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18 de dezembro de 2016 - 21:20Automobilismo Nacional

Uma primeira – e inesquecível – 12h de Tarumã

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Festa: a tripulação do MCR Grand-Am Lamborghini V10 comemora o triunfo na 36ª edição das 12h de Tarumã

PORTO ALEGRE (Não está morto quem peleia!) - Escrevo finalmente sobre a 36ª edição das 12h de Tarumã, dez horas após o seu final, inteiramente inebriado por tudo o que vi, ouvi e senti num dos grandes templos do automobilismo brasileiro. Pisar pela primeira vez no solo sagrado do circuito de 3,039 km de extensão foi uma das emoções mais genuínas da minha vida.

Passei 22h enfiado no Autódromo junto com minha mulher, minha grande parceira, ouvindo ronco de motor, vendo gente, sentido cheiro de combustível, pneu queimado, óleo e principalmente churrasco. Muito churrasco. É quase uma instituição do automobilismo no Rio Grande do Sul. E poder ver, provar e comprovar isso de perto é uma experiência das mais inesquecíveis.

Não perdi nada. Ou melhor, quase nada, já que dei uma cochilada no fim da madrugada, porque ninguém é de ferro. Assisti três baterias da Copa Classic e praticamente toda a disputa das 12h de Tarumã. De férias e totalmente à vontade, num dia verdadeiramente quente, estava em casa e dessa vez, ao contrário de Londrina, vim preparado – embora tivesse trazido tênis, fiquei o tempo todo com as indefectíveis sandálias Havaianas nos pés. Um alívio.

E a gauchada me fez sentir assim. Me carregaram no colo – aliás, carregaram a mim e minha mulher – praticamente o tempo todo. Vários amigos virtuais agora são amigos reais e espero que isso se mantenha assim por muito tempo. E estar em Tarumã te faz conhecer pessoas especiais. O narrador, o craque do microfone Ademir “Perna” Moreira foi um deles.

Mas a maior surpresa ficou por conta de um senhor hoje de bigodes e que vi, nos idos anos 1980, ganhar a Fórmula 2 Brasil com o carro da equipe Denim: ninguém menos que Ronaldo Ely. Hoje acompanhando o filho Ian Jepsen Ely, que corre com um protótipo MCR na classe GP1, Ronaldo ouviu do carioca aqui palavras de carinho e admiração por um piloto que chegou a abandonar a carreira e depois conquistou um título de campeão. Não tive essa intenção, mas o Ronaldo se emocionou de forma genuína e tocante. Duas vezes.

Outra experiência fodástica foi acompanhar a largada da reta dos boxes – não no paddock – mas no meio da galera acampada perto das arquibancadas. Um show! E o costelão assado pelo pai do Niltão Amaral? Que coisa mais espetacular! E o chopp artesanal fabricado pelo Cleiton Krause? Nem fiquei bêbado… pelo contrário. Aliás, fui apresentado à cerveja Polar. E adorei.

Agora falando de corrida, o grid não foi dos mais entusiasmantes em termos de quantidade: 24 carros deram a largada e havia vinte e cinco inscritos para as 12h de Tarumã. O plantel era capitaneado pelo MR 18 Honda #110 da equipe DTR, mas foi o MC Tubarão IX #5 que iniciou a maratona na ponta, pouco após à meia-noite, em meio aos faróis. E a corrida transcorreu em meio a várias entradas do Safety Car, chegando ao amanhecer com 1/3 dos concorrentes fora de combate – entre eles exatamente o pole position e o carro que comandou a corrida em seu início, ambos vítimas de acidentes.

A gente sabe que Endurance tem suas nuances e numa pista rápida e exigente como a de Tarumã, os problemas começam a surgir a partir do início da manhã de domingo. E na altura da 7ª hora, o MCR Audi Turbo #46 da Mottin Racing, bicampeão da prova e que tentava o inédito e histórico tricampeonato como “Fita Azul” da prova gaúcha, teve uma mangueira rompida no motor. Óleo jorrou para os pneus e o carro rodou na pista. Chegou aos boxes rebocado e viu aí suas chances de mais uma vitória escorrerem por entre os dedos.

E veio então o duelo “Davi versus Golias” protagonizado entre o MCR Grand-Am Lamborghini V10, outro carro preparado e assistido pela Mottin Racing, com seus quase 600 HP de potência – e que fazia sua estreia na clássica prova gaúcha, duelando com o Tornado de Cali Crestani e Fernando Stédile, movido com um motor Suzuki Hayabusa de moto. Com 1,3 litro, o propulsor debita 180 HP de potência e o simpático carrinho de 450 kg seguia firme em busca de uma inédita vitória. Ambos os protótipos, por acaso do destino, obra e graça do mesmo engenheiro: Luiz Fernando Cruz.

