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22 de março de 2015 - 01:55United Sports Car Championship

Vitória dominante – e histórica – da Action Express nas 12h de Sebring

2015 TUDOR United SportsCar Championship Sebring 12 Hours

Ótimo trabalho de Bourdais, Fittipaldi e Barbosa, recompensado pela vitória nas 12 Horas de Sebring (Foto: LAT Photographic)

RIO DE JANEIRO – A 63ª edição das 12 Horas de Sebring, realizadas neste sábado, marcaram um triunfo dominante e histórico em muitos sentidos, para a Action Express Racing. Em sua segunda participação na prova da Flórida, o time consegue sua primeira vitória, mesmo com o carro desfalcado da barra estabilizadora – que quebrou no correr da disputa. Não obstante, foi o primeiro triunfo da Corvette na geral e a primeira vitória de um motor da griffe Chevrolet em Sebring em meio século – na edição de 1965, vencera o lendário Chaparral 2A com Jim Hall e Hap Sharp, com motor Chevy V8 5,3 litros. E para o Brasil, a vitória também foi revestida de sentido histórico.

Afinal, quis o destino que um dos mais icônicos sobrenomes do nosso automobilismo escrevesse neste fim de semana mais uma página para a história: Christian Fittipaldi foi responsável pela conquista da AXR ao lado do português João Barbosa e do francês Sébastien Bourdais. Além de ser o primeiro piloto do país a ganhar as 12 Horas de Sebring em 63 edições, Christian tornou-se o terceiro sul-americano a atingir o feito. Os outros dois têm laços familiares e, por curiosidade, ganharam duas vezes: Juan Manuel Fangio e seu sobrinho-neto Juan Fangio II.

Mais do que vencer a prova, a segunda mais longa do ano, a Action Express já se coloca em condições de lutar pelo bicampeonato com a dupla Fittipaldi/Barbosa. Os dois, mais Bourdais, lideram a classificação entre os pilotos e a equipe do carro #5 comanda também a classificação da Tequila Patrón North American Endurance Cup, um certame paralelo composto apenas pelas quatro provas longas do calendário – as restantes são as 6 Horas de Watkins Glen e a Petit Le Mans, corrida que encerra a temporada, em outubro.

Os chamados Daytona Prototypes voltaram a dar uma surra nos LMP2, ocupando as cinco primeiras posições ao término da corrida, encerrada com 340 voltas, 49 a mais que no ano passado, numa corrida que teve onze bandeiras amarelas contra seis em 2015. Desses cinco primeiros, quatro eram o modelo Corvette DP, cabendo ao único Ford EcoBoost Riley DP inscrito pela Chip Ganassi Racing – a campeã de 2014 – apenas o 4º lugar, atrás do #10 da Wayne Taylor Racing e do #90 da Visit Florida.com Racing.

O único LMP2 que viu a quadriculada foi o pole position, o Ligier JS P2 Judd de Olivier Pla/Tracy W. Krohn/Nic Jönsson, que disputou uma prova bastante atribulada e terminou ainda na 8ª colocação e com o consolo da volta mais rápida da disputa, marcada por Pla logo no início das 12 Horas. Os demais ficaram todos pelo caminho, incluindo o Ligier da Michael Shank Racing, destruído por Oswaldo Negri num acidente com menos de um quinto da disputa.

Guasch

Invicta, a PR1/Mathiasen Motorsports ganhou as duas primeiras e mais importantes provas do TUSC na Prototype Challenge (Foto: LAT Photographic)

Na Prototype Challenge, a PR1/Mathiasen Motorsports repetiu o feito de Daytona e venceu mais uma. Desta vez, Tom Kimber-Smith/Mike Guasch/Andrew Palmer não herdaram o primeiro lugar – e sim o conquistaram com infinita competência. De quebra, faturaram ainda o 6º posto na geral, à frente do #54 da CORE Autosport e do #38 da Performance Tech, que teve ótima atuação. O carro #11 do brasileiro Bruno Junqueira enfrentou vários problemas, incluindo uma quebra de câmbio, que deixou o piloto e seus companheiros Chris Cumming e Gustavo Menezes sem nenhuma chance de lutar por vitória ou pódio. Acabaram não completando a disputa, finalizando em 31º na geral e sexto na classe, desistindo ao faltar 10 minutos para o final.

