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30 de setembro de 2014 - 16:3240 anos do bi, Fórmula 1

40 anos do bi, parte X – GP da Inglaterra de 1974

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Capa do programa oficial. Notem que ainda havia propaganda de cigarros no GP da Inglaterra. Anos depois, seria proibida.

RIO DE JANEIRO – Marcada para o dia 20 de julho, a 10ª etapa do Campeonato Mundial de Fórmula 1 em 1974 seria o início da reta final de uma temporada muito disputada e acirrada, com os três primeiros colocados então separados por somente cinco pontos. Com sede em Brands Hatch, o GP da Inglaterra teria fundamental importância para a classificação.

Por isso, a McLaren, visivelmente superada tecnicamente pela Ferrari, agiu aos poucos. Mudou a aerodinâmica do M23 a partir do GP da França com a adoção de uma entrada de ar mais alta e de curvatura pronunciada. Gordon Coppuck, na oficina do time então sediada em Colnbrook, trabalhou também num novo redesenho de suspensão para deixar o carro ainda mais competitivo.

Os organizadores receberam uma extensa lista de inscrições para uma das corridas mais concorridas daquele ano. Nada menos que 36 nomes estavam confirmados para brigar por 25 vagas nos treinos classificatórios e para o torcedor brasileiro a grande novidade era a estreia de José Carlos Pace pela Brabham, substituindo Rikki Von Opel. Outras alterações eram Derek Bell a bordo do #18 do Team Surtees, Tom Belso de volta ao segundo Iso-Marlboro, a volta do Trojan com Tim Schenken, a estreia do Maki-Ford com Howden Ganley, John Nicholson com o Lyncar 006, Mike Wilds num velho March 731, Andy Sutcliffe no Brabham da Scuderia Finotto, o regresso de David Purley e do Token RJ02, mais uma tentativa de Leo Kinnunen com seu Surtees e a aparição de uma mulher – Lella Lombardi, a bordo de uma Brabham BT42 inscrita pela Allyed Polymer Group. Aos 33 anos, a piloto nascida em Frugarolo vinha da Fórmula 5000 buscando um lugar ao sol.

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O Maki, primeiro carro japonês desde a incursão da Honda nos anos 60, apareceu pela primeira vez em Brands com Howden Ganley, mas não se classificou para o grid de 25 carros

Com exceção de Sutcliffe, cuja inscrição acabou não se confirmando, os treinos foram realizados com pista lotada nas duas sessões oficiais, nas quais uma dezena de pilotos ficariam de fora. Ao fim das tomadas de tempo, uma diferença de menos de três segundos separava o pole position do 25º colocado Tim Schenken. E o melhor tempo, novamente, foi de Niki Lauda – 1’19″7, média de 192,647 km/h, que por sinal foi a mesma marca do sueco Ronnie Peterson, da Lotus.

Jody Scheckter conseguiu a terceira melhor marca do grid, com Carlos Reutemann em quarto. O vice-líder Clay Regazzoni ficou em sétimo, superado pelas jovens esperanças britânicas Tom Pryce e James Hunt, que se auto-eliminaram nas duas provas anteriores, em Zandvoort e Dijon. Emerson Fittipaldi ficou a oito décimos da pole de Lauda, com Mike Hailwood em 11º lugar e uma modestíssima décima-nona colocação para Denny Hulme. Queixando-se dos pneus de seu carro, José Carlos Pace ficou apenas em vigésimo.

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Largada: Lauda arrancou melhor que Peterson, que ao fim da primeira volta caiu para quarto

Um público superior a 80 mil pessoas lotou as dependências do lendário circuito de 4,2 km de extensão e ao baixarem a Union Jack, Lauda manteve a pole e assumiu a liderança seguido por Scheckter – em grande largada, Regazzoni, Peterson – que largou mal, Reutemann e Fittipaldi, que contrariando o seu estilo, partiu muito bem para assumir a 6ª posição ao fim da primeira volta. Moco passou em décimo-oitavo.

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Emerson pulou de oitavo para sexto e com sorte e habilidade, galgou posições até chegar ao terceiro posto em Brands Hatch

Nenhuma das posições da linha de frente sofreu qualquer alteração nas 30 primeiras voltas. Pouco depois, na 35ª, Carlos Reutemann, muito acossado por Emerson, deu uma rodada com sua Brabham e caiu para a 10ª colocação. Logo depois, com metade da prova já completada, um acidente do alemão Hans-Joachim Stuck começa a mudar os rumos da corrida. Os detritos, espalhados pelo circuito, provocam furos de pneu no Lotus de Ronnie Peterson, que baixou para 12º lugar e na Ferrari de Clay Regazzoni, que caiu para a sétima colocação.

