Tanto Faz

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TANTO FAZ.jpg2RIO DE JANEIRO – Em ação nas Mil Milhas Brasileiras de 1961, eis um carrinho dos mais simpáticos que já correram por estas plagas: este é o protótipo Tanto Faz, um carro que, visto de um ângulo desfavorável, poderia confundir perfeitamente traseira com dianteira e vice-versa.

Mario Olivetti

Por sugestão do petropolitano Mário Olivetti, que muito fez pelo automobilismo brasileiro e carioca, Renato Peixoto, o saudoso “Martelinho de Ouro”, foi quem transformou um FNM JK batido neste bólido, 350 kg mais leve que o modelo original e muito, muito rápido, já que conservava a mecânica 2 litros. O Tanto Faz era um foguete, mas não fazia curva alguma. Só rodopiava feito pião. O problema foi resolvido de maneira prosaica com um lastro incomum: um saco de areia de 60 kg.

Consta que Olivetti e Peixotinho, após um festival de rodadas ao testar o carro, se aperceberam que ele não tinha nome e soltaram a frase lapidar: “Tanto faz, estamos em teste”. Assim, veio o nome do insólito protótipo.

Olivetti e o também carioca Aílton Varanda se inscreveram para a VI Mil Milhas Brasileiras, disputadas em 25 e 26 de novembro de 1961 e, para espanto geral, terminaram em 3º lugar na classificação geral, com 195 voltas percorridas. A vitória foi dos gaúchos Orlando Menegaz/Ítalo Bertão, numa Carretera Ford número #9, após pouco mais de 15h de disputa. Em segundo, chegaram Christian “Bino” Heins e Chico Landi, aí sim num FNM JK.

Eis o resultado final das Mil Milhas de 1961:

1º #9 Orlando Menegaz/Ítalo Bertão
Carretera Ford – 201 voltas

2º #1 Christian “Bino” Heins/Chico Landi
FNM JK – 201 voltas

3º #5 Mário Olivetti/Aílton Varanda
Protótipo Tanto Faz – 195 voltas

4º #37 José Asmuz/Aristides Bertuol
Carretera Ford – 193 voltas

5º #2 Ivo Rizzardi/Caetano Damiani
Carretera Chevrolet – 192 voltas

6º #10 Mário César Camargo Filho/Bird Clemente
DKW – 191 voltas

7º #11 Luiz Antônio Greco/Juvenal Terra
DKW – 190 voltas

8º #58 Antônio Carlos Avallone/Antônio Carlos Aguiar
Carretera Chevrolet – 189 voltas

9º #44 Valdemar Costa/Valdemar Costa Filho
Simca – 185 voltas

10º #45 Ciro Cayres/Danilo de Lemos
Simca – 183 voltas

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

5 Comentários

  • Rodrigo não vivi esse tempo, nasci em 1976… mas que devia ser legal, como devia. Hoje nem Mil Milhas tem mais. Eu peguei a fase da Força Livre lá em Jacarepaguá (início dos anos 80), quando tinha corrida eu estava lá com o meu falecido pai e meu não menos falecido tio. Meu tio era mecânico (dos bons) e preparava dois carros que disputavam o campeonato regional, um Passat e um Fusca (tipo pinico atômico). Sinto saudades desse tempo…

  • Esse ‘Tanto Faz’ é apaixonante de tão simpático, não? Bom ver um pouco mais da história do nosso automobilismo por aqui…

    A propósito: que fim será que levou o carrinho? Nada? Nenhum pedaço perdido por aí?

    Impressionante como essas pérolas desaparecem completamente. O Carcará I, se não me engano, teve o mesmo destino.

Por Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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