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25 de agosto de 2017 - 19:55Especial Boesel 30 anos

Especial Boesel, 30 anos: parte II, Jerez de la Frontera

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As equipes Rothmans-Porsche e TWR-Jaguar dominavam o início da temporada do World Sportscar Championship em 1987. E numa prova longa e difícil, prevaleceu a dupla Eddie Cheever/Raul Boesel, que no início da corrida apenas comboiava os adversários no circuito de Jerez de la Frontera

RIO DE JANEIRO – Com pouco tempo de intervalo entre a primeira e a segunda etapa do World Sportscar Championship de 1987, as equipes rumaram de Madrid para a Andaluzia: o circuito de Jerez de la Frontera, com 4,2 km de extensão e 16 curvas, caracterizando um traçado travado e de pouca velocidade para os brutais Esporte-Protótipos do Grupo C, receberia a 2ª etapa do Mundial daquele ano.

Raul Boesel e Eddie Cheever começaram a temporada com um bom 3º lugar e uma pole position e o objetivo da dupla e da equipe TWR-Jaguar, logicamente, era conquistar mais uma vitória. Não sem antes com um pouco de barulho do chefe de equipe: Walkinshaw foi um dos únicos a reclamar junto aos organizadores acerca da distância da prova, marcada para 1000 km de percurso. O dirigente tinha certeza que a corrida era longa demais para poucos carros e, principalmente, que a disputa acabaria dentro do tempo máximo de 6 horas, sem que se completasse o total de voltas previsto. Tom foi voto vencido e o evento foi mantido no formato previamente anunciado.

A lista de inscritos teve pequenas adesões em relação à abertura do Mundial. Se em Jarama foram apenas 18 carros, em Jerez foram 21 de um total de 23 previamente anunciados. A Porsche apresentava seu segundo 962C oficial de fábrica para Jochen Mass e “Brilliant” Bob Wollek. Os protótipos ALD BMW C2 e o Bardon DB1/2 da equipe John Bartlett Racing eram as outras novidades para a 2ª etapa do World Sportscar Championship.

No treino classificatório, Eddie Cheever escapou por um triz de ser banido do evento e por muito pouco não prejudicou a temporada de Raul Boesel. Após marcar o tempo de 1’29″39, o estadunidense foi excluído por uma irregularidade. A equipe e o piloto apelaram: Cheever escapou da exclusão após muita conversa e muita bronca, e o bolso do piloto sofreu um desfalque de US$ 5 mil. Seus tempos também foram cancelados.

A pole position foi de Hans-Joachim Stuck, com o tempo de 1’29″19, enquanto o holandês Jan Lammers, com o outro Jaguar XJR-8, foi o segundo a sete décimos do rival. Mass foi guindado ao terceiro posto do grid e Raul Boesel acabou classificando o Jaguar #4 com o quarto tempo – 1’32″93, cravado com pneus de corrida.

Ultrapassar era algo extremamente difícil no circuito inaugurado em 1986 e a corrida inaugural da Fórmula 1 no ano anterior mostrara isto. O jeito era ter paciência e esperar as quebras inevitáveis numa corrida de longa duração.

Na primeira meia hora, os dois Porsches da equipe Rothmans e os dois TWR Jaguar XJR-8 andaram colados. Stuck na ponta, seguido por Lammers, Mass e Cheever, fazendo a delícia do público presente. Mas os problemas começaram a afligir os pilotos do bloco da ponta: o carro #5 de Lammers sofreu uma quebra no eixo dianteiro direito e o holandês chegou aos boxes em três rodas. A corrida não duraria muito. Na 65ª passagem, Lammers e John Watson abandonariam de vez por conta de uma ruptura de semi-eixo.

