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16 de março de 2019 - 09:20Fórmula 1

Mercedes… e o resto

2019 Australian Grand Prix, Friday - Wolfgang Wilhelm

O voo da Flecha de Prata: Hamilton garantiu com o novo recorde de Melbourne mais uma pole, a 84ª da carreira (Foto: AFP/Reprodução Grande Prêmio)

RIO DE JANEIRO – Sobrando na turma. Foi assim que a Mercedes-Benz se comportou nesta madrugada brasileira durante o treino classificatório para a abertura da 70ª temporada da história da Fórmula 1. A que teremos o GP de número 1000 em todos os tempos. A primeira em mais de 20 anos sem Charlie Whiting, homenageado por todas as equipes. Neste domingo na Austrália, teremos certamente um minuto de silêncio em homenagem a ele, que faleceu de forma repentina na quarta-feira.

O sábado foi de certa tristeza pra muita gente e de alegria pra muito poucos. A dupla da marca da estrela de três pontas enganou bem durante a pré-temporada. Lembram da preocupação do Hamilton com os resultados da primeira semana? Melhor deixar pra depois… as retas e as 16 curvas do traçado de 5,303 km do Albert Park em Melbourne viram um desfile dos prateados – com requintes de crueldade.

Foram sete décimos cravados em cima daquele que, em princípio, parecia ser o piloto a ser batido da equipe idem. Aliás, já virou tradição a Ferrari fazer fumaça nos testes de inverno e depois, quando o campeonato começar, ser inapelavelmente superada pela principal rival.

Nos áureos tempos da McLaren isso aconteceu pelo menos na temporada de 1991 e a imprensa italiana caiu de pau, ironizando o “domínio” vermelho. O que será que falará Mattia Binotto, o novo homem forte da equipe, ao olhar pra folha de tempos e se deparar com a eternidade que Vettel e Leclerc ficaram atrás de Hamilton e Bottas no Q3?

Um adendo: aliás, por um breve instante, achei que Bottas daria aquela ‘cravada’ no atual campeão. Doce ilusão: Comandante Hamilton simplesmente voou na pista australiana e encerrou o assunto – 1’20″486. Média horária? 237,194 km/h, o que é de pasmar.

Não me lembro, sinceramente, de uma pista de rua que tenha se tornado tão veloz quanto a de Melbourne. Vai ver porque os próprios carros da categoria máxima hoje têm velocidades estonteantes – principalmente em curvas.

Com a Ferrari superada por larga margem, ainda vimos no Q3 a Red Bull conseguir, na estreia oficial do time rubrotaurino com os motores Honda, um ótimo quarto lugar com Max Verstappen. Tirante as três forças vigentes da categoria, a Haas foi a melhor do resto, com seus dois bólidos em sexto e sétimo.

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Melhor novato, Lando Norris larga dez posições à frente de Carlos Sainz Jr. no grid do GP da Austrália (Foto: McLaren/Reprodução Grande Prêmio)

Impressionaram positivamente a 8ª posição do novato Lando Norris com a McLaren e a performance de Kimi Räikkönen na agora Alfa Romeo. Com 39 anos, o finlandês mostra que ainda está muito vivo para o esporte. A Racing Point sobreviveu até a última parte do treino graças a Sergio Pérez e sua experiência e velocidade.

Decepções? Tivemos, várias.

A Renault foi uma: a Régie não conseguiu classificar nenhum de seus pilotos à fase decisiva do treino classificatório. Nem mesmo Daniel Ricciardo, que dividirá a sexta fila com Nico Hülkenberg – pelo menos a distância entre eles na folha de tempos foi relativamente pequena, oito milésimos de segundo.

A Toro Rosso é o que normalmente chamaríamos de fogo de palha. Alguns resultados ok nos treinos livres, mas na hora do “vamos ver”, amarelaram. Pelo menos foram ao Q2, assim como Antonio Giovinazzi, o primeiro italiano em anos a disputar uma temporada completa, mas superado por Räikkönen no confronto interno na Alfa de forma inapelável.