A batalha, em meio a outras entradas do Safety Car e aos carros caindo um a um fora da disputa por conta do desgaste e do fortíssimo calor, se manteve acesa até o início da 11ª hora, quando o Tornado – líder da prova – teve a junta homocinética queimada. A valente equipe de mecânicos devolveu o carro à pista sob o aplauso e o reconhecimento dos outros participantes – puro espirito do Endurance. Pena que o valente protótipo não conseguiu ver a quadriculada, embora tenha completado voltas suficientes para terminar em 3º lugar na geral.

Com o caminho aberto, o MCR “Laranja Mecânica” #18 guiado por Fernando Poeta/Anderson Toso/Pedro Queirolo/Marcelo Sant’Anna/Henrique Assunção/Fernando Fortes chegou à vitória (oitava da equipe Mottin Racing, aliás) completando 547 voltas – quatro à frente do MC Tubarão VIII de Rodrigo Bacher/Marcelo Vianna/Júlio Martini/Franco Pasquale, que venceram na categoria P3.

O BMW M3 com motor Chevrolet guiado por Jorge e Rui Machado conseguiu ainda o 9º lugar geral e venceu entre os carros Grã-Turismo. E o valente Gol da Paline Racing emplacou mais uma vitória: após faturar em sua classe nas 500 Milhas de Londrina, o carrinho guiado por Daniel Elias/Carlos “Catô” Belleza levou a melhor na divisão Turismo com o oitavo posto na geral.

Pois é… e agora bateu a depressão pós 12 Horas e a certeza de que em 2017 vou e quero voltar.

Adorei absolutamente tudo.

E quero deixar nas últimas linhas deste post o meu muito obrigado a quatro pessoas fundamentais para que eu estivesse em Tarumã pela primeira vez na vida. Fernando Poeta, Luciano Mottin, Cláudio Ricci e Luiz Fernando Cruz, vocês foram demais! Obrigado também aos novos e velhos amigos gaúchos que fiz e aos que só conhecia pela internet. E foi muito bom rever outras figuras incríveis no paddock. Valeu a pena! Vale a pena!

Aqui é Tarumans, tchê!

17 comentários

  1. Niltão Amaral disse:

    Grande Mattar, valeu pelas palavras! Foi um prazer te receber no acampamento da equipe Brazauto/Canhão/Castelo Pack! Já estás convidado para o costelão 2017 assado pelo seu Clóvis Amaral.

  2. eduardo disse:

    Grande Rodrigo, no ano que vem iremos fazer um chibo assado, quem vai assar é o Zanon, foi muito bom te conhecer.

  3. Gustavo disse:

    Automobilismo no Rio Grande é uma paixão sem comparações com o restante do Brasil. Possui uma descontração e leveza que não refletem o grande trabalho, e sacrifício, envolvidos.

    O dia que descobrirem do que se trata, a Endurance vira a maior categoria do país.

  4. Rodrigo,

    TCHÊ… a euforia supera qualquer depressão. É assim que ainda estou, eufórico e meio ( só meio ) alucinado por cada momento que estive presente junto ao GRANDE AMIGO que passou do virtual para o físico.

    Como te falei quando fomos embora e te levei até o Hotel, o meu ano não poderia ter encerrado de forma melhor.

    Só posso esperar que em 2017 tu possa vir em alguma Etapa de Guaporé da Endurance RS e da COPA CLASSIC RS ( se puder vir em todas… hehehe ) e claro que o passaporte já esteja carimbado e passagens compradas para a 37° 12 Horas.

    Um grande abraço e um NASCAR BIG ONE muito obrigado!

  5. Ronaldo disse:

    Aqui no Sul ninguém toma mel, masca abelha tchê !! Um abraço Mattar!

  6. Fern Kesnault disse:

    Provas como a 12 Horas de Tarumã, são icones do automobilismo nacional que nao deveriam nunca serem encerradas, fico feliz que continuam a preserva-la…um dia vou nessa prova, quem sabe…. fico triste pelo fim de boas provas como 1000 milhas e 25 horas de Interlagos, 12 Horas de Goiania e 1000 km de Brasilia….