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A nova suspensão concebida por Gordon Coppuck melhorou muito o desempenho do M23 da McLaren

Os problemas dos adversários levaram Emerson ao 3º lugar, atrás de um absoluto Lauda e de Scheckter, mais do que satisfeito com a vice-liderança. Tom Pryce ascendeu a um excepcional quarto lugar, com Jacky Ickx em quinto e Mike Hailwood em sexto. Mas nem o galês resistiu muito tempo: o Shadow #16 perdeu rendimento e foi superado pelo belga da Lotus.

Niki Lauda in action at the 1974 British Grand Prix © Getty Images

Lauda liderou até um pneu furar em sua Ferrari; mesmo com o revés em Brands Hatch, o austríaco se manteve na liderança do Mundial de Pilotos

Perto do fim da prova, quando tudo parecia definido, uma reviravolta mudou o resultado final: Lauda acabou vítima de um furo lento tal como Ronnie e Rega, perdendo rendimento e a liderança para Jody Scheckter a cinco voltas da quadriculada. Lauda tentou seguir com o pneu cada vez mais vazio e a roda ficou imprestável, obrigando a Ferrari chamar o piloto a box. Por conta do burburinho no fim da disputa e da empolgação dos britânicos pela vitória da Tyrrell e o 2º lugar de um McLaren, Lauda encontrou a saída dos pits bloqueada por uma multidão. Não houve jeito e o austríaco acabou apenas em 5º lugar.

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Ken Tyrrell escancara um sorriso de 500 dentes na comemoração do triunfo de seu pupilo Jody Scheckter

Scheckter conquistou sua segunda vitória no ano e na F1, entrando de vez na disputa pelo título. O revés em Brands não abalou Lauda, que saiu ainda com a líderança do campeonato – porém, com Emerson Fittipaldi fortalecido. E três pontos – apenas – separavam os quatro primeiros! O GP da Alemanha seria de arrepiar…

O resultado final:

1º Jody Scheckter (Tyrrell), 75 voltas em 1h43min02seg2, média de 186,269 km/h
2º Emerson Fittipaldi (McLaren), a 15seg3
3º Jacky Ickx (Lotus), a 1min01seg5
4º Clay Regazzoni (Ferrari), a 1min07seg2
5º Niki Lauda (Ferrari), a uma volta
6º Carlos Reutemann (Brabham), a uma volta
7º Denny Hulme (McLaren), a uma volta
8º Tom Pryce (Shadow), a uma volta
9º José Carlos Pace (Brabham), a uma volta
10º Ronnie Peterson (Lotus), a duas voltas
11º John Watson (Brabham), a duas voltas
12º Jean-Pierre Beltoise (BRM), a três voltas
13º Graham Hill (Embassy-Lola), a seis voltas
14º Jochen Mass (Surtees), a sete voltas
15º François Migault (BRM), a treze voltas (não recebeu classificação)

Não completaram:

16º Henri Pescarolo (BRM), 64 voltas (motor)
17º Mike Hailwood (McLaren), 57 voltas (rodada)
18º Jean-Pierre Jarier (Shadow), 45 voltas (suspensão)
19º Hans-Joachim Stuck (March), 36 voltas (acidente)
20º Patrick Depailler (Tyrrell), 35 voltas (motor)
21º Arturo Merzario (Iso-Marlboro), 25 voltas (motor)
22º Vittorio Brambilla (March), 17 voltas (pressão de gasolina)
23º Tim Schenken (Trojan), 6 voltas (suspensão)
24º James Hunt (Hesketh), 2 voltas (rodada)
25º Peter Gethin (Embassy-Lola), não largou

Volta mais rápida: Niki Lauda, na 25ª – 1’21″1, média de 189,322 km/h

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2 comentários

  1. Pedro Migão disse:

    A cara do Ken Tyrrell no pódio é impagável

  2. Fernando Amaral disse:

    Esse campeonato foi sensacional; a revista “GrandPrix” brasileira, na edição q reportava esse GP, estampou uma bela fotomontagem com fotos dos 4 concorrentes, Emerson, Sheckter, Lauda e Regazzoni, as fotos feitas no mesmo ponto de uma pista, que creio possa ser a freada para a curva Druids em Brands Hatch, aquela no alto da subida após os boxes.

    A foto do cartaz da prova, imagino ser a largada da prova extracampeonato realizada meses antes, ainda no primeiro trimestre do ano, se vê que é em B.Hatch e os carros são daquela temporada – foi uma corrida disputada sob chuva e vencida por Ickx na ‘eterna’ Lotus 72E, o belga tomando a ponta numa ultrapassagem antológica – por fora na Paddock Hill, a curva na descida logo em seguida à reta de largada, que antecede a Druids – que o super Zamponi viu em pessoa e tinha como uma das manobras mais espetaculares, se não a mais, que pode presenciar em sua carreira jornalística.

    Tô adorando o review desse campeonato, me faz um bem danado à mente reviver as histórias dessas corridas que acompanhei com tanto afinco; valeu Rodrigo.

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