O triunfo da classe GTLM, na base da competência e de um pouco de sorte foi da Corvette Racing. Desta vez, o C7-R não era o carro mais rápido do lote e só restava ao trio do #3 formado por Antonio Garcia/Jan Magnussen/Ryan Briscoe lutar com todas as forças que tinham e torcer por um imprevisto na casa Porsche. E o imprevisto veio: o primeiro aviso começou com a porca da roda traseira esquerda do #912 de Fred Makowiecki, que teimou em não sair num pit stop de rotina. O piloto saiu assim mesmo, tendo perdido uma volta e com três pneus novos e um velho. Depois, retornou aos boxes e os mecânicos, sem muitos problemas, conseguiram então trocar o pneu e equilibrar o jogo instalado de Michelins. Mas logo depois o câmbio deu pau e o #912 foi para o paddock, atrás da mureta dos boxes.

Como o que está ruim sempre pode piorar, logo depois a desgraça se abateu sobre o #911 guiado por Nick Tandy. Problemas no câmbio fizeram o 991 RSR despencar na classificação, porque o ritmo era, na média, oito segundos por volta mais lento que os demais que não tinham problemas. Tandy despencou para o 5º lugar em sua categoria e duas voltas atrás do Corvette vencedor. Um castigo enorme, sem dúvida. Mas faz parte do automobilismo.

A Risi Competizione conseguiu assim um inesperado 2º posto na sua sempre confiável Ferrari F458 Italia GTE e o Team Falken, com os problemas da escuderia oficial de fábrica, salvou a honra da Porsche com o pódio do #17. Já a BMW Z4 GTE da equipe BMW Team RLL integrada pelo brasileiro Augusto Farfus teve o mérito de resistir até o final, após a quebra de suspensão que tirou a trinca do #25 da disputa. Terminaram em 22º na geral, oitavo na classe – e com a melhor volta entre os carros da GTLM.

O drama não foi menos intenso na GTD: a disputa final foi sensacional, envolvendo o Porsche #23 da AJR/Team Seattle e o SRT Viper GT3-R #33 da Riley Motorsports. Castigadas e cansadas, as máquinas chegavam perto do seu limite e o Porsche pareceu entregar os pontos quando Mario Farnbacher travou os freios dianteiros e saiu reto numa curva, perdendo a liderança reconquistada a duras penas após um furo de pneu e a perda do parachoque traseiro do carro. Mas o pior ainda estava por vir – pro Viper: o #33 apresentou um problema inesperado de superaquecimento e Jeroen Bleekemolen já percebera que a temperatura do motor estava a níveis estratosféricos, tipo placar de jogo da NBA. A “usina” da Víbora foi para as cucuias faltando menos de 6 minutos para a quadriculada, um castigo duro demais para quem lutou tanto por um triunfo e acabou apenas em 9º na categoria.

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A Alex Job Racing conquistou sua 10ª vitória em classes nas 12 Horas de Sebring num final dramático envolvendo o Porsche #23 e o SRT Viper #33 (Foto: LAT Photographic)

A AJR/Team Seattle, no sufoco, riu por último e a TRG, numa grande prova do Aston Martin guiado por James Davison/Brandon Davis/Christina Nielsen, conseguiu o melhor resultado do Vantage GT3 em provas mais longas. A Ferrari #63 da Scuderia Corsa, num excelente trabalho de Townsend Bell/Bill Sweedler/Anthony Lazzaro, acabou premiada com o pódio na GTD.

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5 comentários

  1. Robertom disse:

    Parabéns pelo bom trabalho em jornada dupla, comentando na FS2 e postando aqui.
    Assisti a transmissão da última hora da prova, que foi boa e que teve emoção até o final.

  2. Racing Fan disse:

    Ainda bem que este ano as coisas estão como devem ser: DP à frente dos PC. Para o bem do campeonato a ordem correta foi estabelecida.

  3. Fernando Lima disse:

    Para mim, o resultado foi duplamente frustrante, primeiro porque se confirmou o comentário que fiz num post dos treinos: Os LMP2 se mostram claramente mais rápidos nos treinos…já na corrida…
    Segundo, como torcedor incondicional dos Dodge Viper, quase arranquei os cabelos com o abandono do #33, faltando poucos minutos para uma vitória certa…
    A comemorar somente a vitória do Cristian Fittipaldi, um cara que vai longe nesta categoria…podem apostar

  4. fernando disse:

    Rodrigo, mais alguma informação sobre aquele reality show “race to 24” ??? Lembro q começa nessa proxima semana, vai ter algum tipo de transmissao?

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