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27 de março de 2017 - 10:52Fórmula 1, Opinião

Procissão…

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É sempre legal ver a Ferrari ganhar e a vibração genuína de Vettel, acariciando “Gina”, seu carro de 2017. Mas o GP da Austrália foi chaaaato…

RIO DE JANEIRO (Não gostei…) - O GP da Austrália mostrou para o mundo inteiro ver o seguinte: o regulamento técnico da Fórmula 1 deixou os carros mais velozes, mas não houve emoção nenhuma ao longo da disputa no Albert Park. Quem disser o contrário, que a corrida foi ótima, maravilhosa, está mentindo. Foi uma abertura de campeonato abaixo da crítica, essa a que vimos na madrugada de domingo.

E tudo por causa do tal regulamento e suas nuances que inibem qualquer tentativa de ultrapassagem, por mais que os carros tenham a tal da asa móvel, que como todo artifício que se preze, deveria ser banida. Os Fórmula 1 tinham que ser limpos, livres de penduricalhos. São eles que atrapalham tudo nesse negócio. A FIA precisa tomar uma providência, Ross Brawn (o novo CEO da categoria) também e o grupo Liberty Media, na condição de dono do espetáculo, tem que zelar pela imagem da categoria.

Senão, as outras 19 corridas da temporada vão ser um porre.

Bom… o GP da Austrália foi uma procissão daquelas, mas aí todo mundo ficou feliz porque a Ferrari voltou a vencer desde 2015. Sim… é legal ver os carros vermelhos ganhando e isso é um motivador para quem está cansado de ver a Mercedes ganhar tudo. Mas não pensem que os alemães vão dormir no ponto. Dessa vez, a Ferrari – mestre em perder corridas na tática – acertou. E aí numa Fórmula 1 de difíceis ultrapassagens, quando você perde tempo tentando superar o piloto que está à sua frente, meus caros leitores, não há como tentar reverter rigorosamente nada.

Por isso, Sebastian Vettel ganhou assim, chegou à 43ª vitória da carreira e se tornou o primeiro piloto vestindo vermelho a liderar um Mundial desde 2012 – alguém lembrou de Fernando Alonso? – a vitória foi bacana por esse aspecto, talvez a única coisa digna de registro numa corrida chata que só. Aposto que muita gente que tentou assistir dormiu no meio ou então bateu cabeça várias vezes, de sono.

No mais, a corrida deixou a impressão de que a Mercedes tem na Ferrari sua rival mais direta, a Red Bull está mais atrás e a Williams, quando tiver oportunidade, será a quarta força – até porque isso não ficou ainda muito claro. Há pilotos e equipes com potencial para fazer melhor e a corrida de Melbourne não serve de parâmetro ainda, já que não foi num autódromo e sim num circuito de rua, onde os carros são bem mais suscetíveis a falhas e acidentes.

A registrar que a categoria ganhou mais um piloto para o clube dos que pontuaram em pelo menos um GP: Esteban Ocon, que fez uma corrida discreta, longe de fazer frente ao companheiro de equipe Sergio Pérez, completou em décimo em sua 10ª participação após a estreia em meia temporada ano passado pela Manor. O francês de 20 anos é o 334º a figurar nos compêndios. E entre os novatos, o único que conseguiu chegar ao fim foi Antonio Giovinazzi, num discreto 12º posto, sem cometer erros num dos piores carros do grid – o Sauber.

É isso… dia 9 tem mais corrida na calada da madrugada. Será a vez do GP da China. E veremos se a Mercedes vai dar o troco na Ferrari ou se é isso mesmo, se os italianos têm um algo mais para poder colocar alguma lenha nessa fogueira que pouco esquentou nesse início de campeonato.

14 comentários

  1. Carlos Eduardo disse:

    Eu acabei dormindo antes do início da transmissão. Acompanhei apenas o VT posteriormente e concordo, a corrida foi um saco, além do que, agora temos corridas mais chatas e por menos tempo, devido aos carros mais rápidos.
    Honestamente, nem sei o que dizer sobre a F1. É o tipo de categoria que até acompanho, mas se não der, ou ocorrer de dormir, não fico triste.
    Meu medo maior, é que a F-E vá pelo mesmo caminho (montadoras dominando, e equipes menores, as precursoras, abandonando).
    Pelo menos a F-Indy viu o erro a tempo e congelou o desenvolvimento dos tais Kits a tempo. Tudo igual para todos.

  2. Castanho disse:

    Quantas corridas da Austrália foram realmente empolgantes?

    Pelo jeito ninguém gosta de disputa realmente, e a ultrapassagem de Perez na Toro Rosso? E Alonso conseguindo fazer uma corrida fantástica segurando 2 carros atras dele?

    Eu gostei do que vi na corrida de madrugada, assisti já 3 vezes, ao vivo e dois VTs, para mim isso é Fórmula 1, quem gostar de um carro passando o outro toda hora, melhor opção é a Nascar. Acho a Nascar interessante, até gosto de assistir.

    • Claudio disse:

      O ponto acredito não ser esse Castanho. Ninguém espera ver a F1 virar Nascar. O que se deseja é uma disputa real, sem artificialismos, sejam eles para facilitar ou dificultar ultrapassagens. A corrida fantástica do Alonso só foi possível pq com esses carros é impossível contornar a curva que antecede a reta principal de Meulborne junto do carro da frente, ao menos que esse erre, que foi o caso de Alonso quando a McLaren quebrou. Se facilitar as ultrapassagens ao passo delas se tornarem triviais é ruim, mas muito pior é retornar as chatissímas procissões dos anos 2000.

