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20 de abril de 2019 - 15:27Memorabilia, Televisão

Luciano, 5 anos

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RIO DE JANEIRO (outro post que sumiu…) – O tempo voou. Em 19 de abril, há cinco anos, éramos surpreendidos com a notícia da perda de um dos maiores comunicadores da televisão brasileira. Numa viagem de São Paulo a Uberlândia, Luciano do Valle passou mal e veio a falecer. Ele transmitiria, naquela data em 2014, a abertura do Campeonato Brasileiro entre Atlético-MG x Corinthians.

Nascido em 1947, o rapaz que saiu de Campinas e enveredou por várias emissoras de rádio, chegou à Rede Globo em 1971. Fez o Pan-Americano de Cali e as Olimpiadas de Munique. Com a morte prematura do diretor de esportes Júlio de Lamare e a posterior saída de Geraldo José de Almeida após a Copa de 1974 na Alemanha, Luciano tornou-se o número #1 da emissora, com menos de 30 anos de idade.

Entre seus trabalhos estiveram mais duas Copas do Mundo, mais duas Olimpíadas, o Mundial de Basquete de 1978 e dezenas de Grandes Prêmios de Fórmula 1, trabalhando com Giu Ferreira, Celso Itiberê, Ciro José e, por fim, com Reginaldo Leme, seu parceiro na histórica transmissão do Mundial de 1981, quando Nelson Piquet foi campeão mundial.

Após a Copa de 1982, Luciano tomou a corajosa decisão de ir embora. Voou alto: sonhava em dar visibilidade aos outros esportes, com ideias e decisões arrojadas. O desafio Brasil x União Soviética no Maracanã, em 1983 (acho) foi o primeiro marco. E daí para o inesquecível Show do Esporte, na Bandeirantes.

Inclusive, o modelo de transmissão ao vivo de eventos, como era feito naquela época, é hoje o padrão das emissoras fechadas, de TV a cabo. Nisso, Luciano foi altamente pioneiro. E não só deu espaço ao vôlei. Sinuca, boxe, basquete e automobilismo tinham vez. E pra combater a Fórmula 1, o cara trouxe a Fórmula Indy. Apostou alto, quase quebrou a cara. Mas foi genial e ao mesmo tempo histórico, com a transmissão da vitória de Emerson Fittipaldi em 1989 nas 500 Milhas de Indianápolis.

Aliás, é uma aula de narração é emoção. E está, no meu gosto, no top 3 dos grandes momentos do Luciano ao microfone. A conquista do Mundial de Basquete em 1994, na China, é outro. Voltei de um jantar de confraternização de amigos da faculdade e só fui dormir ao ver Paula, Hortência, Janeth e cia. derrotando Zheng Haixia e companhia limitada.

Mas a maior narração do Luciano no futebol é, pra mim, aquela do gol do Falcão em 1982, no empate do Brasil contra a Itália, que nos levava às semifinais. Me desculpe, Galvão Bueno, você é um gênio. Mas nunca uma narração sua em gol da seleção, em qualquer tempo, chegaria aos pés daquela do “Só mesmo Falcão!”, de 37 anos atrás.

Saudades, Bolacha!

E pra matar saudades, o blog traz a íntegra das 500 Milhas de Indianápolis de 1989. Há entrechos com a narração da ABC, com o lendário Paul Page. Mas o final é de Luciano. É emoção pura. É de arrepiar. A maior narração de sua carreira. Um momento épico que fará 30 anos exatos em maio desde ano.

Merece ser lembrado pra eternidade. Aliás, tenho certeza: Emerson, Hélio Castroneves e Tony Kanaan agradecem e pagam tributo ao genial comunicador até hoje.

8 comentários

  1. André Fonseca disse:

    A pergunta que fica: Al Unser Jr fechou a porta ou Emerson esparramou???

  2. André Fonseca disse:

    Pois é, ai quem tava por fora se lascou…

    E gracas ao tráfego, Al Unser Jr ficou encaixotado dando a chance do Emerson chegar!!!

  3. Leandro disse:

    Coisa linda, sempre é emocionante ouvir esta narração do Luciano. Tudo ali é muito emocionante, as esposas apavoradas, o trabalho dos pilotos, a disputa… de arrepiar!

  4. Danir disse:

    E tem gente que não gosta de oval. Por mim a formula indy seria 80% ovais e o resto, o resto.

  5. Amaral disse:

    Nessa época eu estava começando a descobrir que a vida não era só F-1. E eu era um garoto ainda.
    Quando descobri as 500 milhas de indianápolis foi provavelmente nessa época aí. Me amarrei em ver circuitos que nunca tinha visto…Circuitos ovais? Como assim?
    E já buscava mil jeitos de mexer na antena pra tentar fazer a velha TV pegar o “canal sete” pra tentar ver as corridas de F-Indy. Pude ver várias vitórias do Emerson, torcer nos “quase” do Raul Boesel (teve uma época em que ele, além de andar muito e ter um carro bom, mas teve uma falta de sorte digna de Chris Amon) e vi o início de Helinho, Tony e Cristiano. E muitos desses momentos foram embalados pelo talento e vibração do saudoso Luciano.
    E boas épocas em que má-fé e barbeiragem eram punidas, mas que acidentes de corrida eram acidentes de corrida. Penúltima volta, dois pilotos sedentos pela vitória, no meio de três ou quatro retardatários, chegou a curva, ninguém cedeu e deu no que deu. Não teve maldade nem má-fé. E segue o jogo, que tá valendo tudo isso aí. E o Emerson contabilizou mais um troféu pra estante. Por sinal, um dos mais importantes dele.
    Hoje você pisa no pé do amiguinho e toma dez segundos no drive thru do McDonalds. Ou fica meia hora esperando quem ganhou a corrida até passar o VT pros comissários verem se ninguém deu cuecão no coleguinha da frente.

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