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23 de setembro de 2013 - 14:3130 anos do bi, Fórmula 1

30 anos do bi, parte V – GP de Mônaco de 1983

RIO DE JANEIRO – A temporada de 1983 chegou ao fim do seu primeiro terço com o tradicional Grande Prêmio de Mônaco, marcado para 15 de maio. Naquela altura, após quatro corridas, Nelson Piquet e Alain Prost, com uma vitória e um segundo lugar cada um, lideravam o certame somando 15 pontos contra 14 de Patrick Tambay e dez do austríaco Niki Lauda.

Com seus 3,328 km de extensão, o circuito monegasco representava mais uma oportunidade para as equipes que ainda dispunham de carros com motores Ford Cosworth poderem derrotar os modelos com propulsores turbo. E para esta corrida, 28 carros foram inscritos – e sem absolutamente nenhuma novidade técnica ou mesmo uma troca de pilotos. Na verdade, a escuderia RAM voltava a ter somente um carro, para o chileno Eliseo Salazar.

Treinos

Na pré-qualificação, necessária na época pois havia a obrigatoriedade de apenas 20 carros no grid para 26 vagas nos treinos oficiais, os dois Theodore com Roberto Guerrero e Johnny Cecotto ficaram de fora. Na primeira sessão, realizada na quinta-feira (não há treino da Fórmula 1 às sextas em Mônaco), Alain Prost virou um temporal – 1’24″840, contra 1’25″182 de René Arnoux. Eddie Cheever e Patrick Tambay evidenciaram o poderio de Renault e Ferrari no Principado, marcando a terceira e a quarta posições, respectivamente. Keke Rosberg foi de novo espetacular com a Williams, marcando o 5º tempo, com Nelson Piquet em sexto.

Com Chico Serra em 15º e Raul Boesel na 18ª posição, o primeiro treino tinha uma surpresa: Niki Lauda e John Watson ocupando, respectivamente, a 22ª e a 23ª posições. Coincidentemente, as posições de largada das quais saíram para uma histórica dobradinha em Long Beach.

Aí, choveu. No sábado, ninguém melhorou as marcas do primeiro dia e a dupla da McLaren ficou de fora – fato inédito até então na história da escuderia chefiada por Ron Dennis. Bruno Giacomelli, Corrado Fabi, Pier Carlo Ghinzani e Eliseo Salazar também não conseguiram entrar entre os 20 que largaram no domingo.

Corrida

No momento do alinhamento, caía uma garoa fina, mas a pista já secava desde o warm-up, o treino de aquecimento realizado horas antes do GP. O tempo permanecia ameaçador e dos 20 inscritos, somente um optou por montar pneus slicks, próprios para a pista seca, acreditando que não choveria mais.

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Keke Rosberg deu um tiro certeiro e já na primeira volta, despontava na liderança, saindo da quinta posição. Prost passou em segundo, com Cheever em terceiro, Arnoux em quarto, Tambay em quinto e Andrea de Cesaris em sexto. Nelson Piquet foi prudente, passando na 9ª posição. Chico Serra saiu muito bem e foi pra 11º, com Raul Boesel em 15º. Michele Alboreto e Nigel Mansell já haviam abandonado.

A pista traiçoeira continuou fazendo mais vítimas nas voltas iniciais: Boesel e o alemão Manfred Winkelhock bateram também, na 3ª volta, e abandonaram. Duas voltas depois, Piquet optou por trocar os pneus de chuva pelos slicks, voltando à pista em décimo-quarto.

Arnoux não teve a mesma sorte do brasileiro: trocou também para os compostos lisos, mas bateu na seqüência. Nesta altura, Rosberg liderava com sobras, trazendo Prost em segundo. Jacques Laffite vinha em terceiro, com Cheever em quarto, Tambay em quinto e Marc Surer em sexto. Serra ainda era o 11º.

Quando Prost parou, Laffite foi para segundo e Surer ascendeu ao quarto lugar – depois para terceiro, no pit stop de Patrick Tambay. Na 12ª volta, Piquet, em excelente recuperação, já era o sexto. O panorama dos dez primeiros era este: Rosberg, Laffite, Surer, Derek Warwick, Prost, Piquet, Elio de Angelis, Cheever, Jean-Pierre Jarier e Riccardo Patrese. Serra fez sua troca de pneus e caiu para 15º.

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O panorama não sofria grandes alterações entre os seis primeiros, até que na 22ª volta, Piquet conseguiu – com muito desprendimento – uma raríssima e importante ultrapassagem na corrida, sobre Alain Prost. Ao piloto da Brabham, restava pressionar Marc Surer e Derek Warwick, que lideravam um “trenzinho” do terceiro lugar em diante, pois Keke Rosberg e Jacques Laffite seguiam inalcançáveis com as Williams FW08C.