  7. Ronaldo Ely disse:

    Rodrigo! Então: Não posso deixar de comentar essa sua presença nas 12 horas e dizer que parece que viestes numa missão de semear o bem entre a gauchada; e entre os sortudos estava eu. Um tanto absorto, tentando entender o que passou com o maldito carro. Eis que derrepente um carioca da gema aparece desferindo palavras elogiosas que oxalá eu mereça. Me vi pranteando em meio ao caos por que passava minha alquebrada equipe. Estava eu tentando passar uma imagem forte para os pilotos e o cara me faz chorar. Mas não tem problema não. Todo mundo sabe que é só a casca que é grossa. Suas gentis e carinhosas palavras serviram de imediato para que reuníssemos forças para tentar terminar a odisséia que é uma corrida de tão longa duração. Terminamos, igual a todos os perdedores. Fudidos porém contentes. Aplaudimos os vencedores e já fazemos planos de como derrotá-los na próxima. Assim como voce notamos e enaltecemos o pequeno carro e o grande Crestani assim como seu parceiro que lutou bravamente contra os carros muito mais potentes e rápidos quase conseguindo a façanha de derrotá-los de uma forma histórica. Foi sem dúvida o vencedor moral; pena que para isso não tenha troféu. talvez devêssemos instituir isso. Enfim lhe agadeço sem achar todas as palavras que mereces, pela sua presença e gentileza em dispor de seu tempo para vir em nossa terra fazer saltarem os nossos corações empedernidos pelo tempo e pelas peleias. Que você dure mil anos. Aí sim , essa frase é com segundas intenções, pois espero que meu filho mereça algum comentário elogioso de sua parte. Te prometo que ele fará força. Grande abraço.

    • Rodrigo Mattar disse:

      Ronaldo, muito obrigado pelas palavras igualmente carinhosas e que emocionam a mim também. Fico imensamente honrado por ter estado na companhia de todos vocês. Em 2017 fico mais tempo para uma churrascaria final. Grande abraço!

  8. Leandro Sanco disse:

    Foi um prazer conversar contigo pessoalmente, Rodrigo. Te esperamos no ano que vem.
    E não esqueça de trazer o livro para pegar mais autógrafos!
    Abração,
    Sanco

  9. Roberto Giordani disse:

    Sou aquele o Coordenador da Confraria dos Pilotos Jurássicos que te cumprimentou nos boxes um pouco antes da largada.
    Desejo registrar novamente a virtude melhor dos teus escritos : a honestidade.
    Não sei se tens conhecimento de um dito do piloto Cezar “Bocão” Pegoraro, também nosso Confrade, ao sintetizar tudo isto que que teus sensores registraram em Tarumã fora e principalmente dentro da pista ……disse o Bocão e nós, velhor e modernos pilotos assinamos embaixo…..” Tarumã tem alma”.
    Com o tempo e nas próximas vezes também compreenderás o sentido da frase.
    Na tua próxima vinda, guarda um espaço de tempo para nos visitar no Templo Sagrado dos DKWs, origem da Confraria, para podermos melhor disfrutar da tua companhia . Fora isto, és nosso convidado permanente para qualquer de nossas atividades como Festivas, Racing Day etc….etc….
    Te saudamos ao brado de ” VIDA LONGA aos JURÁSSICOS”.

  10. Diego Ximenes disse:

    Você estava lá quando aconteceu isso Rodrigo? Foi falha de alguém? https://www.youtube.com/watch?v=Q0FjcLaFu7M

    • Rodrigo Mattar disse:

      Se é o vídeo do fogo do Lamborghini, sim… eu estava lá, mas um pouco distante. Foi assustador!

      • Mika disse:

        Bom dia pessoal!! Sensacional Mattar, você teve uma experiencia unica ao acompanhar as 12h de Tarumã no meio desta gauchada abençoada, tenho orgulho do meu povo! Parabéns!
        Sobre esta abastecida, tanto estranho aquela mangueira mal parecia alcançar o carro, acho que foi uma sucessão de erros ali, e erros são humanos, fazem parte da vida e do aprendizado. Abraços a todos os amigos do automobilismo!

    • luis carlos disse:

      O cara da mangueira espalhou combustivel… Uma faísca era suficiente!!!
      Estava lá tb, mas curti no meu canto a prova!!

  11. Ian Jepsen Ely disse:

    Muito obrigado pela presença nas 12 horas.
    Muita gente ficou feliz em te conhecer pessoalmente e muitos outros ficaram emocionados em te reencontrar.
    Belas palavras e show de simpatia!
    O esporte agradece sua genuína dedicação e amor…
    Um abraço!

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