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25 de janeiro de 2017 - 00:01Fórmula 3

Surpresos? Eu, nunca…

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A Fórmula 3 foi uma espécie de filho bastardo no guarda-chuva da Vicar. Sem o mínimo interesse, a categoria minguou e os promotores não a organizarão em 2017. Tomara que tudo se resolva… (Foto: Fernanda Freixosa/Vicar)

RIO DE JANEIRO - Para mim, que acompanho a Fórmula 3 na América do Sul desde que ela teve sua gênese via Fórmula 2 Sudam e muito antes aqui, quando tínhamos a Fórmula Super Vê e a Fórmula 2 Brasil, a categoria de monopostos – única a nível nacional que temos hoje – sempre foi um estorvo na conta da Vicar, que a partir de 2013 pegou a competição pra organizar.

Como dizia a minha avó, “quem os pariu que os lamba”. Filha de pais tortos, a F3 Brasil sempre foi um fardo para a organização que – verdade seja dita – só se interessa mesmo pela Stock Car.

Quando o calendário de 2017 não foi divulgado – ao contrário do que ocorreu com as demais competições sob o guarda-chuva da Vicar – já dava pra desconfiar. Agora é oficial. A Fórmula 3 não será mais organizada pela Vicar, agora sob o comando de Rodrigo Mathias após a saída de Maurício Slaviero, neste ano que já se iniciou.

Surpresos? Eu, nunca…

Agora as equipes procuram um outro certame com chancela da CBA para poder garantir sua sobrevivência. Uma solução seria a Porsche GT3 Cup Challenge Brasil, como mostrou o Grande Prêmio. Mas nada ainda está acordado oficialmente.

A Fórmula 3 sofreu como poucas nas mãos da Vicar. Não obstante os horários esdrúxulos de várias corridas, a categoria sujeitou-se a um acordo espúrio para ser exibida na televisão escondida na grade do SporTV em dias incertos e com pouca – ou nenhuma divulgação. Sem retorno algum de mídia, equipes perderam patrocinadores, interromperam atividades e o campeonato, que já não vinha muito bem das pernas no início de 2016, entrou numa derrocada que lembrou os piores dias da F3 Sudam, com até cinco carros no grid. Uma lástima.

O certame ainda tem sua validade. Não fosse por ele, Vítor Baptista não teria ido para a Europa, onde já disputa a World Series após ganhar o Euroformula Open. Este campeonato, inclusive, assistirá a uma invasão sem precedentes de pilotos do país: Matheus Iorio, atual campeão brasileiro, Christian Hahn, Carlos Cunha, Pedro Cardoso e Thiago Vivacqua migram para o certame que usa modelos Dallara F312 com motores Toyota em 2017. Sem contar Pedro Piquet e Sergio Sette Câmara, que ano passado estavam no FIA European F3 Championship.

Quer dizer: a base nós temos. Falta trabalhar e organizar melhor a coisa. É isso que os chefes de equipe estão buscando.

Uma outra solução que já foi levantada em redes sociais é trazer a Fórmula 3 Brasil mais perto da realidade dos outros certames e, quem sabe, tornar viável aos competidores uma escalada de categorias, começando nas Fórmulas Vee e 1600 e passando pela Fórmula Inter. Não deixa de ser uma sugestão interessante…

Enfim, precisamos olhar com carinho para o nosso automobilismo. A CBA acabou de passar por uma eleição polêmica em todos os sentidos, com a participação ampla da imprensa e também dos aficionados que discutiram – às vezes de forma mais áspera – o pleito. Precisamos de união para buscar soluções. Precisamos cuidar do que temos, porque daqui a pouco, repito, não teremos ninguém na Fórmula 1.

Espero que as equipes da Fórmula 3 Brasil encontrem um caminho e cheguem a um ponto que seja bom pra todo mundo. De saída, deveriam esquecer TV Globo e congêneres. A própria Vicar se sujeita às vontades do “Plim Plim”, deixando a Stock correr no formato que ela tem adotado recentemente. E quem não se lembra das provas transmitidas pela Bandeirantes nos anos 1980 (bons tempos!) com UMA HORA de duração?

Para se reinventar, a F3 Brasil podia experimentar um conceito que já é realidade no automobilismo do mundo inteiro e começar a fazer seu nome em transmissões via streaming, pelo YouTube. E produzir material para que o público conheça melhor os carros, os pilotos, as equipes. Assim, quem sabe, ela retoma o interesse dos aficionados. Potencial ela sempre teve. Basta querer explorar e fazer acontecer, quer seja com a Porsche GT3 Cup ou com as outras categorias de monoposto que nós temos hoje por aqui.

