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29 de agosto de 2014 - 22:18Discos eternos

Discos eternos – Morrison Hotel (1970)

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RIO DE JANEIRO – Em 1969, os Doors passaram pelas piores situações que um grupo de rock pode imaginar. No dia 1º de março, num show realizado no Dinner Key Auditorum, em Miami, o vocalista Jim Morrison, devidamente alucinado, xingou a plateia, simulou um fellatio com o guitarrista Robbie Krieger, incitou a multidão acalorada a cometer atos obscenos e, por conta disso, ele e o grupo passaram maus bocados. Jim foi processado por atentado ao pudor, respondeu ao processo em liberdade, mas foi condenado (com direito a sursis) e multado em centenas de milhares de dólares. Não obstante, o álbum The Soft Parade, embora tivesse bons momentos, foi mal recebido pela crítica e tornou-se um dos raros fracassos comerciais da banda californiana. Para culminar, Bill Siddons, que respondia pelos contratos do grupo com os promotores de shows, chegou em setembro com uma péssima notícia: o grupo não fora sequer cogitado para o Festival de Woodstock, marco da música e da contracultura naqueles tempos.

Após tantos reveses, o grupo trabalhou para que no ano de 1970 os percalços fossem deixados para trás. Jim também fez sua parte. Cometeu menos excessos – isto significava beber e se drogar menos – e o trabalho de produção do novo disco saiu tranquilamente e em harmonia com o produtor Paul A. Rothchild. Assim nasceu Morrison Hotel, o quinto trabalho de estúdio dos Doors, mesclando gravações antigas nunca lançadas e músicas inéditas.

Mais do que um novo disco, Morrison Hotel significou a volta do grupo às raízes do rock, flertando abertamente com o blues. Jim estava em ótima forma, tanto cantando quanto compondo, mais magro e de barba feita e o resultado é um dos mais inspirados trabalhos do quarteto formado por ele, Robbie Krieger, Ray Manzarek e John Densmore. O álbum abre em grande com “Roadhouse Blues”, com direito à participação especial de John Sebastian (assinando Giovanni Pugliese, por razões de contrato com outra gravadora) na gaita. Doors na mais pura essência, blues para se ouvir com uma cerveja bem gelada a tiracolo e cantar do início ao fim uma das canções que entraram para a história da discografia do grupo.

“Waiting For The Sun”, coincidentemente nome do álbum lançado em 1968 pela banda – e que ficara de fora daquele trabalho – foi enfim apresentada e casou bem com a proposta do disco, que manteve o altíssimo nível em “You Make Me Real”, a suingada “Peace Frog”, num ótimo trabalho de guitarras de Robbie Krieger (coautor da faixa) e do baixista convidado Ray Neapolitan e a poesia de “Blue Sunday”.

Aliás, falando em poesia, o velho e apaixonado Jim ressuscitou com força neste álbum, nos trazendo a espetacular “The Spy” e a inédita desde 1966 “Indian Summer”. Dos blues, o grupo caprichou em “Land Ho!”, “Ship of Fools” e “Maggie M’Gill”. Um trabalho coeso e que devolveu os Doors ao estrelato. A crítica adorou: os editores das revistas especializadas nos EUA só faltaram cobrir a banda de incenso, ouro e mirra.

As ótimas resenhas levaram Morrison Hotel a ser o quarto álbum na Billboard Music Charts no ano de 1970. O single de promoção do álbum, com “You Make Me Real” no lado A e “Roadhouse Blues” no B vendeu bem também. Os Doors venderam 1 milhão de cópias do LP nos EUA e ganharam disco de platina em outros quatro países, incluindo França e Canadá. Foram agraciados com disco de ouro na Grã-Bretanha, Áustria e Suíça.

A capa do álbum foi feita em Los Angeles, num hotel chamado Morrison Hotel, na South Hope Street. A ideia de fotografar o prédio com a banda na calçada foi imediatamente refutada pelo grupo, que esperou quando ninguém estava olhando, entrou nas dependências do térreo e, por detrás do vidro, foram enfim fotografados. Na contracapa, a foto é do Hard Rock Cafe, na East 5th Street. Aliás, o lado B do LP era originalmente chamado Hard Rock Cafe e o lado A, evidentemente, Morrison Hotel.

A boa repercussão do trabalho levou os Doors ao último grande festival de que participaram, na Ilha de Wight, naquele mesmo ano de 1970 e ao excelente álbum L.A. Woman, também calcado no blues de raiz. Pena que rapidamente o grupo encontrou o seu fim…

Ficha técnica de Morrison Hotel
Selo: Elektra/Warner Music
Gravado em agosto de 1966, março de 1968 e novembro de 1969
Lançado em 9 de fevereiro de 1970
Produção de Paul A. Rothchild

Músicas:

1. Roadhouse Blues (Morrison/Doors)
2. Waiting For The Sun (Morrison)
3. You Make Me Real (Morrison)
4. Peace Frog (Morrison/Krieger)
5. Blue Sunday (Morrison)
6. Ship of Fools (Morrison/Krieger)
7. Land Ho! (Morrison/Krieger)
8. The Spy (Morrison)
9. Queen of The Highway (Morrison/Krieger)
10. Indian Summer (Morrison/Krieger)
11. Maggie M’Gill (Morrison/Doors)

1 comentário

  1. Alvaro Ferreira disse:

    Bela viagem no tempo…. O primeiro compacto que comprei na minha vida foi dos Doors, “People are Strange”. No mesmo dia da minha primeira calça Lee!

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