MENU

30 de maio de 2019 - 12:17Túnel do Tempo

Direto do túnel do tempo (447)

Andretti-Courage-1995

RIO DE JANEIRO - Em 1995, as 24 Horas de Le Mans voltavam a experimentar o rumo do sucesso, após um período errático que culminou com o fim do Mundial de Carros Esporte (World SportsCar Championship) e com o grid mais magro da história da competição que alinhará 62 carros daqui a duas semanas ou quase: na corrida de 1992, só alinharam 28 bólidos.

O plantel voltou a crescer porque houve demanda com novos carros de Grã-Turismo, que foram enfrentar alguns protótipos sobreviventes, como o Courage C34 Spyder de motor Porsche.

A Courage Competition era de um local, de um sonhador. Yves Courage queria seguir os passos de Jean Rondeau e construiu protótipos para tentar vencer em La Sarthe. E naquele ano, ele pareceu ter reunido a trinca perfeita com ninguém menos que Mario Andretti como pilar.

Os companheiros do veterano Mario, então com 55 anos e consagrado campeão mundial de Fórmula 1 e vencedor das 500 Milhas de Indianápolis – portanto, sério candidato a ser Tríplice Coroado do automobilismo – eram dois franceses: Eric Hélary e “Brilliant” Bob Wollek.

Dada a largada, Wollek fechou a primeira hora com meia volta de vantagem para o 2º colocado. Mas a chuva apareceu – e persistiria – causando o primeiro percalço para o carro com o prosaico numeral #13.

Andretti se embananou com um dos Kremer-Porsche K8 nas Porsche Curves e saiu da pista. Danificou o carro e entre idas e vindas aos boxes, a trinca perdeu seis voltas.

Na parte noturna, Wollek deu um show. Com ritmo espetacular após a adversidade do acidente e principalmemte numa pista traiçoeira, “Brilliant” recolocou a si e aos companheiros em condições de brigar contra dois McLaren F1 GTR BMW que lideravam: o carro #59 da Kokusai Kahiatso, com Masanori Sekiya/Yannick Dalmas/J.J. Lehto – e o #51 da Mach One Racing, pintado nas cores da loja de departamentos Harrods, com Justin e Derek Bell a bordo, além de Andy Wallace.

Mas aconteceu outra coisa surreal: a Meitec, um dos patrocinadores do time, exigiu que o #13 voltasse a box. O motivo foi absurdo: os adesivos do sponsor tinham caído durante a madrugada com a chuva. E nessa brincadeira, eles de novo perderam a liderança da prova.

Andretti entregou de novo o carro a Wollek, que pelo menos conseguiu superar o McLaren da Mach One Racing. Mas não foi possível descontar os três minutos – quase uma volta inteira – que separavam o Courage C34 Porsche #13 do carro da Kokusai Kahiatso, que no fim das contas se sairia vencedor.

Sabem quanto tempo foi perdido na brincadeira dos adesivos?

Cinco minutos…

Por uma bobagem, Le Mans deixou de ver finalmente uma vitória de Bob Wollek. E Andretti perdeu a chance mais cristalina de triunfar em La Sarthe que teve na carreira. Pena ter faltado também o GP de Mônaco no currículo, já que a chance de ser tríplice coroado e igualar Graham Hill infelizmente foi apenas um sonho.

Há 24 anos, direto do túnel do tempo.

6 comentários

  1. joao calango disse:

    Esta Meitec ainda existe? Vou mandar uma mensagem eletrônica reclamando…rsrs

  2. Felipe Fugazi disse:

    Surreal esses patrocinadores…

  3. OZZMAIR disse:

    O feito do Grahan Hill foi insano , mas ao mesmo tempo , pouco se fala dele. Mattar , uma pergunta , vc coloca o único tríplice coroado na lista dos 15 maiores pilotos de todos os tempos??? Um abraço!!!

    • Rodrigo Mattar disse:

      Não tenha dúvida.

      • Antonio Seabra disse:

        nem eu….
        Graham não era um “natural”, mas a historia dá conta de que era um dos pilotos mais “trabalhadores”, dedicados, concentrados de que se tem noticia. Ele foi companheiro de equipe de 3 dos maiores pilotos de todos os tempos, Stewart (BRM), Clark (Lotus) e Rindt (Lotus), sem nunca ficar para tras.
        Bill Gavin comentou que, caminhando pelos circuitos para fotografar durante treinos e corridas, recebia acenos de quase todos os pilotos, menos de Graham. Sempre pensava: “ele não está me vendo”. Mas no final do treinos, invariavelmente Graham vinha comentar com ele: “como eu estava fazendo aquela curva, em relação aos outros ?”, ou “qual foi a tua impressão sobre o comportamento do carro naquele trecho ?” E ele perguntava: “ué, voce me viu ??…não acenou…”, ao que o inglês respondia: “estava ocupado guiando o carro o melhor possível, não iria tirar a mão do volante pra acenar.”
        Esse caso dá bem a dimensão do grau de comprometimento do campeão.

        Antonio

  4. Geraldo Netto disse:

    Inacreditável essa história do adesivo do patrocinador.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>