Direto do túnel do tempo (115)

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5792RIO DE JANEIRO – Dia 14 de agosto de 1977. Naquela data, no GP da Áustria, disputado em Zeltweg, o australiano Alan Jones foi o protagonista de uma das maiores zebras da história da Fórmula 1. Ao volante do Shadow DN8 da foto, o piloto, então com 30 anos, venceu a 12ª etapa do campeonato daquele ano, desbancando os favoritos James Hunt, Niki Lauda, Mario Andretti e Jody Scheckter.

Para começar, a posição de Jones não era nada favorável no grid. Ele largou da sétima fila, com o 14º tempo. Naquela oportunidade, seu companheiro de time era o italiano Arturo Merzario, substituindo Riccardo Patrese, que tinha um compromisso numa corrida de Fórmula 2.

A corrida começou com pista molhada, porém já secando quando os pilotos deram a largada – a grande maioria deles com slicks. Mario Andretti liderou no início e Jones teve um início tímido, em contraste com Arturo Merzario, que largou com pneus de chuva e chegou ao sexto lugar, vindo de 21º no grid, em seis voltas. Entretanto, o fôlego do italiano acabou com o desgaste excessivo dos pneus biscoito numa pista que já estava totalmente seca e Merzario foi aos boxes para mudar os pneus.

Na altura da 11ª volta, Jones era o quinto, avançando progressivamente na classificação, enquanto Andretti perdia rendimento para abandonar logo depois, com quebra de motor em sua Lotus 78. James Hunt assumiu a ponta, seguido por Jody Scheckter, da Wolf e por Hans-Joachim Stuck, da Brabham.

Possuído, Jones superou Stuck e na 16ª passagem, assumiu uma incrível vice-liderança, suplantando também a Scheckter. Após isto, o australiano se instalou confortavelmente na segunda posição, com Gunnar Nilsson e depois Niki Lauda superando Scheckter para se revezarem em 3º lugar.

A liderança de Hunt durou até a 44ª volta, quando sem nenhum aviso prévio, o motor do McLaren M26 do campeão mundial de Fórmula 1 explodiu. Jones se viu com a liderança no colo e Scheckter, que voltara ao terceiro posto, levou uma fechada do retardatário Patrick Neve e bateu.

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Jones conquistou a primeira – e única – vitória da história da Shadow, com 20 segundos de vantagem para Niki Lauda. Hans-Joachim Stuck foi ao pódio com a Brabham BT45 Alfa Romeo que fora de José Carlos Pace, o saudoso “Moco”. Carlos Reutemann chegou em quarto, Ronnie Peterson em quinto (na Tyrrell de seis rodas) e Jochen Mass, com o outro McLaren, foi o sexto.

Há 36 anos, direto do túnel do tempo.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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