas.Daí a profusão de estatísticas citadas em jogos de futebol, corridas.Um dia essa bomba estoura.Quase aconteceu com a quebradeira nos EUA e Europa em 2008, quando começou -se questionar como transações de centenas de milhões de Euros acontecia em um continente quebrado.
    PS; O tio Bernnie acaba de ser citado no caso de suborno na Alemanha.Caso de policia

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