      • Rodrigo Mattar disse:

        O Alonso fez o que fez porque é o Alonso, bicampeão mundial e para mim o melhor piloto da Fórmula 1, ainda. Se fosse um zé mané, não levava a McLaren em momentos esparsos da corrida à zona de pontuação, como o espanhol fez domingo.

    • Mário Edson disse:

      Em 85 Ayrton Senna deu um show na Austrália

  3. Claudio disse:

    Assino embaixo praticamente o texto inteiro, a única coisa que poderia incluir é a constatação que a diferença entre os pelotões aumentou muito, nego tomando duas voltas na corrida e somente os 7 primeiros na mesma volta do líder, uma tristeza.

    O que mata o espetáculo é a politicagem, mexem no regulamento conforme os interesses de um grupo e dane-se o produto entregue. Como explicar a decisão de unir o pior erro dos anos 2000 (carros com excesso de carga aerodinâmica), com o pior do campeonato de 2010 (pneus extremamente duráveis). Claro que o resultado disso todos que acompanharam os últimos dez anos de F1 sabe. Infelizmente será um campeonato difícil de assistir, com corridas sonolentas.

    A torcida fica para ao menos uma briga Mercedes x Ferrari, apresar que na minha opinião, a vitória do Vettel tenha sido completamente circunstancial, será um tipo de erro que a Mercedes dificilmente irá repetir, eles continuam tendo o carro mais veloz de treino e nesse ano isso aliado a confiabilidade serão fundamentais, quem largar na frente terá chance enorme de vencer.

  4. João Luiz Marques disse:

    Eu vi, li, e não acreditei…

    http://app.globoesporte.globo.com/motor/formula-1/5-motivos-provam-que-o-gp-da-australia-revelou-uma-f1-mais-interessante-em-2017/

    Eu sei que a turma da Globo tem que vender o peixe, gerar demanda, mas…

    • Rodrigo Mattar disse:

      Mas eles têm que passar a impressão de uma Fórmula 1 melhor do que a dos últimos anos para justificar a venda das cotas de patrocínio e as transmissões. Só que não foi o que nós vimos. Ou foi?

      • Luis Bezerra disse:

        Foi um porre…. A unica ultrapassagem que me lembro foi uma que o Alonso tomou pq já tava quebrado e tava tentando segurar na unha o pontinho que tava fazendo.

  5. Marchi disse:

    Acho que os pilotos ainda precisam se adaptar um pouco mais. A dificuldade de ultrapassar já era prevista.

    Prefiro ver um pouco mais antes de qualquer conclusão contra.

  6. Menos El Orso disse:

    Vi uma muito boa, do Perez sobre uma das Toro Rosso, chuto Sainz. Foi no começo da corrida, antes dos pit stops e não sei se o carro da equipe italiana vinha em condições de corrida ou calçava pneus frios pós parada, mas que a manobra em si foi linda, foi.

    Depois acabei me distraindo, digamos que tinha coisas mais interessantes para fazer aquela hora da madrugada.

    Antes corridas com pouquíssimas ultrapassagens do que corridas com milhões delas graças ao DRS.

  7. Vinicius disse:

    A corrida foi abaixo da média sim mas, como você mesmo escreveu, trata-se de um circuito de rua, retas curtas, etc. Xangai não tem desculpa. Com grandes retas (a oposta com mais de 1km) aí sim veremos a capacidade desses novos carros de ultrapassar. Com relação ao campeonato, ainda vejo a Mercedes na frente, mas a Ferrari está pouquíssimo atrás, e ainda acredito na Érre Bê Érre chegando também! Gente competentíssima é o que não falta lá.

  8. Luciano disse:

    Os pilotos não fazem muita diferença, ou só fazem se pilotam o mesmo carro. Por exemplo, Hamilton é melhor do que Botas, Vetel é melhor do que Raikonen, e assim por diante. O equipamento faz tanta diferença a tal ponto de que se o piloto não sentar em um carro bom não tem a mínima chance de conseguir algum resultado. Alonso que o diga. O que fizeram com os carros acabou com a F1. Para ser um campeonato de pilotos, os carros não deveriam ter aerofólio, nem o dianteiro e nem o traseiro. Assim, sem asas, os carros dependeriam apenas dos pneus para ter aderência nas curvas, seriam mais rápidos nas retas, muito mais lentos nas curvas, o espaço de frenagem seria muito maior (privilegiaria os pilotos que sabem frear mais dentro), os pilotos deveriam ter muito mais sensibilidade para pisar no acelerador para tracionar bem na saída de curva, poderiam andar no vácuo dentro da curva, seria muito melhor, seria um espetáculo e tanto a disputa de posições! Eu sou contra o downforce! Acaba com o espetáculo. Ultrapassagem hoje é impossível! O Hamilton com um carro mais rápido, com pneus novos não pode ultrapassar o Verstapen. Só se livrou do Verstapen quando este foi para os boxes. Está uma verdadeira “m”, os carros não conseguem nem pegar o vácuo na reta com a asa aberta, aliás vai ser muito difícil o sujeito conseguir abrir a asa, pois ficar à menos de 1 segundo do carro da frente é quase impossível!

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