7 comentários

  1. Gustavo disse:

    Que canseira… por vezes tenho dó do pessoal que vive de automobilismo.

    Sem querer ampliar o escopo de debate, independentemente da categoria (monoposto, turismo ou protótipo), sempre tive grande simpatia pelos chamados Racing Days. Aqueles eventos em que, durante todo um dia, várias categorias vão à pista dentro de uma programação preestabelecida, com atrações outras que não apenas as corridas, e cumprida à risca.

    Aliada às tecnologias de mídia hoje disponíveis, seria bom para o público presente e remoto, seja ele especializado ou leigo.

    Mas é importante frisar: sem automobilismo regional forte, não haverá automobilismo nacional forte. E seria interessante combinar as duas coisas em um único Racing Day.

  2. Max Morais disse:

    Olá Rodrigo!
    Excelente matéria, parabéns! Olha minha modesta opinião de amante de corrida de automóvel é que isso tudo que vc escreveu precisa ser feito, mas o que é necessário urgentemente é ter piloto e carro no grid. Cinco, seis, oito carros largando não motiva ninguém a acompanhar a categoria. Obvio que pra ter muitos carros largando tem que ter incentivos etc e tal. Mas pra trazer mesmo o público para a categoria penso que tem que ter um grid de no mínimo 18 a 20 Formulas 3.

    • Rodrigo Mattar disse:

      Max, eu sei que é utópico pensar, mas nós já vimos a Fórmula 3 aqui com 20, 22, 25 carros. Se chegarmos próximos de 20, um grid perto do que hoje a toda poderosa Fórmula 1 tem, já será bacana. E carro não falta. Falta piloto, falta programa de desenvolvimento, falta interesse, falta muita coisa.

  3. Carlos disse:

    Realmente é triste, mas acredito também, que a categoria e as equipes contribuíram para isso. Explico: Sou do RS e sei de piloto que buscou equipes pequenas para aluguel de carro para 1 etapa, e o custo foi absurdo, algo em torno de 60.000,00. Algumas equipes querem tirar o custo do ano todo, em apenas uma etapa.
    Entendemos que o custo de uma equipe seja elevado, com pneus, combustivel, etc… Mas quem paga 60mil para largar num grid de meia dúzia de carros?
    Fala-se muito da culpa da CBA, das Federações, etc … e eu concordo com absolutamente tudo, mas “algumas” equipes contribuem e muito para decadência das categorias.

  4. Fernando Silva disse:

    Olha, Mattar, eu estive no último Dezembro em Interlagos e presenciei essa tristeza: 6 carros largaram na corrida da F3…aliás, havia me enchido desses eventos da Vicar e fiquei um tempo sem ir, não estive, por exemplo, na “Corrida do Melão” mas ao mesmo tempo me senti no dever de prestigiar in loco, sobretudo essas categorias que são espremidas numa programação em que o público é incentivado (e assim vai) somente para ver Stock Car. Além da “gourmetização” do evento em si, como Food Trucks no lugar das tradicionais barraquinhas, o que tornou os comes e bebes mais caros…enfim. São vários fatores que fazem cada vez mais o espectador considerar ficar em casa.
    Da Vicar não esperava outra coisa a não ser que puxasse a categoria ainda mais para baixo. Basta lembrar de Pick Up Racing, Stock Jr, Mini Challenge, apenas para citar categorias que a Vicar “matou” aqui no Brasil.
    Voltando à F3, espero que consiga um outro promotor que tenha o mínimo de boa vontade com ela, e que considerem sua sugestão de uma “transmissão independente” via streaming pela internet, até para que o público passe a conhecer melhor a categoria e seus pilotos.
    Se o Brasil tiver mais algum piloto na F1 ou até mesmo da Indy, com certeza é dali que deverá sair.

  5. Daniel disse:

    A F3 foi um campeonato muito legal nos anos 90, tomara que aconteça um milagre de surgir interessados em fazer esta categoria ser o que um dia já foi. Sei que é uma utopia, mas porque as universidades não aproveitam a categoria como laboratório de engenharia, poderíamos ter um chassi feito aqui mesmo, e outras engenharias daqui, temos universidade como a FEI, POLI, enfim…, acho que isto poderia ser uma forma de baratear os custos e recriar uma cultura jovem no automobilismo, isto ou um empresa como a Embraer envolvida nisto, as montadoras podiam usar os carros para melhorar seus motores, testar novas tecnologias, será que isto é tão dificil assim? Enfim, voltando a realidade tomara que a F3 encontre seu caminho para que tenhamos futuro das categorias mais tops do Automobilismo internacional.

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