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É “deu ruim” que fala? Pierre Gasly ficou pelo caminho… e logo no Q1, tendo como companhia nada surpreendente as duas Williams e Lance Stroll, sem contar Sainz (Foto: Red Bull Content Pool/Reprodução Grande Prêmio)

Mas os desapontamentos não param.

O que foi Lance Stroll ficando fora no Q1 logo em sua estreia pela Racing Point? E Gasly com a Red Bull? Sainz com a McLaren? Bem… a Williams não conta, pois o FW42 é uma carroça irremediável e a equipe, que perdeu Paddy Lowe a dias da abertura do Mundial, parece inteiramente perdida no tempo e no espaço.

Pobre George Russell: o campeão da Fórmula 2 já viu que terá um ano apenas para aprender com os percalços de um time outrora pujante e hoje inteiramente sem brilho. O britânico foi 1″276 mais lento que Sainz.

E Robert Kubica? O polonês faz o que dá e é uma pena vê-lo tão atrás. Além de conseguir ficar a cinquenta e três milésimos do limite de 107% do melhor tempo (não sei se do Q1 ou da própria pole position), o piloto que volta a disputar uma corrida da categoria após quase nove anos fora levou um vareio de 1″707 do novato Russell. Complicado defender…

Mas a Fórmula 1 é assim. Ou você dança conforme a música, ou todo mundo esquece o que você já fez um dia. Não foi o que aconteceu ao Alonso? De repente, ele já não prestava para porra nenhuma porque não conseguia grandes resultados. Culpa do piloto ou do carro, afinal?

Enfim… o que tivemos hoje foi isso. Pole de número 84 de Hamilton na categoria – sexta consecutiva, considerando as cinco últimas de 2018. Décima-terceira temporada da carreira com pelo menos uma vez do britânico na posição de honra do grid.

É por essas e outras que o ponto da pole deveria ser atribuído. Não o da melhor volta, que por vezes é circunstancial. O primeiro lugar do grid, não. É conquistado. Corre-se atrás. Ninguém se mata hoje numa pista para fazer o melhor tempo em corrida, a menos que você precise apertar o adversário ou garantir posição. E com a pontuação atual, pode ser que não faça muita diferença.

A partir de 2h10 desta madrugada, começa a temporada 2019. Se tudo correr como o figurino, leva Hamilton. E pra vocês, quem vence em Melbourne?

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3 comentários

  1. Geraldo Netto disse:

    Noris, Albon e Russell têm muito futuro. Creio que o Kubica não termina o ano na Williams, se é que a própria Williams termina o ano também.

  2. Claudio disse:

    Foi um domínio tão grande que confesso que bateu um desânimo. Nada contra Hamilton, mas se for tudo isso de distância mesmo será duro aguentar o inglês vencendo umas 15 corridas no ano.
    Gostei muito da estreia do Norris. Tem muito talento e a julgar pelo que fez nas categorias de base, tem um racecraft de primeira, dificilmente ele perdia posições nas corridas, muito pelo contrário. Confesso que esperava um pouco mais da Alfa…a ver se durante a temporada haverá evolução. Renault foi uma certa vergonha, mais um ano brigando no meio do pelotão não é bom indício. Palpite? Acho que se essa for a toada, Abiteboul roda antes do final do ano. Os demais acredito que tiveram desempenho dentro do que eu imaginava. Kubica errou muito. Bateu na entrada do box, bateu na pista. Quem é o terceiro piloto da Williams? Será que tem os pontos necessários para assumir o lugar do polonês? Duvido que andando desse jeito ele termine o ano. Resta saber quem irá perder a paciência primeiro, ele ou a equipe

  3. Jonny'O disse:

    Neste momento abri um vinho tinto e estou acompanhando a IMSA, não creio que estarei acordado pra ver um desfile da Mercedes na austrália, pra quem se aventurar, boa corrida!
    Amanha tenho uma etapa em Avus pelo GPLBrasil.

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