Após o segundo reabastecimento, Eddie Cheever assumiu momentaneamente a liderança da corrida, até perdê-la novamente para o Porsche #18 guiado por Jochen Mass. Na tentativa de abrir distância para o Jaguar, o alemão exagerou ao tentar ultrapassar o protótipo Alba AR-2 que era retardatário e acabou danificando o fundo do seu protótipo. Mesmo assim, o piloto seguiu na ponta e Cheever reassumiu o 2º lugar quando percebeu que o #17 já guiado por Derek Bell falhava em altas rotações.

Pouco depois da metade dos 1000 km previstos, Raul Boesel assumiu o volante do carro #4 e, por precaução, a TWR trocou o nariz do bólido. Como sói, os britânicos perderam uma volta e caíram para terceiro, com boa vantagem para o Porsche de Kris Nissen/Volker Weidler, alinhado pela Kremer Racing.

Os Rothmans Porsche 962C tinham uma transmissão semi-automática PDK com cinco marchas, que ainda não tinha sido totalmente posta à prova. A corrida de Jarama foi curta e a transmissão resistiu bem. Os alemães tinham dúvidas se o conjunto de câmbio, que oferecia 8 kg a menos no peso mínimo do conjunto (sem contar os 20 kg a menos por conta da introdução de um chassi mais leve nos carros do time oficial de fábrica) resistiria à exigência da etapa de Jerez de la Frontera e ficaram ainda mais cabreiros quando viram o #17 com Derek Bell parar nos boxes sem poder engatar marcha alguma, quando a disputa já contava 3h30min de duração.

A equipe conseguiu reverter o problema. Em parte: meia hora depois, o carro voltava à pista com todas as marchas, exceto a quarta. Bell/Stuck voltaram em 5º lugar e o problema do carro deles foi um sinal de alerta de que algo errado poderia acontecer também ao #18 de Wollek/Mass. E não deu outra. A dupla desistiu faltando uma hora e meia para o final, com o câmbio quebrado.

Desta forma, a liderança caiu no colo da TWR e o Jaguar XJR-8 de Cheever/Boesel tinha uma diferença sólida para Nissen/Weidler, calculada em três voltas. Bell/Stuck retornaram seis voltas atrasados em relação aos rivais e por lá ficaram. No que a corrida não teve mais nenhuma alteração vultosa até a quadriculada. Os outros protótipos sobreviventes na classe C1 também enfrentaram percalços: o Porsche da Brun guiado por Gianfranco Brancatelli/Massimo Sigala teve problemas com um vazamento de combustível, afora a quebra de um espaçador da suspensão traseira.

O outro carro do time, conduzido por “Poppy” Larrauri, teve um link de suspensão quebrado, o que fez a roda traseira do lado esquerdo sair para fora da carroceria. E, por fim, o carro de Emilio De Villota/Paco Romero, além de uma batida com outro protótipo da classe C2, também enfrentou os mais variados problemas até o final, incluindo um motor completamente vazio d’água no seu radiador.

A corrida de Jerez de la Frontera foi um massacre. Nove carros viram a quadriculada, mas apenas oito se classificaram: o Tiga GC286 de Costas Los/Pasquale Barberio não completou o número mínimo de voltas exigido para pontuar. Na classe inferior de protótipos, venceu o Spice SE86C de Fermin Velez/Gordon Spice, com o quarto lugar na geral a 12 voltas dos vencedores na geral, seguidos pelo Ecosse-Cosworth de Ray Mallock/David Leslie – exatamente o mesmo resultado da corrida anterior na Espanha.

Com duas etapas, Cheever/Boesel assumiam a liderança do campeonato de pilotos do World Sportscar Championship, somando 32 pontos contra 27 de Hans-Joachim Stuck/Derek Bell.

Próximo post: Monza.

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4 comentários

  1. Diego disse:

    Belo carro esse Bardon DB1/2…

  2. Wilson Carpini disse:

    O Raul Boesel está acompanhando, gostou da primeira parte

  3. Carlos Abdala disse:

    Raul Boesel teve uma carreira instantaneamente bem sucedida evidenciando seu talento e dedicação, além de valorizada pela qualidade de sus adversários.

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