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13 de março de 2015 - 15:46Fórmula 1, Opinião, Temporada 2015

A F1 da depressão

RIO DE JANEIRO - Pista aberta para o primeiro treino livre da temporada em Melbourne e ao cabo de 90 minutos de sessão, só 16 carros entraram. Essa foi a cara da Fórmula 1 ao abrir os trabalhos para o GP da Austrália, abertura do campeonato de 2015. É a F1 da depressão.

Confesso que fico triste por ver a categoria que me chamou tanto a atenção quando criança definhando dessa maneira. Não adianta ter fabricantes como Mercedes-Benz e Ferrari. Não adianta a ousadia da Red Bull em desafiar grandes marcas do automobilismo mundial. A categoria vive uma crise de identidade que, a julgar por tudo o que vem acontecendo nos bastidores em Melbourne, vai ser difícil de se administrar.

Não obstante a ausência da Manor, que foi às pressas para a Austrália e sequer conseguiu colocar seus dois carros na pista, há o burburinho em torno da Sauber, talvez o ponto mais vergonhoso e mais baixo da trajetória do time helvético em 23 temporadas na categoria máxima do automobilismo. Tudo em torno dela chamou mais a atenção do que a performance dominante da Mercedes nos dois treinos livres desta sexta-feira.

E se existe alguém que tem culpa nisso tudo, é a própria administração da equipe, que deixou uma brecha pela qual entrou, todo pimpão, o holandês Giedo Van der Garde, exigindo pela via judicial um posto de piloto titular para 2015 – uma vez que o contrato que ele assinara com a equipe de Hinwil para o ano passado, em que ele era o reserva de Adrian Sutil e Estebán Gutiérrez – continha uma cláusula que lhe dava prioridade de vaga. O vínculo entre piloto e Sauber não fora extinto em 31 de dezembro de 2014. Permaneceu em vigor até fevereiro – e, nesse meio tempo, a equipe costurou acordos com Marcus Ericsson e Felipe Nasr – que trouxeram o dinheiro que a equipe precisava para contornar sua tenebrosa situação financeira.

Sentindo-se lesado e com o apoio do sogro, dono da confecção holandesa McGregor – muito interessado inclusive em comprar a própria equipe (sem sucesso) – Van der Garde foi à luta e buscou seus direitos. No que foi apoiado por um ex-piloto da própria Sauber. Nico Hülkenberg, agora na Force India, não se mostrou surpreso. “Sei como foram as coisas no passado”, disse. Jenson Button também o defendeu, porque a equipe alegou – além da ausência da Superlicença – ‘falta de adaptação’ do piloto ao C34. “Pessoalmente, não acho que seja um problema de segurança tê-lo no carro. A equipe está sendo injusta com ele”, afirmou.

Motor Racing - Formula One World Championship - Australian Grand Prix - Practice Day - Melbourne, Australia

O cúmulo do ridículo: Van der Garde circula no paddock de Melbourne com o macacão de Marcus Ericsson. (Foto: Autosport)

A presença de Van der Garde no paddock criou uma tremenda saia justa para a equipe. Barrado a princípio no portão de entrada, ele entrou com uma credencial fornecida pela organização, uma vez que o piloto não tem o passe permanente para frequentar os circuitos – ainda. No que se dirigiu às garagens da Sauber, acompanhado do sogro, os mecânicos lhe viraram as costas. Mesmo assim, ele se enfiou num macacão emprestado – o de Marcus Ericsson – e entrou no carro do nórdico, para a medição de cockpit e confecção de banco – um claro sinal de que, se a Sauber tiver que tirar alguém, será Ericsson e não Felipe Nasr. Enquanto isso, a equipe continuava com suas frágeis alegações na justiça e o advogado de Giedo pediu a prisão da diretora executiva, Monisha Kaltenborn.

A Sauber perdeu um treino inteiro em Melbourne e comportou-se como se nada tivesse acontecido. Na segunda sessão, os bólidos azuis finalmente entraram na pista, com Felipe Nasr marcando o 11º tempo e Marcus Ericsson em 15º, já que só dezesseis pilotos treinaram de novo – Daniel Ricciardo enfrentou uma quebra de motor e Felipe Massa não andou, além da dupla da Manor, como previsto.

Nesse interim, Van der Garde deixou a pista e foi embora. A equipe, acionada na justiça, corre o risco do arresto de seus bens caso não cumpra o veredito da Corte de Victoria, e de nem disputar o resto do campeonato. Ou os helvéticos convencem, com o aval da FIA, que não há tempo hábil para Giedo receber a sua superlicença – o que só aconteceria para a próxima etapa do campeonato na Malásia – ou a Sauber ficará com sua história manchada no esporte para todo o sempre.

8 comentários

  1. Yann disse:

    Não podemos esquecer da Manor Marussia, tentando colocar o carro no grid aos trancos e barrancos….tudo isso para andar na última fila.

    Bernie Ecclestone deveria fazer uma estágio na organizadora do FIA-WEC e aprender como se reinventa o esporte a motor.

    Abs

    • Robertom disse:

      Ele não quer aprender nada, só quer grana, cada vez mais e mais.
      Não muda nada, por que apesar da “F1 Depressão” continua faturando alto.
      Provavelmente só irá se mexer quando a grana encolher…

  2. Herik disse:

    Agora a pergunta: Que ânimo uma pessoa vai acordar hoje de madrugada para ver 20 minutos finais de um treino com o nível de cobertura recente? Só muito louco ou apaixonado.

  3. Pdr Rms disse:

    Com esse imbroglio todo do Van der Garde pelo menos o Banco do Brasil será beneficiado com um pouco mais de exposição que o previsto (vide a foto acima do rapaz com o macacão da equipe).

  4. CARLOS MOURA disse:

    Amigo Rodrigo, lanço um desafio para você, como bom jornalista, deve ter vários contatos como Emerson, Piquet, Boesel, Ingo, liga pra essa turma que já andou de F1, e pergunta ” como reinventar a F1 atual”. e realmente ta muito deprimente assistir a f1.de hoje, ainda mais depois de post maravilhosos que voce faz sobre as equipes e o carinho com que escreve os acontecimentos. abraço Chefe escoteiro Carlos Moura

  5. Alvaro Ferreira disse:

    Lamentável. A Sauber não é a primeira equipe a deixar um piloto com contrato em vigor a pé, muito pelo contrário. Talvez nos casos anteriores as equipes tenham sido mais maldosas ao redigir os contratos, ou então sabiam que os pilotos não fariam nada por medo de se queimarem definitivamente na F1.
    De qualquer forma, mais um atestado de decadência de uma categoria que já foi o máximo, e hoje…

  6. luigi disse:

    Eu não entendo como alguém,fabricante ou equipe que estava tendo tão bons resultados no antigo W E C com o seu C 9,pode ter optado por esta categoria que de antemão já se sabia que muito dificilmente estaria entre os quatro grandes times ou seja ,seria sempre uma equipe de “Categoria F 1 Q2″,pois hoje pode-se classificar os carros da moribunda F1 de carros categoria Q1(sempre os mesmos) Q2 e Q3 (que só estão ali para compor grid ,pois em nada interferem no resultado de uma corrida em condições normais).

    • luigi disse:

      Desculpem-me ,corrigindo as minhas definições de categorias dentro da moribunda F1 :
      categoria F1 Q1 ¨¬ NANICAS
      categoria F1 Q2 ¬ MEDIANAS
      Categoria F1 Q3 _ GRANDES ,vencedora , Mercedes e mais ???????????

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