Direto do túnel do tempo (429)

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RIO DE JANEIRO – Este é um belíssimo registro do antigo protótipo recordista do circuito de Daytona em sua versão mista de 5,728 km de extensão.

Projeto de Hiro Fujimori e John Ward, o Eagle MkIII com motor Toyota foi concebido para disputar a série IMSA de protótipos no início dos anos 1990.  Era o sucessor do HF89, também conhecido como MkII, que fora o primeiro carro construído pela All American Racers de Dan Gurney, após o fim da produção de monopostos de Fórmula Indy.

Concebido com estrutura de fibra de carbono, o protótipo foi aperfeiçoado ao longo do tempo. As falhas do MkII foram em sua maioria eliminadas, como a forte tendência do bólido anterior em sair de frente, por conta de uma enorme falta de aderência frontal e excesso de downforce na seção traseira. Com essas melhorias, o bólido que herdou a unidade motriz do MkII com o propulsor 2,1 litros quatro cilindros em linha dotado de turbina Garrett, tornou-se um carro muito mais competitivo para lutar contra as concorrentes Jaguar, Chevrolet, Nissan e, vá lá, Porsche.

Para conseguir atingir 800 HP, a maior potência disponível, a Toyota Racing Development não poupou esforços. “Foram explodidos quatro dinamômetros. Eles não pouparam nada”, disse Dan Gurney anos mais tarde.

O resultado foi que se em 1991 o MkIII ainda não tinha parâmetro com os Nissan, que deram o título a Geoff Brabham, não houve concorrência com os Eagle Toyota após as 24h de Daytona de 1992, nos quais a Jaguar ficou com a pontuação máxima. Foram 15 provas e onze vitórias do bólido ianque com motor japonês.

E na última temporada do carro nas pistas, foi até covardia. Foram 10 vitórias nas dez corridas em que o Eagle tomou parte – na única em que não disputou, em Road America, venceu um Porsche da Joest Racing. Juan Fangio II (sobrinho do pentacampeão de Fórmula 1 Juan Manuel Fangio) foi o campeão da temporada e PJ Jones marcou naquela oportunidade em Daytona o recorde histórico que foi quebrado nesta quinta-feira pelo britânico Oliver Jarvis.

Com o tempo de 1’33″875, o piloto marcou a pole position e venceu a prova da Flórida junto a Mark Dismore e Rocky Moran. A última vitória da IMSA GTP também foi de Jones: o regulamento técnico foi modificado para o ano seguinte e os Eagle MkIII saíram das pistas e ficaram na história.

Há 26 anos, direto do túnel do tempo.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

2 Comentários

  • Ainda garoto, quando vi as primeiras imagens desse carro, minha reação foi “WOW”.

    Hoje, quase três décadas depois, sendo pego de surpresa pela publicação, a reação ao ver essa imagem foi exatamente a mesma. Que baita carro lindo.

Por Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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