E então a sorte sorriu para Piquet: no início da 50ª volta, Warwick abalroou Surer numa tentativa infeliz de ultrapassagem na freada da curva Ste. Dévote e os dois bateram. Piquet, Prost e os demais ganharam duas posições na corrida. E não parou por aí, pois a Williams de Laffite quebrou o câmbio poucas voltas depois. Piquet chegou ao segundo lugar, com Prost em terceiro, Patrese em quarto (depois de largar em 17º), Tambay em quinto e Danny Sullivan em sexto.

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Perto do fim, nova mudança: Patrese teve uma pane elétrica em sua Brabham, foi ultrapassado por Tambay e depois abandonou definitivamente, o que elevou Mauro Baldi ao sexto lugar e Chico Serra ao sétimo – e último – posto entre os que terminaram.

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De forma categórica, de ponta a ponta, Keke Rosberg conquistava de forma brilhante sua 2ª vitória na Fórmula 1. E Nelson Piquet, com o segundo lugar, tinha bons motivos pra sorrir: afinal, com 21 pontos somados, ele saía de Mônaco com dois de vantagem para Alain Prost. Era a liderança isolada do Mundial de Pilotos outra vez nas mãos do brasileiro.

O resultado final do GP de Mônaco de 1983:

1. Keke Rosberg (Williams FW08C Cosworth) – 76 voltas em 1h56min38s121, média de 129,487 km/h
2. Nelson Piquet (Brabham BT52 BMW Turbo) – a 18s475
3. Alain Prost (Renault RE40 Turbo) – a 31s366
4. Patrick Tambay (Ferrari 126C2B Turbo) – a 1min04s297
5. Danny Sullivan (Tyrrell 011 Cosworth) – a 2 voltas
6. Mauro Baldi (Alfa Romeo 183T Turbo) – a 2 voltas
7. Chico Serra (Arrows A6 Cosworth) – a 2 voltas
8. Riccardo Patrese (Brabham BT52 BMW Turbo) – AB/64 voltas/pane elétrica
9. Jacques Laffite (Williams FW08C Cosworth) – AB/53 voltas/caixa de câmbio
10. Marc Surer (Arrows A6 Cosworth) – AB/49 voltas/acidente
11. Derek Warwick (Toleman TG183B Hart Turbo) – AB/49 voltas/acidente
12. Elio de Angelis (Lotus 93T Renault Turbo) – AB/49 voltas/transmissão
13. Jean-Pierre Jarier (Ligier JS21 Cosworth) – AB/32 voltas/suspensão
14. Eddie Cheever (Renault RE40 Turbo) – AB/30 voltas/pane elétrica
15. Andrea de Cesaris (Alfa Romeo 183T Turbo) – AB/13 voltas/caixa de câmbio
16. René Arnoux (Ferrari 126C2B Turbo) – AB/6 voltas/acidente
17. Raul Boesel (Ligier JS21 Cosworth) – AB/3 voltas/acidente
18. Manfred Winkelhock (ATS D6 BMW Turbo) – AB/3 voltas/acidente
19. Michele Alboreto (Tyrrell 011 Cosworth) – AB/não completou a 1ª volta/acidente
20. Nigel Mansell (Lotus 92 Cosworth) – AB/ não completou a 1ª volta/acidente

Classificação do campeonato até a 5ª etapa: 1. Nelson Piquet – 21 pontos; 2. Alain Prost – 19; 3. Patrick Tambay – 17; 4. Keke Rosberg – 14; 5. John Watson – 11; 6. Niki Lauda – 10; 7. René Arnoux – 8; 8. Jacques Laffite – 7; 9. Eddie Cheever e Marc Surer – 4; 11. Danny Sullivan – 2; 12. Johnny Cecotto e Mauro Baldi – 1 ponto.

Construtores: 1. Ferrari – 25; 2. Renault – 23; 3. Brabham, Williams e McLaren – 21; 6. Arrows – 4; 7. Tyrrell – 2; 8. Theodore e Alfa Romeo – 1 ponto.

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6 comentários

  1. Rodrigo Felix disse:

    Foi nesse ano o famoso episódio com a princesa? Pela cara blasé no pódio dele e da família real… kkkkkkkk

  2. Vinicius disse:

    E essa seria a última corrida do Chico Serra na Fórmula 1,na Bélgica seria substituído por Thierry Boutsen.

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