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11 de janeiro de 2019 - 14:21Túnel do Tempo

Direto do túnel do tempo (427)

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RIO DE JANEIRO – Registro que ganhou as redes sociais nesta sexta-feira: essa é uma foto dos primeiros testes de Nelson Piquet a bordo do Benetton B189, carro com que iniciou a temporada de 1990 enquanto o time das cores unidas não deixava pronta a nova máquina.

Nessa foto tirada em Silverstone, o carro em que o brasileiro andou ainda está com a programação visual do ano anterior – ainda com o apoio da Camel, que se ausentaria do layout da Benetton por um ano só – a marca de cigarros voltaria em 1991, como patrocinadora principal, após o fim do contrato com a Lotus.

Aquela foi uma época de transição para o time, que passava ao comando de um italiano chamado Flavio Briatore – que dirigia a filial Benetton nos EUA e, constam as más línguas, aprontou tanto por lá que a Máfia das Corridas de Cachorros, das quais Flavio era um apostador ferrenho, o pôs pra correr de lá. Luciano Benetton gostava dele e lhe deu o emprego de chefe da equipe que pretendia ser emergente na Fórmula 1.

Tanto que não só contou com Piquet como também trouxe John Barnard para dirigir o departamento técnico. O modelo B190, que estrearia no GP de San Marino, foi concebido sob a supervisão do antigo desenhista de Ferrari e McLaren, por Rory Byrne, autor daquele projeto e também do B189, que correria com a versão “B” em Phoenix e Interlagos.

Nelson fez um contrato de risco após duas temporadas de maus bocados com a Lotus, onde tinha um ótimo contrato, mas péssimos carros – o que lhe arranhou a reputação e provocou uma avalanche de questionamentos sobre sua carreira futura.

Prestes a completar 38 anos na época, assinou para ganhar por ponto marcado, um contrato que hoje chamam de “produtividade” – a valores de US$ 100 mil cada ponto – mais bônus por eventuais vitórias.

“Acho que ele (Briatore) não me conhecia quando fechamos negócio”, disse Piquet, se divertindo com a situação. “Fiz o dobro do que a equipe esperava me pagar e tirei US$ 8 milhões naquele ano”, contou.

E Briatore não o conhecia mesmo. Piquet fez uma temporada impecável, somou 44 pontos, ganhou duas corridas, subiu mais outras duas vezes ao pódio – no GP do Canadá, quebrou o jejum de 20 GPs sem terminar entre os três primeiros e chegou ao fim 13 vezes – as exceções foram Mônaco – em que Piquet levou uma inédita bandeira preta por ter sido empurrado; Alemanha, quando o motor Ford Cosworth explodiu quando Nelson era 3º colocado e Espanha, quando o tricampeão fazia uma corrida sensacional, chegando a liderar duas voltas – o alternador cismou de pifar quando era de novo terceiro.

Depois dizem que a gente exagera quando saudamos a genialidade do Nelson, mas acho que os fatos estão aí para provar o contrário.

Há 29 anos, direto do túnel do tempo.

3 comentários

  1. Reinaldo Rodrigues disse:

    Pois é, essas fase final da carreira do Piquet foi eclipsada pelos fantásticos anos de Senna na McLaren, mas o Nelson fez temporadas incríveis na Benetton.
    Muito bom relembrar! Muito obrigado!

  2. Miranda disse:

    Pra mim, o melhor piloto brasileiro desde sempre.
    Quem quiser discordar, discorde.

  3. Carlos disse:

    Já três vezes campeão da F1, 1990, para mim, foi a melhor temporada de Piquet em toda a F1.. Toda a sua genialidade, técnica apurada e conhecimento mecânico transpareceram naquela temporada. A dobradinha com Moreno, no GP do Japão foi algo sublime. Emociona até hoje.

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