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8 de setembro de 2017 - 20:44Especial Boesel 30 anos

Especial Boesel 30 anos, parte VI – Norisring

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Contorno do lendário hairpin de Norisring após a reta de largada: sempre um momento de tensão

RIO DE JANEIRO – Passada a ressaca das 24 Horas de Le Mans para a Jaguar, derrotada pela Porsche, o World Sportscar Championship de 1987 tinha que continuar. E após a clássica prova francesa, o desafio equivalente à 6ª etapa da temporada era uma prova incomum para a categoria – um evento sprint de 200 milhas e dividido em duas baterias.

Com 2,3 km de extensão, o simpático circuito com duas curvas em formato de hairpin, muros e guard-rails próximos dos carros, seria percorrido 77 vezes para perfazer 160 km (100 milhas) em cada uma das corridas, evidentemente com soma de voltas para definir o vencedor em cada uma das categorias.

A novidade após Sarthe foi o desmantelamento da equipe Rothmans Porsche, em menos de duas semanas após a 12ª vitória do construtor alemão na maior prova longa do mundo. Com o nome de Porsche AG, o time se apresentou com um único carro para Hans-Joachim Stuck/Derek Bell e foram eles os autores da pole position com o tempo de 47″07.

Após os problemas mecânicos em Le Mans, a Joest Racing veio com força máxima e colocou três carros na disputa – um deles, com Bob Wollek, que deixara a equipe Rothmans Porsche, ao lado de Klaus Ludwig – inscrito também no Porsche #9. “Brilliant” Bob ficou com a segunda posição do pelotão, em que o Jaguar de Raul Boesel/Eddie Cheever classificou com o quarto tempo.

Vinte e sete carros se apresentaram para a prova de 200 milhas, entre eles o Sauber-Mercedes C9 com as cores da Formel Rennsportclub, um Porsche inscrito pela Victor-Dauer Racing e um Lancia LC2 da Mussato Car Action. A Sauber, inclusive, não tinha muitas ambições na corrida: o carro teve problemas nos treinos e Mike Thackwell teve dois semi-eixos quebrados, a despeito do 3º tempo na qualificação.

Mesmo assim, o neozelandês desceu uma lenha fenomenal na primeira bateria, diante de um ótimo público (estimado em 80 mil torcedores) e nas primeiras 30 voltas guiou absolutamente tudo o que pôde, porque Peter Sauber mandou o piloto usar pressão máxima do turbo, sem se importar com as circunstâncias. Em segundo e terceiro, Stuck e Wollek só esperavam pra ver o que aconteceria.

Daí o Sauber teve problemas de superaquecimento e o excesso de calor dentro do habitáculo fez com que Thackwell se desgastasse de tal forma que o piloto foi obrigado a abandonar. Nessa altura, quem chegou à liderança – de forma absolutamente surpreendente, foi o Porsche 962 GTi pintado nas cores da LiquiMoly e guiado pelo italiano Mauro Baldi, já que Jan Lammers, que conduzia o Jaguar XJR-8 #5, estava preocupado com o consumo de combustível – a cota para a etapa era de 190 litros, somando as duas baterias.

O carro #4, com Eddie Cheever a bordo, teve problemas com a pressão de combustível e perdeu sete voltas. Lammers não durou muito: acabou desistindo com problemas de transmissão.

Baldi brigou com Bob Wollek por cada metro pela vitória, mas o francês ficou sem combustível e não conseguiu completar a primeira bateria. O Porsche de Stuck/Bell ficou com a segunda posição, seguido por Frank Jelinski/Klaus Ludwig. Para a segunda prova, Boesel teria que largar da 13ª posição.

Apenas dezesseis dos 27 carros se apresentaram para a corrida e Boesel fez sua parte para tentar levar o Jaguar XJR-8 ao máximo possível de pontos depois dos problemas na primeira bateria. O equipamento respondeu à altura e o brasileiro guiou com classe para vencer a segunda metade das 200 Milhas de Norisring. Jonathan Palmer cruzou em segundo e com o resultado garantiu a vitória surpreendente do Porsche #15, a primeira de um carro não-oficial em 1987.

A Joest Racing acabou por ter uma infeliz notícia na vistoria técnica pós-prova: os comissários descobriram que o tanque de combustível do Porsche #9 de Frank Jelinski/Klaus Ludwig estava com a capacidade acima do permitido pelo regulamento. O reservatório tinha 101,4 litros, quando o limite máximo era de 100 litros por regulamento.

O quarto lugar na soma das duas corridas não foi de todo mal para Raul Boesel, que com os 10 pontos somados e o abandono de Bell/Stuck, recuperava suas possibilidades de conquista do título da temporada.

Na classe C2, mais uma vez a batalha ficou restrita às equipes Spice Engineering e Swiftair Ecosse, com o carro guiado por Gerold Spice/Fermin Velez levando vantagem sobre Ray Mallock/David Leslie. Quatro dos protótipos da categoria terminaram no top 10 após a soma dos tempos e apenas 12 carros foram classificados no resultado final.

Próximo post: Brands Hatch

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1 comentário

  1. TARCISIO FRASCINO FONSECA disse:

    Norisring é muito desafiador.
    Curiosidade: na época disputava-se na Alemanha a Super Copa com corridas para carros do Grupo C. A primeira bateria da corrida foi válida para a disputa da Super Copa.

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